Maria mulher virtuosa

Data de publicação: 31/05/2016

É no meio familiar que Jesus compreende a grandeza do pobre e o valor da pobreza, grande marca de sua vida e missão que tem como centro os pobres e pequeninos


Por: Roseane Barbosa*

No contexto em que vivemos atualmente, ser virtuoso parece uma raridade, diante de tantos “jeitinhos” que desembocam nas mais variadas formas de corrupção. Entretanto, não raro encontramos pessoas dispostas a lutar por valores humanos e cristãos. Confrontando essa realidade, queremos dar um destaque todo especial a uma das mulheres que marcou a nossa história por uma vida pautada pela prática das virtudes: Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus.
Foi por praticar as virtudes que Deus encontrou em Maria uma “terra boa onde a semente caiu e deu frutos”. As virtudes de Maria não eram dons sobrenaturais, pois, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, nº 1803, “a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem”.

Maria, a mulher mãe – São muitas as virtudes que identificamos na vida da Mãe de Jesus, mas vamos nos deter em nove, que são evidenciadas nos textos bíblicos. Iniciemos pela fé que é a marca fundamental da vida de Maria, pois ela é essencialmente uma mulher de fé. A segunda virtude é a esperança, que, tanto em Maria como em nós, nos remete ao futuro, para o que ainda virá, mas que já é possível entrever. Ele já está em nós, mas não com a sua plenitude.
Em Maria também era presente a virtude do amor, em suas mais variadas formas de expressão. Na encarnação, o amor divino encontrou-se com o amor humano de Maria. Foi ela quem ensinou a Jesus a experiência humana de amar e ser amado. Acompanhando o amor, temos a virtude da humildade, que em Maria não se explicita somente por sua condição financeira, mas, sobretudo, por sua real percepção de si mesma. Ela se reconhece como a serva do Senhor (cf.Lc 1,38). Ela soube renunciar aos seus planos pessoais – casar-se com José e constituir uma família –, a fim de assumir os planos de Deus.
Outra virtude é a fidelidade, e Maria foi extremamente fiel às tradições do seu povo, a Deus, a José e a Jesus. E, com a fidelidade, evidencia-se na vida de Maria a disponibilidade. Somente quem tem domínio sobre si mesmo pode se colocar à disposição de outra pessoa sem perder a sua liberdade.
Em Maria era grande a sua confiança em Deus e no próprio Jesus. Ela não hesita em se arriscar para gerar Jesus, assim como teme ficar desapontada por uma resposta inusitada de Jesus nas Bodas de Caná (cf.Jo 2,4-5). A Mãe de Jesus praticava a virtude da paciência, soube esperar que tudo acontecesse a seu tempo. Segundo a tradição, Jesus revelou-se como Messias ao povo judeu após 30 anos. Nesse longo tempo, Maria viu a realização do que o anjo lhe tinha anunciado.
Certamente uma grande virtude de Maria, e que deve ter influenciado as ações de Jesus, é a pobreza. A família de Nazaré viveu uma vida simples, e com certeza a sua subsistência vinha do trabalho na carpintaria de José (cf.Mt 13,55).  É no meio familiar que Jesus compreende a grandeza do pobre e o valor da pobreza, grande marca de sua vida e missão que tem como centro os pobres e pequeninos.
Teríamos muitas outras virtudes para destacar na vida de Maria, mas acreditamos que estas nove nos inspiram a darmos o nosso testemunho de cristãos, assim como Maria testemunhou para os seus contemporâneos. E nós mais ainda, nessa realidade em que vivemos atualmente, na qual ser honesto parece ser sinônimo de burrice.
Que Maria nos inspire a viver as virtudes, o que não significa ser piegas, mas sim assumir a forma mais autêntica de ser discípulos de Jesus hoje. As virtudes são valores do Reino de Deus, e a sua vivência e testemunho fazem do cristão ser participante do Reino de Deus.


*Roseane Gomes Barbosa é Irmã Paulina, bacharel em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e mestra em Ciências da Religião pela PUC-SP, Autora do livro Nove dias com as virtudes de Maria, de Paulinas Editora.




Fonte: FC ediçao 965-MAIO 2016
Postado por: Família Cristã




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