Maturidade conjugal

Data de publicação: 04/07/2016

A autoestima individual, se bem trabalhada, exerce influência sobre o outro cônjuge, elevando-lhe sua própria estima

Por: Cleusa e Alvício Thewes

“Wilson e Léia, 48 anos – O casal tinha amor, cumplicidade e projetos comuns; participava de grupos de estudos bíblicos e de caminhadas nas montanhas; cultivava uma horta e tinha um jardim florido. 
Porém, após vinte e três anos de casados, Léia teve depressão e passou a sofrer síndrome de pânico. Wilson não soube lidar com a doença da esposa. Sentindo-se meio perdido, isolou-se e não amparou Léia. Em consequência, ambos se sentiram abandonados. Léia estava muito frágil, impotente para reagir contra si mesma e ainda envolver Wilson. Na ausência de interação conjugal, Wilson buscou fora de casa o que lhe faltava em casa, envolvendo-se com outra mulher. Léia descobriu o caso extraconjugal do marido e fez o maior escândalo, chegando mesmo a agredi-lo. Wilson mergulhou na culpa e também ficou deprimido. Depois do escândalo, ela se reaproximou dele e propôs que buscassem ajuda terapêutica para resgatar o casamento. Na terapia, foram analisados e se analisaram. Levaram um longo tempo para amadurecer no relacionamento a dois e se perdoarem. Hoje têm um matrimônio sólido e saudável.

Evandro e Luiza –
Entre namoro, noivado e casamento, mantiveram um relacionamento de dez anos.
No começo do relacionamento, houve mútuo encantamento, cujos efeitos se desfizeram durante o noivado, dando lugar ao desencantamento. Mesmo assim casaram. É bem verdade que Luiza cogitou em acabar o relacionamento. Pensando, porém, que Evandro não suportaria o fim do noivado, casou-se com ele. Foi um erro. Viveram anos como irmãos, sem sexo e sem projetos de vida, comuns ou individuais. Em comum, aliás, tinham apenas um cachorrinho. Até caminhadas e pedaladas faziam em horários diferentes.  Em casa, pouca conversa, nenhuma partilha, permanecendo, cada um, no seu canto. Além disso, Evandro não tinha ambições. Conformava-se em residir em uma casa emprestada. Duas coisas, no entanto, o casal acumulou: dificuldades emocionais e financeiras. A separação era inevitável e ocorreu quando Evandro tinha 40 anos e Luiza 30.  Sem rumo e deprimido, ele comentou: “Nossa história teve um lindo começo. Não sei em que ponto nós nos perdemos. Sinto-me fracassado. Não consegui salvar meu casamento”.

O encantamento –
Muitos casais estagnam na fase do encantamento, sobrevoando as periferias do relacionamento, deslumbrados demais para planejarem perspectivas conjugais.
O encantamento é um olhar que deve existir no início do namoro. Ele põe calor na relação. Mas ele não deve, em hipótese alguma, suplantar a realidade e as potencialidades e individualidades dos enamorados. Há limites a serem reconhecidos e observados. Cada cônjuge joga para dentro da relação a sua história, a sua origem, os seus anseios, o seu projeto de vida, a sua saúde ou a sua doença.
Evandro e Luiza estacionaram no encanto e a consequência foi o desencanto. Este contaminou o casamento, levando-os ao desprezo mútuo.  Já conhecemos o resultado. Foram incapazes de concretizar um projeto de felicidade conjugal. O casamento deles foi como um barco à mercê dos ventos, esperando o momento de afundar.
Autoestima conjugal – A autoestima conjugal pressupõe o cultivo da autoestima individual. O cônjuge que gosta de si vence mais facilmente os desafios, relaciona-se melhor, realiza-se profissionalmente, é receptivo ao afeto, vive de bem com a vida. Aceitar-se e estimar-se, sem, contudo, bajular-se, demonstra maturidade emocional, bagagem pessoal importante para o casamento dar certo. A autoestima individual, se bem trabalhada, exerce influência sobre o outro cônjuge, elevando-lhe sua própria estima. Cria-se, assim, um clima familiar de aceitação individual e conjugal, ingrediente indispensável ao crescimento dos cônjuges, e sua realização pessoal, profissional, religiosa. A autoestima conjugal é um elemento psicológico facilitador do relacionamento, dos projetos em comum, da construção da espiritualidade, do fortalecimento e perenização das emoções e sentimentos, das conquistas materiais, do desejo de ter, criar e educar filhos.

Maturidade conjugal –
Aqui falamos da maturidade para o convívio a dois sob o mesmo teto, dividindo a mesma cama, os mesmos desejos, respirando o mesmo ar. É a capacidade ou, se preferirem, a inteligência de criar vínculos afetivos, emocionais e espirituais, de forma amável, equilibrada e serena. A maturidade conjugal mantém os cônjuges unidos e os leva a praticar, ante qualquer ameaça, atos de manutenção do casamento.  Poucos nascem com esta habilidade. A maioria de nós a adquire-a aos poucos, na soma das horas, dos dias e dos anos. Isto é gratificante.
 A maturidade de que estamos falando é fruto da doação recíproca, da aceitação das diferenças, do reconhecimento e valorização do outro ou da outra e de si mesmo, da manifestação dos sentimentos e emoções. Cônjuges emocionalmente maduros empenham-se na satisfação dos desejos comuns. Pessoas maduras sabem controlar seus impulsos e libertar-se das tensões; conhecem os caminhos da paz interior e conjugal. 
A compatibilidade de gênios e a capacidade de adaptação também são ferramentas facilitadoras da maturidade relacional. Uma advertência necessária. No casamento mantido pela maturidade conjugal é indispensável que cada cônjuge conserve sua identidade, permaneça único, original e inteiro. Quando um dos cônjuges se anula para agradar ao outro, há grande possibilidade de o casamento acabar antes de sua dissolução natural por Deus. Casais maduros unem-se para solução de seus conflitos. Comunicam-se sem imposições, gritos e raivas.
Resta, por fim, fazer alguma referência específica à espiritualidade. Somos seres espirituais. Negligenciar a espiritualidade é engaiolar nossa essência. E as consequências não são nada agradáveis. Os humanos não vêm ao mundo buscar crescimento físico. Viemos para crescer espiritualmente. O Pai quer que voltemos a Ele melhores do que viemos. E isso implica crescimento do espírito. O crescimento espiritual nos capacita na paciência, no perdão, na superação. O Papa Francisco, sábio e paterno, escreve aos casais sobre o assunto em Amoris Laetitia, nº 120.





Fonte: FC ediçao 967 -JULHO 2016
Postado por: Família Cristã




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