“Mamãe, deixe-me viver!”

Data de publicação: 20/06/2016


Por:
Cleusa e Alvício Thewes

Irene, 50 anos – Mulher madura, mãe de um casal de filhos já adultos, bem sucedida no casamento e na vida profissional.
 Mas Irene carrega uma profunda tristeza no coração e uma culpa na alma, que a levam a enfrentar ciclos de depressão. De onde veio o remorso de Irene? De um aborto cometido na adolescência.  Ela e o namorado, o atual esposo, ao saberem da gravidez, não tiveram coragem de encarar o fato diante de seus familiares. Com medo de prováveis reações adversas de suas famílias, omitiram a gravidez, procuraram uma clínica clandestina e fizeram o aborto. Na ocasião, o aborto pareceu-lhes a melhor, senão a única, solução. Porém, um longo tempo já se passou, e o casal ainda não superou os traumas do aborto. Ambos ainda sentem o peso de haverem tirado uma vida humana. Hoje reconhecem que agiram de forma imatura e irresponsável. Irene é a mais afetada pela culpa. Todas as vezes que olha para um de seus filhos, reedita, dentro de si, o decreto da culpa, da condenação, ficando a imaginar como seria o filho (ou a filha) cuja vida ceifou ainda no útero. Então compartilha sua dor com o esposo e ambos pedem perdão a Deus e se comprometem a vivenciar a misericórdia.

Mirian, 17 anos – Solteira, estudante e mãe do pequeno e lindo Léo. Ela engravidou de forma inconsequente e inesperada. Quando soube da gravidez, imediatamente a comunicou aos pais e ao namoradinho. Na família dela, criou-se o maior rebuliço.  Revoltada, a mãe a agrediu e determinou que abortasse, pois um filho atrapalharia seu futuro. Mirian ficou chocada com a reação da mãe, mas não cedeu à pressão dela. Foi buscar amparo na tia, num sacerdote amigo da família, na professora, nas amigas, nos amigos... Formou uma verdadeira rede de apoio ao redor de si, pois já amava o filhinho e queria deixá-lo nascer. Assumiria a responsabilidade da maternidade. Com o passar do tempo, os pais a perdoaram e acolheram, tornando-se doces avós.
Impacto e desafio familiar – A gravidez não planejada na adolescência balança e paralisa a família. Em regra, torna-se um fato desesperador para os pais e para a futura mamãe.
No impacto da notícia, todos esquecem os valores éticos, morais e espirituais. Ante um fato ainda considerado uma vergonha e o temor das críticas da sociedade, o bom-senso vai para o ralo e o descontrole emocional toma conta. No seio da família, nasce uma sensação de incapacidade, e o drama se instaura, palavras amargas chicoteiam pais e filhas, a raiva se materializa em agressões e corrói o hormônio da alegria, levando a família a se debruçar sobre a janela da tristeza e da dor. No caos familiar, a gravidez vira uma amargura pesada, um problema crucial, e sugestões absurdas, como o aborto, parecem trazer a solução. Em última análise, o que o conjunto familiar quer é se livrar do problema, ainda que isso importe em negar a felicidade de um novo nascimento.
Compreende-se que a família, diante de tal situação, fica, como se costuma dizer, no escuro. Porém, o ideal é a união, a busca de uma saída, de uma luz que possa iluminar futuras decisões.
E há famílias que realmente buscam ajuda psicológica; outras preferem o auxílio da espiritualidade. Seja o mediador um profissional da Psicologia, seja uma autoridade eclesiástica, a tarefa requer conhecimentos técnicos e exige fé, experiência, equilíbrio emocional, sensatez... Há duas vidas em risco – a da mãe adolescente e a do bebê – e ambas devem ser poupadas. No confronto das ideias e da tomada de decisões, o mediador e os aconselhados são desafiados. Aquele na capacidade profissional, e estes na capacidade de aceitar, perdoar, amar, superar e, sobretudo, na de preservar a vida. Ainda que isso lhes custe o sacrifício dos princípios da vida de outrora, trazidos de casa, muitos deles rígidos demais para a juventude atual.  Uma juventude, como se sabe com valores próprios, quase sempre conflitantes com o sistema educacional, desafiadores à sociedade, à família, à Igreja, e pouco sadios, mas que devem ser compreendidos e administrados na intimidade familiar.

Hora da Família –
Em sintonia com o Ano da Misericórdia, lançado pelo papa Francisco, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sugere a campanha Hora da Família 2016, cujo tema é a  Misericórdia na Família: Dom e Missão.
A Hora da Família visa direcionar e fortalecer a missão e o dom da família para a vivência do perdão e da misericórdia, caminhos que viabilizam a reconciliação, a libertação interior, a caridade.
Como vimos, nos relatos, as famílias passam por conflitos, por vezes tão tumultuados que os transformam em problemas insolúveis. Os relacionamentos não são brancos com bolinhas coloridas, como os imaginamos e queremos. Ao contrário. Podem ser repletos de sofrimento, fatos inesperados, mudanças radicais. Tudo isso tende a balançar e instabilizar o convívio familiar. Eis o desafiante exercício do amor, do perdão, da misericórdia. Bem, continuemos crendo que nem tudo que balança cai...
A Irene e seu namorado sucumbiram à fraqueza. Faltou-lhes coragem. Eles próprios reconhecem isso, em palavras e em sofrimento. Já a Mirian reagiu de forma mais consciente e corajosa.  Formou uma rede de proteção ao redor de si. E eis que, após o impacto inicial, a família se reconciliou. Todos se uniram num elo de amor e perdão para amparar e esperar o bebê.
A família de Mirian abriu espaço à vivência do aconchego e da caridade. E assim deve ser. As manifestações concretas e coerentes, como as vividas na família de Mirian, fortalecem os vínculos e encorajam para novos desafios. São formadores de personalidade. Manter e cuidar da vida intrauterina precede à maternidade e é um dever, humano e divino. Essa realidade é enfatizada pelo papa Francisco, ao dizer: “É Deus que dá a vida. Respeitemos e amemos a vida humana, especialmente a vida indefesa no ventre de sua mãe. O aborto não é uma solução”.
Maria, proteja as mães. Amém!





Fonte: FC ediçao 965-MAIO 2016
Postado por: Família Cristã




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