Namoro no entardecer

Data de publicação: 22/09/2015

Por: Cleusa e Alvício Thewes *

 “Amar é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida. Amor começa tarde”, Carlos Drummond de Andrade

Celina e Rui, 76 anos – Enamoramento no entardecer da vida. Conheceram-se há sete anos. Viúvos e cansados da solidão, enamoraram-se com certa facilidade. A consequência lógica foi casamento.
Ambos carregaram suas manias e teimosias para o casamento. E as compreenderam rapidamente. Com a compreensão vieram o companheirismo, o cuidado, o carinho, o amor maduro, e, talvez, o último amor da vida deles.  Outro dia, Celina comentou: “Ele é ciumento!”. 
Quando Celina esteve doente, Rui cuidou dela com esmerada dedicação. Esse gesto foi fundamental na cura dela. Eles estão sempre juntos. Rui declarou: “Nós passeamos, rimos, namoramos, dançamos muito. Depois que casamos, desapareceram o reumatismo dela e o meu”. A depressão e a solidão de ambos foram embora. Estão felizes.

Julieta, 89 anos, e Bento, 80 − Conheceram-se na Casa Lar onde moram. “Enxergaram-se”, como costumam dizer.  Julieta envaideceu-se, passou a usar brincos, roupas bonitas e a se perfumar, como o fazia na juventude. Bento foi se aproximando, se encantando e a pediu em namoro. Agora estão felizes e sorridentes. 
A cuidadora do lar tem certeza que eles rejuvenesceram. Das antigas dores não reclamam mais. Diariamente, sentam no jardim, abraçados, e ali tomam sol, conversam, dão risadas. Até se animaram a plantar hortaliças e agora estão cultivando uma bela horta. Durante a recreação com os demais idosos, eles cantam e dançam.  Estão apaixonados e já têm o apoio dos filhos para casarem.

Tabu e preconceito − Vivemos numa sociedade que expõe o novo e esconde o velho. Essa mentalidade tem reflexos profundos nos relacionamentos e nos sentimentos. A sociedade considera o amor e os sentimentos propriedade exclusiva dos jovens e tende a ridicularizar e a esconder os novos relacionamentos amorosos dos idosos, como se estes não tivessem o direito de se enamorarem depois de separados, divorciados, viúvos. Pensar que o idoso já ultrapassou a idade de se encantar, se apaixonar, ter um relacionamento sexual saudável é um pensamento poluído e contaminado por tabus e preconceitos antigos que já devia ter sido extirpado. O amor e o afeto pertencem ao ser humano por sua própria natureza, sendo esta a sua essência. Nunca devemos esquecer que cada um de nós, cada pessoa, cresce, evolui e estrutura sua personalidade através do amor. O amor nos liga ao verdadeiro sentido da vida. É indispensável romper com as gracinhas, os mitos, os estereótipos sobre o sexo na terceira idade e contribuir para que o envelhecimento seja vivido com a melhor qualidade de vida possível.

O idoso, o amor e a sexualidade − Os temas mais abordados para a terceira idade referem-se, sem dúvida, à hipertensão, à alimentação, ao diabete. Concordo que sejam temas pertinentes, mas quando falaremos de amor e sexo na terceira idade? Por que esquecemos e negligenciamos a sexualidade dos idosos?
Na velhice também existe vida intensa nas questões do amor e da prática da sexualidade. Ocorre, porém, que os tabus e os mitos inibem que o assunto seja largamente discutido.
Os olhinhos dos idosos brilham, e os lábios sorriem quando esses assuntos bailam na sala de encontros da terceira idade. Segundo Anita Neri, a vivência do amor e da sexualidade está relacionada com as pessoas de idade avançada. Há indicadores relevantes no bem-estar da terceira idade, tais como: a longevidade, a saúde biológica e mental, a capacidade cognitiva, a produtividade, a competência social, na família e na sociedade, a autonomia financeira, a satisfação. Além dos aspectos citados, percebemos que os idosos que possuem uma vida afetiva, uma vida sexual dentro de seus limites e possibilidades, assim como uma experiência de companheirismo e cumplicidade, são mais felizes e realizados.
A sociedade precisa superar as restrições impostas no enamoramento na velhice e possibilitar aos idosos irem além de seus papéis de pai/mãe, avô/avó, de só ficarem olhando televisão, fazendo tricô.  Precisamos acreditar no amor e na sexualidade entre eles, pois podem ser tão intensos quanto no caso dos jovens, porém vividos de forma calma e madura. Não podemos, evidentemente, deixar de considerar que em algumas pessoas de idade avançada o desejo sexual diminui, ou se anula, enquanto em outras se acentua. Negar aos idosos sexualmente ativos o direito ao amor faz com que se considerem acabados, inúteis, incapazes e com medo do futuro. Há até casos extremos de idosos que não desejariam ter chegado à velhice. Diante disso, o conselho é transformar a negação de afetos em possibilidade de amar para todas as idades.
Mãe Maria, cuida com amor dos idosos.




           




Fonte: Edição 954,junho 2015
Postado por: Família Cristã




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