Casal WhatsApp?

Data de publicação: 30/06/2015

Para um casamento duradouro é preciso haver a passagem da fragilidade do relacionamento para a animosidade de vínculos duradouros

Por Cleusa e Alvício Thewes

Léo e Mila, 29 anos – Casaram-se há um ano. Mila organizou o casamento. Sozinha. Encarregou-se das roupas, da cerimônia religiosa, da recepção, da filmagem e da viagem nupcial.
No retorno da lua de mel, dois solteiros passam a viver juntos. Ele pagando as contas da casa; ela utilizando seu salário para comprar bolsas, roupas, calçados e perfumes. E as tarefas da casa? Por conta... E o relacionamento? Bom, este enfartou de cobranças e críticas recíprocas. Embora vivessem sob o mesmo teto, não desempenhavam o papel conjugal. Frustrados, entraram em duelo com suas expectativas elevadas. Ele esperando que ela colaborasse no orçamento doméstico e ela aguardando que o marido controlador fosse carinhoso.
Após um ano de convivência tumultuada e desestruturada, estavam distanciados. Ainda assim tiveram forças para buscarem ajuda terapêutica e, enfim, alicerçarem a união.

Gustavo e Júlia, 31 anos − O projeto comum de formar uma família nasceu ainda durante o namoro. Confiantes no amor que os unia, eles resolveram se profissionalizar, cada um na sua atividade, a fim de estabilizar seus ganhos e poderem levar uma vida confortável.
Casaram-se. Dois anos depois, Júlia engravidou. Estão casados há seis anos. Para eles o casamento é uma realização não isenta de conflitos e diferenças, é claro. Aqueles e estas eles administram com diálogo maduro e acessível.
Gustavo diz: “Ela parece com a mãe dela, ranzinza...” E Júlia fala: “Ele é controlador como o pai dele...” Eles se confrontam, mas também se perdoam. Compartilham projetos, tarefas, despesas, a educação da filha. Cultivam a manutenção da espiritualidade e da intimidade, privilegiando um espaço para rezar, namorar e conversar.

Edificar o casamento − O casamento pressupõe amor e requer planejamento, organização e tenacidade. A união é uma opção pelo amor e um ato de fé aliançado no Divino Amor. Uma pesquisa realizada na América do Norte, entre casais, concluiu que o alto índice de divórcio é resultado da dificuldade de comunicação entre o casal. Você reconhece essas atitudes: “Pensei, mas não falei”. “Queria, mas não pedi”.
Alguém, no relacionamento, possui a lâmpada de Aladim para adivinhar o que o outro está pensando ou desejando? A lâmpada é o diálogo, com partilha de sentimentos, desejos e necessidades.  Deus nos deu o dom da fala como ferramenta de comunicação e nos deu também a capacidade da aprendizagem. No entanto, muitos de nós parecemos não aprender a habilidade da comunicação e vivemos mudos e infelizes, casados ou solteiros. A pergunta é: como e para que você usa essa habilidade se não for para se comunicar? Seria aconselhável refletir.

A fragilidade − Há relacionamentos conjugais recheados de mágoas, desconfianças e cobranças. Há casais sem identidade conjugal, a exemplo de Léo e Mila. Casamentos com relacionamentos vulneráveis têm de buscar e desenvolver habilidades para a resolução dos seus conflitos. Há casais WhatsApp... Eles discutem e tentam negociar o relacionamento no diálogo virtual, pois não desenvolveram e aperfeiçoaram a administração do conflito interpessoal. Digo, tentam, porque é realmente só isso o que acontece: uma tentativa. O WhatsApp é um veículo bom para combinações rápidas, informações e notícias, mas não para discutir e equacionar questões existenciais. Basta um questionamento desafiador para deixar o interlocutor ou a interlocutora off-line, com um problema na mão e um aperto no coração.
O casamento é a escola do amadurecimento, da verdade, da superação do orgulho, da santificação, através da expressão de sentimentos e intenções. Isso liberta e fortalece o vínculo amoroso e traz saúde ao convívio.
 
A animosidade − Amores com vínculos fortes se mantêm. Mas, afinal, quais são os ingredientes da construção dos vínculos animosos? Quem casa confia no amor do outro e se julga capaz de amar. Em outras palavras, quer dar amor e receber amor, como ocorreu na sua família de origem.  Quem vem de berço, de onde as experiências saudáveis fazem crer que amor, antes de ser um risco, é o caminho da felicidade e da realização, busca a continuação desse quadro. E, quando não o encontra, há quebra de confiança no amor do outro e se instaura um conflito. Ocorre que, no casamento verdadeiro os personagens de família são substituídos por protagonistas reais, com dons e defeitos.
Outro ponto que costuma gerar conflitos conjugais são os projetos de vida. Em geral, os casais têm dificuldades em compreender e separar o projeto pessoal de cada cônjuge do projeto comum, familiar. Mas é imprescindível, para a solidez do casamento, a existência desses projetos. Cada um quer continuar crescendo e evoluindo, pois até a água parada adoece.
O que faz o casamento durar é a base espiritual e o cultivo de valores. Observe os casamentos duradouros à sua volta. Todos tiveram base espiritual e cultivaram valores.
É necessário crer que a aliança conjugal é formada por duas joias raras, cingidas pelo Amor Divino, com a missão de iluminar a sociedade com a centelha do amor de Deus que os torna um.
Maria, Mãe do Amor, abençoe os casais. Amém!
 




Fonte: Edição 952, abril de 2015
Postado por: Família Cristã




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