Sobreviver é preciso

Data de publicação: 10/05/2015

O câncer deve atingir 22 milhões de pessoas em todo o mundo até 2030, entre eles crianças e jovens como Thulyo e Fernanda, que já enfrentam uma história de luta contra a doença

Por Karla Maria
Fotos Sonia Mele

Thulyo Savyo Souto Vasconcelos (foto) e Fernanda Oliveira Reis (foto) são portadores de sorrisos lindos e uma simpatia cativante. Ele, de Campina Grande (PB), e ela, de São Paulo (SP), têm uma história em comum: a luta contra o câncer, no caso a leucemia. Thulyo está com 18 anos e combate a doença há quase dois. Fernanda, com 14 anos de idade, faz a manutenção de seu tratamento após seis anos de quimioterapia, com uma cabeça careca e uma infância cheia de limitações – foi diagnosticada aos dois anos. Em uma tradução da linguagem médica, a doença dos dois é causada pela multiplicação desordenada de células anormais (malignas) em qualquer local do organismo, podendo estas se estenderem a outros órgãos e tecidos e, neles, também provocarem tumores (metástase). 
“As leucemias agudas são formas comuns de câncer na infância. Podemos dizer que 75% das leucemias são curáveis. Se nós pegarmos as formas mais favoráveis, chegaremos a 90%”, revela o diretor clínico do  Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), de São Paulo (SP), Vicente Odone. Segundo o oncologista, a leucemia em crianças é mais fácil de tratar do que em adultos, e os sintomas costumam surgir como descreve Thulyo. “Tive febre, dores no corpo. Estava comendo pouco e quando fiz exames de sangue todas as taxas estavam alteradas”, conta. Com Fernanda, não foi diferente. “Estava fraca, passava o dia deitada. O nariz sangrava, e eu ficava pálida. Quando fui diagnosticada, a gente descobriu o Itaci”, revela.

Sobrevivente – Foi ali que a menina e sua mãe, Rosa Oliveira, encontraram assistência médica e apoio psicológico. Já Thulyo e sua mãe, Sônia Maria, partiram para a Terra da Garoa com destino ao Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc). Em suas lutas, os dois não estão sozinhos. A Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica informa que 1% a 3% de todos os tumores malignos ocorrem em crianças e adolescentes. No Brasil, a cada ano são registrados 9 mil casos de câncer nesta faixa etária da população. A cada dia, em média, 24 crianças e adolescentes são diagnosticados com a doença no País.
No Brasil, a enfermidade é uma das maiores causas de mortalidade proporcional entre crianças e adolescentes de um a 19 anos, perdendo apenas para as mortes relacionadas a acidentes e à violência urbana. Fernanda é testemunha disso. “Fiz amigos no Itaci, mas muitos se foram. Da minha turma só eu estou viva. Agora, volto lá uma vez por ano para fazer exames de manutenção”, conta a garota, que passou por seis anos de tratamento com sessões de quimioterapia e atraiu muitos olhares com uma cabeça careca. “Tinha vergonha de sair na rua porque não parecia menina, e as pessoas ficavam me olhando”, desabafa.

Efeitos – Para Thulyo, o início da quimioterapia também está sendo difícil. “Na maioria das vezes, depois das sessões de químio, fico desorientado, sem fome e com náusea intensa. Só quero voltar para casa, tomar banho e dormir”, diz o jovem. Em decorrência da quimioterapia, ele foi acometido de um severo ressecamento no intestino e operado às pressas. “Estamos aprendendo a viver a cada dia”, conta com o sorriso e o sotaque típico das terras de Ariano Suassuna.
No Graacc mesmo, o paraibano prestou o vestibular para universidades federais através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas o que deseja é terminar logo as sessões de quimioterapia, voltar para a Paraíba e estudar Engenharia Elétrica perto da família e dos amigos. Já Fernanda, a amante dos livros de romance, sonha em tornar-se médica veterinária.

Esperanças – O câncer é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia global devido à diversidade de fatores de risco. Estes vão desde agentes infecciosos, como a Helicobacter pylori (H-pylori), vírus HPV, hepatites, fatores ambientais, por exemplo, como radiação solar, radiações ionizantes (raios-X, entre outros), alimentação inadequada e obesidade, a fatores genéticos que contribuem com cerca de 10% dos casos. Essas inúmeras causas somadas à falta de diagnóstico precoce, especialmente em países em desenvolvimento, levam a OMS a estimar que, em 2030, 22 milhões de pessoas, por ano, serão diagnosticadas com o mal. Dessas, 13 milhões poderão morrer devido à doença. No Brasil, um estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revela que só neste ano deverão ser diagnosticados 500 mil casos da doença.
Em 2011, com o objetivo de diminuir a incidência da enfermidade, a presidente Dilma Rousseff apresentou uma Política Nacional de Atenção Oncológica. Com ela, segundo o presidente do Inca, Luiz Antônio Santini, houve um crescimento nos recursos: 149% para as cirurgias oncológicas, 144% para as radioterapias e 45% para as quimioterapias. Apesar do investimento, o País ainda enfrenta o desafio de oferecer um bom tratamento a todos os portadores de câncer. “O Brasil, em termos de atenção aos pacientes, domina toda a sequência técnica dos tratamentos necessários para um melhor cuidado aos doentes, tanto nas áreas pediátrica e adulta. A questão persiste em expandir os cuidados para toda a população. Nosso problema não é qualitativo, mas quantitativo”, avalia Vicente Odone, do Graacc, que já apresenta, segundo seu diretor, taxas de cura de leucemia compatíveis com as dos melhores centros de tratamento do mundo. Esperançosos, Fernanda e Thulyo agradecem.




Fonte: Familia Crista ed. 952 abril 2015
Postado por: Família Cristã




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