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Ir. Ivonete fsp - Autora destaque


Minha história com Paulinas




O que vivo hoje teve início nos anos 80, cujas imagens povoam o meu ser. As Irmãs Paulinas enchendo uma Kombi de livros e bíblias, chegando numa comunidade, organizando a exposição de livros e de bíblias e reunindo o povo para um curso bíblico. Após o encontro, as pessoas em volta da mesa da exposição adquirindo as obras e, de modo particular, a Bíblia.
Estas cenas, que são do filme produzido pelas Irmãs Paulinas, Dois Caminhos, foram um insight na minha decisão vocacional de assumir o Carisma Paulino na minha vida. Pensei: Quero ser semelhante a estas irmãs. Ao dizer isso a mim mesma, meu coração se encheu de alegria e paz. Decidi: Vou ser uma Irmã Paulina e num curto espaço de tempo, já estava na comunidade das Irmãs Paulinas fazendo a caminhada vocacional. Foram cinco anos de formação. Depois, o primeiro envio missionário para atuar junto à Igreja na Amazônia.
As experiências missionárias forjaram a autora de hoje, que relato a seguir. Por seis anos exerci minha missão na Pastoral da Comunicação no Regional Norte 2 da CNBB, que compreende as arquidioceses, dioceses e prelazias dos estados do Pará e Amapá e três anos na formação de jovens aspirantes à Vida Consagrada Paulina. O que mais me impactava era a sede das pessoas por subsídios simples, porém, profundos para atuarem em suas comunidades. Era incrível pensar como Deus chama e capacita os seus discípulos para a missão. A minha experiência dizia isso, pois  Deus me chamou do interior do Paraná (Ivaiporã) para viver na Região Amazônica como missionária. Aprendi com o povo a alegria de servir e cresci, com o povo paraense. Foram anos de ouro para a minha vida.
Depois desses anos fui chamada a habitar numa grande metrópole, São Paulo, onde experimentei de modo mais prático a redação e edição de uma publicação: a Revista Família Cristã. A mesma que quando criança e jovem chegava à casa de meus pais.  Novamente, novas imagens foram preenchendo o meu ser. Letras, palavras, artigos, reportagens, fotos, projeto gráfico, impressão, e, enfim, a revista pronta para ser enviada para o povo. Com essa obra ia também a experiência de irmãs paulinas, colaboradores e profissionais da comunicação. Era a nossa vida sendo doada. Junto a isso, um forte trabalho de atuação junto à Pastoral Familiar e da Comunicação do Regional Sul 1 da CNBB (estado de São Paulo). E, desta experiência, nasceu o primeiro livro: Comunicação e Família, expressando a minha convicção de que nos fazemos gente num processo de comunicação e somos ecossistemas comunicantes de vida e transmissores de amor na família, na comunidade e na sociedade. Nesse vai e vem de uma edição a outra da revista, passaram-se 10 anos (1996-2006), ou seja, 120 edições da revista que vi ser gestada e nascer para a vida do povo e que continua até os dias de hoje ser fonte de luz para a Família Brasileira.
E não para por aí esta história. Fiquei por mais seis anos vivendo na grande metrópole a serviço da Congregação e à igreja local. Grandes desafios pastorais eram evidenciados nas assembleias pastorais do Regional Sul 1 e na Arquidiocese de São Paulo. Uma das áreas pastorais em que, nós, Irmãs Paulinas, estamos inseridas na Arquidiocese de São Paulo é a Região Episcopal Sé. Participava ativamente da dinamização pastoral da Região coordenada por Dom Manoel Parado depois Dom Tarcísio Scaramussa e, com engajamento prático na Paróquia Santíssimo Sacramento, no bairro Paraíso. Nesta paróquia, a pedido de padre Aparecido Silva, colaborei na formação da equipe de liturgia e das equipes de celebração. Amadurecemos como grupo pastoral, cuja finalidade era ajudar as pessoas que participavam das celebrações a fazerem a experiência de Deus e se comprometerem na transmissão da fé. O grupo era diverso e numeroso. Reuníamo-nos uma vez por mês para estudo da sagrada liturgia e treinar a comunicação da Palavra de Deus. De tímidos e inseguros proclamadores da Palavra de Deus em corajosos e destemidos discípulos e missionários de Jesus. Percebia que algo mais unia aquele grupo. Era a preocupação com o processo de vivência e transmissão da fé. E conto um segredo. Na experiência com esse grupo pastoral comecei a gestar o segundo livro: Comunicação na liturgia – a transmissão da fé, que, mais tarde, essa experiência formativa serviu de base para argumentar o meu trabalho de conclusão do curso de pós em Cultura Teológica.
