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Alan Paiva




Nasci em São Luís, Maranhão, no dia 9 de setembro de 1970. Desde cedo, sonhava ser escritor. Comecei lendo os livros da pequena biblioteca do meu pai. A literatura, nacional e estrangeira, logo se tornou uma paixão na vida do menino estudioso e sonhador. Dois livros me marcaram profundamente nessa época: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, e “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald. Continuam sendo os meus prediletos.

Mais tarde, ingressei no curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão decidido a ser advogado criminal. A atuação da defesa no Tribunal do Júri me fascinava e eu desejava ardentemente seguir nessa profissão. Ainda estudante, fui membro do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Padre Marcos Passerini, onde dei os meus primeiros passos na luta pelo direito e pela justiça. Depois de formado, e de outros afazeres na área jurídica, resolvi dedicar-me à profissão que tanto amava.

Entretanto, jamais abandonei o sonho de tornar-me escritor, adiado pelas circunstâncias da minha vida. Em 2008, após um período de três meses na Faculdade de Direito da Universidade de Zaragoza, na Espanha, levado pelas minhas leituras sobre a Inquisição, comecei a escrever o romance “Filhos do Vento”, ainda inédito, que resgata fatos ocorridos naquela época. Foi esse o meu primeiro livro.

 

No início de 2014, eu e Maria Fernanda, minha companheira de vida, visitamos a “Fazenda do Amor Misericordioso”, instituição de tratamento para dependentes químicos da diocese de Pinheiro, no Maranhão. Decidi defender aqueles jovens que respondiam a processos criminais e não tinham condições para contratar um advogado particular. Jesus disse que toda vez que ajudamos um necessitado (faminto, sedento, estrangeiro, descamisado, doente, preso) é a Ele que ajudamos.

Como resultado desse trabalho, surgiu o livro “Amor sem Limites – a luta contra as drogas”, publicado pela Paulinas Editora em 2016. Nessa obra, falo sobre a defesa dos dependentes químicos na justiça criminal, os crimes por eles cometidos e o trabalho ali desenvolvido pela Igreja Católica. Após sua publicação, estive presente, como autor, na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre/RS.


Tive também a oportunidade de participar do 36º Concurso Literário Cidade de São Luís com o livro de contos “Encontro em Buenos Aires” (inédito), que conquistou o 2º lugar. Um dos meus contos foi, posteriormente, publicado no site da Revista CULT de literatura. Iniciava-se, assim, a minha carreira de escritor com a qual sonhara desde menino.

Em 2017, foi publicado “O Caso Pontes Visgueiro – da barbárie ao feminicídio”, pela editora Clara, que narra a história do desembargador que, no século XIX, matou a adolescente Maria da Conceição, em São Luís. Esse crime célebre abalou o país, sendo o autor julgado e condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça, no Rio de janeiro. Trata também do crime passional, da tese da legítima defesa da honra e do feminicídio.

No mesmo ano, recebi o honroso convite para a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luís, que veio confirmar a minha opção em defesa da vida e dos direitos humanos, sobretudo dos encarcerados. Descobri que estava no caminho certo e que, sem perceber, havia finalmente encontrado aquele tesouro escondido da parábola de Jesus.

O livro “Drogas, crimes e prisões” foi publicado por Paulinas Editora em março deste ano. Procurei discorrer, numa linguagem acessível ao leitor comum, sobre estes temas que estão profundamente associados e são essenciais para que possamos compreender a violência no país. Ele é fruto dos meus estudos, das minhas inquietações e da minha experiência profissional.


Abordo o fenômeno do encarceramento em massa, que também é resultado da política de guerra às drogas implantada no país e tem como suas principais vítimas jovens pobres e negros das periferias. Analiso o papel da prisão na sociedade contemporânea, o mito da ressocialização, mostrando a realidade das nossas prisões e a necessidade de respeito aos direitos dos presos, assim como o punitivismo hoje vigente na sociedade brasileira.

Com essa obra, pretendi tratar criticamente essas questões a fim de que o leitor ou a leitora, a partir das reflexões propostas, possa tomar consciência da nossa complexa realidade e empenhar-se para sua transformação. Como escreveu Leonardo Boff, “a vida deve ser gasta na recusa em aceitar a sociedade assim como é e, muito mais, no empenho em transformá-la”.

Cumpro minha missão como advogado e escritor procurando contribuir para a libertação do ser humano e a construção da “civilização do amor e da paz” sobre a qual falou Paulo VI. Tenho esperança de que um dia, como diz o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, o homem será libertado pelo direito e pela justiça.



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