Cenas e amor

Data de publicação: 08/05/2015

Uma exposição inédita de dois fotógrafos internacionais clica no Brasil o universo particular dos portadores de paralisia cerebral e de suas famílias

Em recente passagem pela cidade do Rio de Janeiro (RJ), o fotógrafo ganense Koby Boafo, reconhecido mundialmente por seu trabalho no mundo fashion, e a produtora fotográfica francesa Marie Sophie Lucas se sensibilizaram com o Projeto Dê Amor a Uma Criança Especial, iniciativa que luta por proporcionar melhores condições de vida para as crianças com paralisia cerebral. Como prova, voltaram suas lentes para o cotidiano cheio de lutas das mães desses deficientes. E o bom resultado já pode ser conferido. Inaugurada no dia 8 de maio e sem patrocínio, a exposição Além do Olhar tem como os principais mentores o casal Neusa e Toninho. Casados há 28 anos, os dois arcaram do próprio bolso com os custos da mostra para angariar solidariedade para uma causa: atrair olhares mais atentos para aqueles que se sentem isolados e esquecidos. “Muitas famílias que têm em casa portadores de paralisia cerebral sofrem sozinhas com muita dificuldade financeira e a falta de políticas públicas”, revelam.
As delicadas imagens de Koby e Marie Sophie jogam luzes sobre o cotidiano na maioria das vezes ignorado dessas famílias, em particular as mães, expondo-as ao mundo sob um olhar íntimo que revela carinho e afeição entre os fotografados. A mostra que deverá percorrer vários centros culturais do Brasil e de outros países, finalizando em Paris (França), será um fio de esperança para pessoas que quase sempre encontram apenas na fé algum amparo. “A fé nos sustentou nos momentos mais difíceis, pois o médico chegou e nos deu a notícia sobre a deficiência de nossa filha e nos deixou só, sem nenhuma informação. Tivemos que buscar força em Deus para nos superarmos. No início pensei em me isolar, mas diante dos desafios, optamos por agradecer a Deus e hoje entendemos que Carol chegou a nossa casa para sermos exemplo, para outras famílias poderem acreditar que Deus não nos dá algo além das nossas forças. Hoje temos a certeza de que nossa família é capaz de fazer nossa filha inteiramente feliz!”, descreve a escritora e jornalista Neusa Maria Pinto de Castro, pós-graduada em Artes Cênicas e mãe de Caroline Marie, que nasceu com a deficiência, e de outros três filhos.

Batalhas vencidas – Neusa escreveu dois livros dedicados ao tema paralisia cerebral: Paralisia Cerebral, Esta Dor Não me Venceu e Filhos Especiais para Pessoas Especiais. Ambas publicadas por Paulinas Editora, as pequena obras têm sido de grande importância para o aumento da autoestima de familiares de pessoas com deficiência. Ao lado do Antônio José, a mãe enfrentou barreiras e obstáculos para oferecer a Caroline uma melhor qualidade de vida. Claro que contou com o apoio e o convívio de mães especiais e tão corajosas quanto ela, dispostas a vencer a dor e os desafios. Muitas, com apenas um salário mínimo, tentam sobreviver e são impedidas de obter outra renda em função de já receberem o benefício da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) do governo. Para complicar a situação, muitas dessas mulheres foram abandonadas pelos seus maridos e, às vezes, passam até fome para que não falte um tratamento digno ao filho com deficiência.
Ao contrário de outros casos mais tristes, Neusa Maria encontrou apoio e solidariedade no marido, Antônio Castro. “Jamais conseguiríamos vitórias com Caroline se estivéssemos divididos. Nos momentos de folga, ele também me ajudava a cuidar das crianças. Nunca o ouvi mencionar nenhuma palavra negativa, sempre me dizia para ter confiança, que tudo ia mudar. Ele sempre me dizia que nós iríamos vencer essa batalha e, ao ouvir suas palavras, eu me sentia reconfortada”, lembra a mãe, que admite não imaginar seu dia a dia sem a presença da filha. “Carol mudou a nossa vida e nos ensinou um novo jeito de amar e ser feliz”, garante.
Quanto aos membros da Pastoral das Pessoas com Deficiência, da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a qual frequenta, a solidariedade não foi menor. “A Igreja se tornou uma segunda casa para a nossa família. Ali recebemos o apoio espiritual do padre Frank Franciskatto e de nossos amigos que nunca nos deixaram sós. Acreditamos que a superação de uma família com um filho deficiente pode se tornar um incentivo enorme para  que pais e mães nunca desistam dele”, afirma.




Fonte: Familia Crista ed. 953/Maio de 2015
Postado por: Família Cristã




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