A Aids volta a atacar

Data de publicação: 13/05/2015

Leo Pessini                       

 Em 2013 foram 12.700 mortes por HIV/Aids, número similar ao de 15 anos atrás, quando a política de acesso aos antirretrovirais foi implantada no País
                                                 
Morrer de HIV/Aids, já não é mais notícia como era no início dos anos 1980. Naquele a ocasião, além da incurabilidade, quem fosse acometido dessa doença era morte certa, em pouco tempo, com situações terríveis de abandono e indiferença. Enfrentávamos muitos preconceitos e discriminações. Fala-se de “peste gay”, de “castigo de Deus” pelos pecados, e tantos outros. Ficou conhecida como sendo a “síndrome do medo do outro”. Como capelão no Hospital Emílio Ribas, entre os folhetos distribuídos nas enfermarias aos doentes, encontrei um com este título: “Aids: A Ira do Senhor”! Em síntese, o paciente portador do vírus HIV/Aids era duplamente vítima, da doença e do preconceito, que o levava a uma “morte social” antes da morte física. 
No Brasil, a epidemia do vírus HIV/Aids estava estabilizada na faixa de 20 novos casos por ano a cada grupo de 100 mil habitantes. De 2003 a 2013, a taxa de mortalidade caiu de 6,4 óbitos por 100 mil habitantes para 5,7. No entanto, o número de infecções na faixa etária entre 15 e 24 anos seguiu direção contrária, crescendo em 32%.  Este é um grande problema. A atual juventude é mais liberal, está muito bem informada a respeito dos meios de como se proteger e prevenir a doença, mas os ignora. Esses jovens não vivenciaram o drama da epidemia nos seus inícios, quando o diagnóstico de Aids era uma sentença de morte.

Ainda sem cura − Hoje no Brasil dos 734 mil portadores do HIV existentes, estima-se que 20% não sabem que têm a doença. Como essa enfermidade demora em média dez anos para apresentar os primeiros sintomas, muitos infectados disseminam o vírus sem saber. Daí a importância de estimular os testes.  Desde 2011 o número de casos voltou a crescer, e hoje ocorre um aumento preocupante do número de mortes. Somente em 2013 foram 12.700 mortes por HIV/AIDS, número similar ao de 15 anos atrás, quando a política de acesso aos antirretrovirais foi implantada.
O Brasil no cenário mundial assumiu o compromisso de atingir metas para aumentar as taxas de diagnóstico e tratamento.  Até 2020, 90% dos infectados devem saber que carregam o vírus HIV. Destes, 90% precisam começar a tomar os antirretrovirais. Dos que entraram em tratamento, 90% devem ter a carga viral suprimida.  Essas metas chamadas de “política dos três 90” foram ratificadas pelos países membros dos Brics, Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul.
A meta maior é a de eliminar a epidemia de Aids até 2030, como vislumbra o Progama das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Uniaids). Ainda não é possível erradicar a doença, mas podemos acabar com os níveis epidêmicos. A tão aguardada vacina, anunciada para o ano 2000, ainda não temos.  A grande novidade foram os antirretrovirais, que ajudam a pessoa a viver mais, convivendo com a doença, mas ainda sem a cura. 
Além das campanhas na mídia para estimular a realização do exame de HIV, o Ministério da Saúde aguarda a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para disponibilizar testes rápidos em farmácias. Uma forma de vencer um velho tabu: a vergonha de muitas pessoas em procurar o diagnóstico em um posto de saúde.
É urgente implementarmos vigilância ético-sanitária, em termos de saúde pública, e o necessário cultivo de responsabilidade pessoal e comunitária, frente ao cuidado e respeito para com a própria vida e a saúde dos nossos semelhantes.
 




Fonte: FC ediçao 952-ABRIL- 2015
Postado por: Família Cristã




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