Em 2014 aconteceu mais um envio missionário como crescimento para a minha vida e missão Paulina. Recebi o mandato de servir à comunidade Paulina e ao povo da cidade de Recife em Pernambuco. Nesta grande cidade e no rico e abençoado Estado comecei a me inserir na vida Pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife com um olhar particular de fazer da Paulinas Livraria um centro de formação de agentes de pastoral para atuarem de forma destemida como missionários. A experiência transmitida pelo nosso fundador padre Tiago Alberione: “Sentir com a Igreja” e abrir obras que respondam às necessidades pastorais e a utilização da comunicação para o anúncio do Evangelho, fizeram “arder” ainda mais o meu coração.  Apresentei-me ao arcebispo Dom Fernando Saburido, colocando-me a serviço da ação evangelizadora da Igreja local. Perguntou-me sobre minha experiência de Vida Consagrada e Pastoral. Foi um pastor. Senti-me em casa para atuar no projeto missionário da livraria. Recebi ajuda, também, de várias pessoas, que vieram à livraria para me conhecer e partilhar a vida pastoral da Arquidiocese, também para se darem a conhecer. Sou muito grata a padres, religiosos/as, aos leigos/as. E, de modo particular, os colaboradores da Paulinas de Recife. Com eles pude me formar no jeito pernambucano de viver a fé. Um povo “arretado” de bom. Todos, na livraria, temos o compromisso de ser um centro de formação para o povo.
Em pouco tempo, recebi o convite de Dom Fernando para participar da equipe de coordenação da Pastoral, que considero uma grande graça, pois Deus me abriu uma grande porta para fazer da Missão Paulina no Recife uma colaboração na formação do povo desta porção da Igreja. Comecei a sentir mais claramente os desafios pastorais, mas de modo especial, na área da formação bíblica teológica e da comunicação. No segundo ano, então, na livraria, potencializamos a formação bíblica, que já se fazia e criamos o curso Comunicação com olhar específico para a liturgia, compreendendo o mistério celebrado e sua comunicação, com foco na proclamação da Palavra.
Na dinâmica do curso de Comunicação na Liturgia, os cursistas pediam o conteúdo do curso. Como a insistência era tanta e fazendo a pós nessa área, nasceu de fato o livro Comunicação na liturgia – a transmissão da fé, pois acredito que é o processo mais rico de transmissão da fé. Os ritos e os símbolos fazem parte de cada ser humano desde o momento da concepção até sua partida para a casa do Pai. Praticamente foram 10 anos de gestação para apresentar ao povo um instrumento simples e eficaz na evangelização.
E agora, o mais recente livro Um mês com a rainha do Céu – refletindo a Salve-Rainha, com a coautoria com Francisco Eduardo, colaborador da Paulinas Recife e um apaixonado pelo estudo Bíblico e da catequese. Conversamos muito sobre as necessidades pastorais da Igreja em Recife e sobre o que o povo vem buscar em nossas livrarias e a sede que demonstram em conhecer mais profundamente a fé. Numa de nossas partilhas, no centro da livraria, após o atendimento de uma pessoa que buscava conhecer mais sobre a Salve-rainha, de modo simples e vivencial, pois as obras que apresentamos não atendiam as suas necessidades surgiu a ideia: Por que não escrever um livro sobre cada palavra da Salve-Rainha? Perguntei a Eduardo: “Topa escrever comigo? Eu faço algumas palavras e você faz as outras? Depois eu reviso a sua parte e você a minha. E o livro sai a “cara” dos dois? O que achas?”. Ele disse-me: “topo” e, assim, fizemos o projeto do livro e encaminhamos para a editora com a finalidade de ser uma proposta para o mês de maio. Aceito o projeto pela editora, nos colocamos em ritmo de produção. A escolha de cada texto bíblico foi partilhada, discutida e assumida juntos. Aprendi muito com este trabalho. Maria, nossa Rainha, nos ajudou a compreender várias coisas, mas acima de tudo, que falar dela é falar do seu Filho de Jesus. Falando e anunciando os grandes mistérios da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus, estamos conhecendo a sua mãe. Este é o fio condutor do livro. Falando do projeto de Salvação de Deus, de Jesus, vivenciamos de modo profundo a nossa vocação de discípulos missionários de Jesus, tendo como modelo a vida de Maria de Nazaré – a Rainha do céu.
E assim prossigo o meu caminho de discipulado de Jesus, vivendo a minha vocação Paulina, que é a minha vida: Ser instrumento de comunicação de Deus. Desafios? Muitos, mas o Senhor é a minha grande fonte de alegria, paz e impulso missionário.
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