Liturgia da Palavra

Data de publicação: 22/09/2016


Ano C – 25 de setembro de 2016  - 26º Domingo do Tempo Comum

 

Am 6,1a.4-7 – Acabou a festa dos boas-vidas.

Sl 145 (146) – O Senhor levanta quem caiu.

1Tm 6,11-16 – Combate o bom combate da fé.

Lc 16,19-31 – O pobre morreu e foi para junto de Deus.

 

" Os cães vinham lamber suas feridas" (Lc 16,21)


Reflexão: Cônego Celso Pedro da Silva
Arte: Sergio Riccuto Conte

O seguidor de Jesus vê o tempo presente à luz da eternidade. Vendo o fim, ele compreende o começo. Para ajudá-lo, Jesus lhe conta hoje a história de um rico, muito rico e esbanjador, e de um pobre. Um rico anônimo e um pobre chamado Lázaro. A história de Jesus é estranha desde o início. O discípulo que o segue conhece gente rica, senhores deste mundo com nome na praça. São fidalgos, filhos de algo e de alguém, com nome e sobrenome. E conhece também pobres, aos bandos, todos chamados Zé, Zé Qualquer ou Zé Ninguém.

 Aqui não. O rico não tem nome, e o pobre se chama Lázaro. É claro que o rico tem um nome conhecido no mundo, mas Lázaro é o nome que Deus dá ao pobre. O rico vivia muito bem, vestia-se ainda melhor e comia com fidalguia. Afinal, era filho de alguém com nome. O pobre tinha por casa o Norte e o Sul e por teto o belo céu azul. Cobria-se com suas feridas. Quem os via invejava o rico e, por vezes, apiedava-se do pobre. Até que um dia a roda da sorte foi acionada pela fatídica morte e houve uma reviravolta na história. Subitamente estava Lázaro a descansar no seio de Abraão, e o rico a arder no fogo do inferno.

Este é o fim e o epílogo, e a partir do fim o discípulo vê o começo e entende o meio. Quando já não havia remédio para os males que o afligiam, o rico pediu a Abraão o socorro do pobre Lázaro. Que molhasse o dedo e lhe refrescasse a língua com um pouco de água, que fosse advertir seus irmãos para que não lhes acontecesse o mesmo. “Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem”, respondeu Abraão. Eles têm também aquele sobre quem Moisés e os Profetas escreveram. Que o escutem!

Tão severa quanto esta história foi a pregação do profeta Amós, que mandou à frente de todos para o exílio, na primeira fila, o bando de Boas-Vidas do Reino do Norte, que não se preocupavam com a ruína de José. “José” era o nome que o profeta dava ao povo que vivia em situação de ruína, e dava-lhe esse nome porque naquelas terras estavam sepultados os ossos de José, que Moisés trouxera em procissão quando saiu do Egito. Viviam despreocupados, sem se ocuparem com a sorte do povo miúdo, dormiam bem e comiam melhor; perfumados, bebiam e cantavam. Por isso, lhes diz o profeta, vocês irão para o exílio na primeira fila, à frente de todos. Será o fim desse bando de gozadores!

Não se assuste o discípulo nem coloque todo mundo no inferno. Antes, faça com que Moisés, os Profetas e o Senhor Jesus sejam ouvidos. Não devem esperar que alguém dos mortos ressuscite e venha lhes falar. Podem ouvir a Palavra, dita em sinais sonoros e gestos proféticos. Para isso está a Igreja no mundo, para fazer ouvir a voz do Senhor. Não queremos que os ricos terminem no fogo do inferno. Ao contrário. Queremos que façam o que faltou ao rico da história de Lázaro. Faltou-lhe ver Lázaro. Faltou-lhe perceber que Lázaro existe. Faltou-lhe estabelecer um relacionamento de qualidade com o pobre, chame-se ele como quiser.

 São Paulo nos exorta a sermos homens e mulheres de Deus, a fugir das coisas perversas, a procurar a justiça, a combater o bom combate da fé e conquistar a vida eterna. Nós a queremos para nós e para todos. Lázaro sozinho não é percebido mesmo sentado à porta do rico. Alguém precisa se sentar com ele. Jesus o fará e será criticado, e na crítica Lázaro será visto.

 

Leituras e Salmos (26 de setembro a 1º de outubro)

2ªf.: Jó 1,6-22; Sl 16 (17); Lc 9,46-50.

3ªf.: Jó 3,1-3.11-17.20-23; Sl 87 (88); Lc 9,51-56.

4ªf.: Jó 9,1-12.14-16; Sl 87 (88); Lc 9,57-62.

5ªf.: Dn 7,9-10.13-14 ou Ap 12,7-12a; Sl 137 (138); Jo 1,47-51.

6ªf.: Jó 38,1.12-21; 40,3-5; Sl 138 (139); Lc 10,13-16.

Sáb.: Jó 42,1-3.5-6.12-16; Sl 118 (119); Lc 10,17-24.

 

 

 

 

 





Fonte: FC ediçao 968 -AGOSTO 2016
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

A presença nas redes
O isolamento social proporcionou maior interatividade no ambiente digital
Uma vida nova em Cristo
O Círio Pascal recorda que Cristo é a luz do mundo
Evangelização, sim!
Para Francisco, a evangelização não pode confundir-se com o clericalismo nem com o proselitismo.
O Anjo Bom do Brasil
Irmã Dulce,a religiosa que conquistou o coração do povo brasileiro será canonizada.
Mesa da Palavra
13º. Domingo do Tempo Comum - Ano C • 30 de junho de 2019 - Solenidade de São Pedro e São Paulo
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados