Namorados para sempre

Data de publicação: 04/07/2016


Por: Karla Maria

Cuidados diários, diálogo e partilha da vida são passos preciosos para um “felizes para sempre” apaixonado
Ele acorda cedo e, antes de preparar o café da manhã, separa as drágeas que controlam a pressão arterial da esposa, para que ela não as esqueça de tomar. Já ela lê a Bíblia quase todas as noites para ele, porque a leitura não é um costume do marido. Estes são Roseli Lehpamer de Paiva, 61, e Gentil Pereira de Paiva, 60, casados há 36 anos e namorados há 41.
Eles se cuidam, se curtem, se respeitam, se amam. É notória a paixão do casal, tanto que, durante a entrevista, no aconchegante apartamento, zona oeste de São Paulo, não foram raras as vezes de carinho trocado e lágrimas derramadas por reviverem as histórias dos dois, e como há histórias...
Eles se conheceram em um baile de carnaval em 1975. Casaram-se em 1980, em uma paróquia dedicada a Nossa Senhora das Dores. “Foi uma cerimônia muito simples, eu não me atrasei”, lembra Roseli, que no dia 12 de abril selou seu compromisso com Gentil.
“Ela estava linda! Na hora pensei, puxa, sou um cara de muita sorte”, conta o marido com sorriso aberto. A lua de mel, romântica, foi primeiro em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, e depois em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Na praia foram dias inteiros de chuva, mas não importava muito, os dois se bastavam e ainda se bastam. Gostam de ficar sozinhos e agora, aposentados, gostam de viajar para muitos e diferentes lugares. Visitam e revisitam locais que compõem a sua história.
“A gente vê que os casais precisam estar com outros para ficarem bem, e nós gostamos de estar só nós dois. Nós gostamos de compartilhar os momentos um com o outro”, explica Gentil.
Eles têm dois filhos: Fernanda e Fábio, com 34 e 30 anos de idade respectivamente, e dois netinhos que são sem dúvida a maior alegria do casal. “Ser avó é algo inexplicável. Você faz para os netos aquilo que a gente não pôde fazer para os filhos”, diz a avó da Maria Eduarda, a Duda, de cinco anos, e Matheus, de seis meses. Ambos filhos de Fernanda com o marido, Murilo Santiago.
Roseli e Gentil já passaram por dificuldades também. Ela teve crises sérias de depressão e pânico, e ele permaneceu a seu lado. Gentil enfrentou dificuldades com o alcoolismo e depois com um tumor nas cordas vocais, e ela esteve ali. Perderam dinheiro, bens, parentes, mas nada foi mais forte do que o amor que os uniu e o que os mantém unidos e apaixonados até hoje. “Eu nunca desisti dele. Tivemos que nos moldar. Até hoje eu não sei apertar a pasta de dentes sem ele”, brinca Roseli, que não segue o método espartano do marido no aproveitamento total da pasta de dentes.
Eles são assim, brincalhões, simpáticos, cativantes. “A gente se ama muito. São 36 anos juntos e não foram só alegrias, mas superamos tudo por causa do amor”, lembra Gentil, que não se vê na vida sem a Roseli.
Perguntados sobre a receita do casal de viverem juntos e felizes, apaixonados como dois namorados, Gentil avaliou: “O casal precisa ter uma sintonia. O ‘nós’ tem que ser mais forte que o ‘eu’. A verdade é que não tem fórmula, vivemos valores de família, aprendemos com nossos pais”.
Segundo Ludmilla Torres, da Sociedade Brasileira de Coaching, há algumas práticas principais que podem, sim, ajudar o casal a ser “namorado” para sempre, começando pela essência do casal. “É bom ter em mente o motivo pelo qual houve a atração. Manter o carinho, a preocupação, o cuidado com outro, a aparência, a surpresa, a relação sexual, o preparo para o encontro e o cuidado com o corpo são práticas caras aos namorados para sempre, orienta a especialista em relacionamentos.
Para Ludmilla, são as pequenas ações realizadas no dia a dia que fazem com que a expressão “viveram felizes para sempre”, dos famosos contos de fadas, faça parte da realidade do casal. A especialista também apontou um mapa com sete princípios que podem orientar casais novos e também aqueles há um tempo juntos, para que o amor seja vivido e praticado diariamente.
Princípios
1. Interesse-se pelos gostos do seu amado, os anseios, os valores, as virtudes, as esperanças e a visão de mundo.
2. Cultive o afeto e a admiração. É primordial a crença que seu amor é digno de respeito e admiração. Esse é o ponto principal para se motivarem e permanecerem juntos. Casais felizes dedicam cinco horas adicionais por semana ao cultivo desses sentimentos (cinco horas mágicas).
3. Volte-se para o outro. Fique atento às dicas do outro e tente atendê-las o mais rápido possível. Um exemplo é quando um dos dois comenta: “Faz tempo que não saímos para jantar.” Quanto mais você corresponder a essas dicas, mais afeto o casal acumula no cofrinho do amor.
4. Deixe-se influenciar, partilhe situações, divida decisões e negocie concessões com seu companheiro.
5. Resolva problemas que podem ser solucionados quanto antes. Se o casal não consegue administrar conflitos menores, como conseguirá administrar os maiores?
6. Saia da trincheira. Entenda e honre o sonho do outro – o que não é o mesmo que compartilhar. Ao honrar o sonho um do outro, o casal abre caminho para poder administrá-los de maneira que controle e repare os danos ao relacionamento.
7. Compartilhe significado. Este é um aspecto crucial para a saúde, a longevidade e a qualidade da relação. Quanto mais significado o casal compartilhar, mais enriquecedora será a relação. Uma dica é estreitar os laços da relação com práticas e hábitos do casal. Ir a um restaurante que tem um significado especial para ambos, passear de mãos dadas, celebrar datas específicas como aniversário de namoro, noivado, relembrar eventos marcantes como o dia que se conheceram, as situações divertidas vividas e “ouvir aquela nossa música”, “o nosso filme”, fazer as “nossas piadas”.
 




Fonte: FC ediçao 967 -JULHO 2016
Postado por: Família Cristã




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