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Diante do espelho - Meditação do Papa Francisco

Data de publicação: 07/03/2019

Há regras claras sugeridas por Jesus para não cair na hipocrisia: não julgar os outros para não sermos também nós julgados com a mesma medida; e quando sentimos a tentação de o fazer, é melhor primeiro olhar-se no espelho, não para nos escondermos com a maquiagem mas para ver bem como somos realmente. Recordando que o único verdadeiro juízo é o de Deus com a sua misericórdia, o Papa Francisco recomendou que não cedamos à tentação de nos colocarmos no lugar do Senhor, duvidando da sua palavra.

“Jesus fala às pessoas e ensina muitas coisas acerca da oração, das riquezas, das preocupações fúteis, muitas, sobre como se deve comportar um discípulo seu”, afirmou Francisco. [...]

“Todos nós queremos, no dia do julgamento, que o Senhor olhe para nós com benevolência, que o Senhor se esqueça das muitas coisas ruins que fizemos na vida”, disse Francisco. E “isto é justo, porque somos filhos, e um filho espera isto do pai, sempre”. Mas “se julgarmos constantemente os outros, com a mesma medida seremos julgados: isto é claro”.

Primeiro, o mandamento, o fato: “Não julguem para não ser julgados”, reafirmou o Papa, acrescentando: “Segundo, a medida será a mesma que vocês usam para com os irmãos”. E depois “o terceiro passo: olha-se no espelho mas não a fim de se maquiar para que não se vejam as rugas; não, não, não é este o conselho!”. Pelo contrário, sugeriu Francisco, “olhe-se no espelho para se ver como realmente é”. As palavras de Jesus são claras: “Por que olha para o cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da trave que está no seu? Ou como dirá ao seu irmão: “deixa que tire o cisco do seu olho”, enquanto “no seu há uma trave?”.

“Como nos qualifica o Senhor — questionou-se o Pontífice — quando fazemos isto?” Uma só palavra: “Hipócrita, tire primeiro a trave do seu olho, e então poderá ver com clareza para tirar o cisco do olho do seu irmão”. Na realidade, não deveria surpreender a reação do Senhor que “se altera; é muito forte, e parece também que nos insulta: chama de hipócrita quem julga os outros”. [...]

Insiste o Pontífice, “é muito feio julgar: deixemos o julgamento só a Deus, só a ele!”. A nós compete “o amor, a compreensão, rezar pelos outros quando vemos coisas que não são boas”, se serve “também falar com eles” para os admoestar se algo parece não estar no caminho certo. De qualquer forma, “nunca julgar, nunca”, porque “se julgarmos será hipocrisia”.

Aliás, afirmou Francisco, “quando julgamos colocamo-nos no lugar de Deus, isto é verdade, mas o nosso juízo é pobre: nunca, nunca pode ser um verdadeiro julgamento”. Porque, “o verdadeiro julgamento é o que Deus faz”. E “por que o nosso não pode ser como o de Deus? Por que Deus é onipotente, e nós, não? Não, porque ao nosso julgamento falta a misericórdia”. E “quando Deus julga, ele o faz com misericórdia”.

Na conclusão, o Papa Francisco sugere que pensemos “hoje naquilo que o Senhor nos diz: não julgar, para não ser julgado, a medida com a qual julgarmos será a mesma que usarão para conosco”. E assim quando temos a tentação de dizer: “ela faz isto, ele faz aquilo”, é melhor olhar-se no espelho antes de falar. “O Senhor nos faça compreender bem estas coisas”, desejou o Papa.