Entre patas e pelos

Data de publicação: 18/01/2016

Uma boa prevenção contra a depressão na terceira idade pode ter um focinho gelado e quatro patas

Por Antonio Edson

No Brasil, 2,8 milhões de idosos vivem sozinhos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como nem todos convivem bem com a situação, muitos correm o risco de sofrer de depressão. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), João Bastos Freire Neto, o isolamento é uma das causas dessa doença entre os idosos que, em relação às demais pessoas, têm uma possibilidade 40% maior de desenvolver o transtorno. E não é só. A Pesquisa Nacional sobre Suicídio de Idosos e Proposta de Atuação do Setor de Saúde realizada em 2012 pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves), entidade ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apurou o isolamento como um fator dos suicídios praticados entre os idosos do País. “Embora haja muitos motivos que possam levar um idoso a tal desfecho, esses foram os mais graves”, define a coordenadora do estudo, a antropóloga e sanitarista Cecília Minayo.
Mas prevenir esse problema pode ser mais fácil do que se imagina. Em países como os Estados Unidos, os importantes aliados no combate à depressão e outras doenças da terceira idade, como o mal de Alzheimer, têm sido os animais de estimação ou os pets. Ali, muitos lares de idosos adotaram cães e gatos com o intuito de proporcionar uma melhor saúde física e mental a seus moradores. Entre os benefícios registrados estão o relaxamento, a melhora do humor e a diminuição da agressividade e do estresse. Já as atividades e terapias com animais ajudam no tratamento dos sintomas depressivos, aumentam a socialização de alguns idosos e incentivam a adesão a outras terapias. Entre diversas razões porque a interação entre idoso e pet provoca o aumento das taxas de serotonina e dopamina, neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar. “Isso melhora em muito a qualidade de vida, diminuindo uma possível depressão ou solidão que o idoso esteja enfrentando”, confirma o veterinário Tiago Dorna.

Temperamento – A prática foi introduzida com sucesso no Brasil. Um exemplo é o Lar de Idosos e Centro Dia Viva Mais, de Joinville (SC), onde seus seis moradores se revezam nos cuidados das cadelas vira-latas Mel e Mimosa, que foram agregadas à entidade em setembro. A adoção resultou de uma parceria com o Abrigo Animal de Joinville, organização não governamental que acolhe atualmente cerca de 300 animais abandonados e que doou as cadelas vacinadas, vermifugadas e tratadas por seus veterinários. “Nossos idosos receberam bem a novidade. Eles estão animados, tomaram mais interesse pela vida e demonstram cada vez menos sintomas de solidão. Acima de tudo, passaram a conviver melhor entre eles. Aprenderam a dividir melhor as coisas e se comunicar mais, pois se ajudam na responsabilidade do tratamento dos animais. A cada dia da semana, por exemplo, um idoso fica responsável pela água, alimentação e escovação das duas cadelas”, relata a enfermeira e diretora do Lar, Ana Cláudia Albuquerque.
Já as cachorrinhas puderam ser adotadas por pessoas que não ligam para suas idades, porque, afinal, elas também são idosas – Mel tem 7 anos e Mimosa, 8 – e há muito esperavam por um lar. Apesar da idade, segundo Ana Cláudia, elas ajudaram a dar um ar mais caseiro ao ambiente do Lar Viva Mais, pois muitos dos seus moradores mataram a saudade dos animais que deixaram em suas casas de origem ou tiveram em um passado distante. No entanto, a maior característica das cadelas que provocou empatia com os idosos foi o temperamento dócil. “O cão de companhia ideal para esse público deve ser mesmo aquele com temperamento calmo e dócil, independentemente de raça ou tamanho”, comprova o fisioterapeuta e adestrador André Fröhlich, diretor da empresa Cão Meu Amigo, especializada em adestramento e comportamento canino, em Santa Cruz do Sul (RS).

Caminhadas –
Para não haver erro na escolha do animal, André aconselha o idoso, a família ou o responsável pelo lar de repouso que resolver adotar um animal a observar atentamente o comportamento do cão, algo que pode ser feito ainda na ninhada, entre filhotes de 45 dias de vida. “Há os de temperamento ativo, reativo e passivo. O ativo é aquele que brinca sozinho e é mais agitado. O reativo espera alguém para brincar: você atira uma bolinha,e ele corre atrás. Por último, o passivo é aquele que você joga uma bolinha e ele não quer saber de nada. Como em geral o idoso é uma pessoa menos agitada, certamente ele se dará melhor com os cães do tipo passivo e, sobretudo, reativo”, orienta o adestrador. Independentemente da escolha, no entanto, André esclarece que um cão, ainda que dócil, de qualquer forma estimulará o idoso a fazer pequenas caminhadas. “Como o cão precisa andar, ele incentiva o dono a sair de casa e não ficar deitado o tempo todo. E isso traz muitos benefícios à saúde e à vida social do idoso”, garante.




Fonte: Família Cristã, 960
Postado por: Família Cristã




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