Voltei pra você

Data de publicação: 09/09/2016


Muitos divorciados gostariam de uma segunda chance para retomar o casamento. Basta um pouco de reflexão, discernimento e perdão

                                  
Por: Irene Paz

Informações apuradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que o divórcio entrou na vida dos casais do País. Divulgados em 2015, os dados da pesquisa Estatísticas do Registro Civil de 2014 indicam que naquele ano foram homologados cerca de 341.100 divórcios, 162% a mais do que em 2004, quando foram registrados perto de 130.500 mil casos. O salto ganha proporções se considerados os pouco mais de 30 mil divórcios apurados em 1984, primeiro ano da investigação. É fácil entender por quê: divorciar-se ficou fácil. Desde a entrada em vigor da Lei 11.441, em 2007, se o casal não tiver filhos menores ou incapazes, pode divorciar-se consensualmente em qualquer cartório de registro civil e sem homologação judicial.
Pena que a frieza das estatísticas oficiais não inclua o sentimento dos casais, que, apesar de divorciados, se permitiriam uma segunda chance. Uma pesquisa publicada em 2011 pela Universidade de Minnesota, dos Estados Unidos, que ouviu 2.500 divorciados, dá conta de que um em cada dez indivíduos estava interessado em obter ajuda para uma reconciliação; em um de cada três casais, um dos ex-cônjuges queria que houvesse a reconciliação – o outro, não; em 45% dos casais, um ou os dois ex-cônjuges apresentavam esperança de reconciliação.

Fraquezas – Fazer o caminho de volta exige reflexão, discernimento e perdão. Além de ser necessário deixar o orgulho de lado e considerar se compensa perder um investimento emocional que consumiu anos de amor, persuasão, conquista, empenho e dedicação física e sentimental. “Muitos casais tendem a se separar, hoje, por qualquer razão e não têm paciência de reorientar as relações. Não julgo que estejam certos ou errados, mas que talvez devessem fazer uma reflexão maior ao invés de precipitar os acontecimentos. Vale a pena jogar fora um investimento emocional e sentimental empreendido durante anos ou tentar corrigir os erros de um relacionamento?”, questiona o psiquiatra Paulo Próspero, membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos (Ebep) e com mais de 40 anos de experiência clínica, inclusive com casais. A pergunta, claro, é mais retórica do que real porque todos sabem a resposta.
Para a enfermeira aposentada Maria José da Silva, 62 anos, e o motorista profissional Flodoaldo Rodrigues da Silva, 60 anos, foi preciso, nos anos 1980, um afastamento de seis meses, um desquite formalizado e muito sofrimento antes que ambos dessem conta de que o melhor seria reconhecer os erros e se reconciliarem. Hoje Flodoaldo admite que cedeu à fraqueza de se interessar por outra mulher com quem já havia namorado antes de conhecer Maria José. Esta, por sua vez, acredita que poderia ter sido uma esposa e uma mãe menos ausente, em função do trabalho em dois turnos e do esforço para cursar e se graduar em Enfermagem. Como se vê, nenhum erro tão extraordinário que, hoje em dia, em um mundo extremamente competitivo, alguém não possa cometer, e que, apesar disso, pode acarretar estragos às vezes irreparáveis.

Intimidades – Para os dois, felizmente, houve retorno. Enquanto corria o processo do desquite – na época, o divórcio ainda não existia no País – Maria José e Flodoaldo não deixaram de se ver em função dos dois filhos, então pequenos. “Quando eu saía para trabalhar todas as noites, no hospital, as crianças ligavam para o pai. Ele vinha em casa e ia embora todas as manhãs, antes de eu voltar. As crianças me culpavam pela separação e achavam que eu não queria o pai deles em casa”, recorda Maria José, que afirma nunca ter havido desrespeito e palavras pesadas mesmo durante os seis meses em que ela e Flodoaldo estiveram separados. “Nossa relação sempre foi civilizada. Quando o caso dele com outra mulher veio à tona não houve discussão. Ele quis sair de casa e pedir o desquite, e eu disse que nem era preciso se preocupar com isso, mas que apenas fosse viver a vida dele”, relembra.
“Foi um fogo de palha, logo nas primeiras semanas da separação vi que não ficaria muito tempo longe dela”, resume o marido. De fato, Flodoaldo jamais se desligou totalmente do lar. Ia buscar os filhos na escola, se oferecia a fazer compras do supermercado e até, como motorista profissional que é, a levar Maria José a seus compromissos. “Cheguei a me perguntar que tipo de relação era aquela. Era quase um relacionamento de irmãos, uma coisa que até hoje não sei explicar”, lembra a enfermeira. As dúvidas de Maria José desapareceram quando os dois retomaram a vida sexual e, de repente, se viram novamente como um casal. “Demos a nós uma chance de recomeçar. Para as crianças, foi uma festa”, afirma Flodoaldo. Em tempo: ele e Maria José se casaram em 1979 e se desquitaram em 1986. Na prática, portanto, vivem juntos há 30 anos. O que são um do outro? Companheiros, certamente, que se ajudam nos cuidados de uma vida em comum, que inclui cinco netos. “Meu sonho, agora, é me casar na Igreja”, diz ela. Vida de casal...




Fonte: FC ediçao 968 -Agosto 2016
Postado por: Família Cristã




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