Ansiedade tem limite

Data de publicação: 22/09/2016


Medo de escuro, não saber esperar, “branco” na hora da prova: aprenda a identificar e ajudar seu filho a controlar a ansiedade


Por NathanXavier

Quem já não ficou sem dormir por causa de uma viagem? Quem não teve, ou tem, medo de algo, como viajar de avião, barata, semana de prova? Falando em semana de prova, o que dizer quando seu filho estudou tudo, direitinho, mas na hora começou a suar frio, tremer e não lembrar absolutamente nada? Esses são apenas alguns sintomas da ansiedade, comuns a todo ser humano e que, a priori, não resultam em maiores problemas. Mesmo assim, eles estão entre as principais causas de consultas médicas em todo o mundo, segundo três pesquisadores com estudos de caso nos Estados Unidos. Ainda segundo os estudiosos, os Distúrbios de Ansiedade afetam 13 em cada 100 crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos, sendo predominante nas meninas.
São muitos os acontecimentos que desencadeiam os sintomas de ansiedade, segundo Patrícia Santos de Souza Delfini, psicóloga e doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo. O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), a síndrome do pânico, fobias diversas, choro, irritabilidade, dificuldades de dormir, enfim, há uma gama de sintomas que pode caracterizar o que se chama de Distúrbios de Ansiedade. “Trata-se de um estado psíquico, que pode gerar sintomas físicos, estado de alerta, expectativa e antecipação relacionada a alguma ameaça ou evento futuro”, resume a profissional. Ela alerta que o medo gerado desse estado de expectativa tende a ser real ou imaginário: “A criança fica ansiosa porque tem um trabalho no dia seguinte ou vai mudar de escola e, no meio disso, pode começar a fantasiar, geralmente histórias pessimistas”. Mas os pais devem ficar tranquilos, pois na maior parte dos casos, é um processo natural do ser humano e pode até ser bom. “Essa ansiedade costuma ser tão grande que impede o estudo, mas, dentro de limites, ajuda a pessoa a se preparar para os perigos da vida”, pondera Patrícia.

Exagero – Então como saber se aquela ansiedade passou dos limites? “A mesma característica pode ser vista de formas diferentes dependendo da idade”. “É importante os pais perceberem se isso está melhorando ao longo do tempo ou não”, ensina a piscóloga. Ou seja, se seu filho tem medo de cachorro e este medo só piora por mais que você converse com ele, é um sinal de alerta. Outro exemplo comum é a chamada Ansiedade de Separação: quando os pais deixam os filhos na escola, é normal nas primeiras vezes a criança ficar chorosa. “Se uma criança de dois anos se separar dos pais é mais doído”. Ela ainda não tem plena noção de que os pais vão deixá-la na escola ou na casa de alguém e depois vão buscá-la. Diferente de uma criança de sete anos, que já deveria conseguir compreender isso melhor, ficando mais segura mesmo distante dos pais”, explica Patrícia. Ou seja, um mesmo sintoma, o medo de ficar na escola longe dos pais, pode ser normal numa idade, mas é motivo de atenção em outra. “Procurar ajuda especializada, um psicólogo, ou até mesmo o pediatra ou um direcionamento da escola pode ajudar ou dar uma ideia para saber se aquela manifestação é exagerada, porque às vezes os pais acham que está em excesso, mas pode ser normal e faz parte do desenvolvimento.” A psicóloga alerta que sentir medo de escuro, por exemplo, é normal, o que não pode é isso ser muito persistente e intenso, fazendo com que a criança não consiga viver normalmente. “Um pavor tão grande que não consegue sair de casa, ou não consegue dormir sozinha por mais que os pais acolham e escutem.”
Porém, dentro de condições normais, como ajudar a criança a enfrentar os medos e, consequentemente, controlar a ansiedade? O “tratamento de choque”, por exemplo, está fora de cogitação: “Você não vai ajudar a criança a enfrentar o medo do escuro trancando-a no quarto escuro por 20 minutos para ela perceber que nada acontece”. Também não se deve menosprezar o problema da criança nem compará-la com outros, bem como “Seu amigo mais novo entrou na piscina e você não”. Mentir para a criança também não é legal: “Se na família tem o caso de uma vó que está hospitalizada, por exemplo, precisa explicar para a criança e não esconder. Basta falar que a vovó está doente, que os médicos estão cuidando dela e usar os recursos que a família tem para lidar com a situação, então, se for religiosa, rezar para que a avó melhore”. Patrícia ensina que ansiedade tem a ver com insegurança. “Acompanhar a criança no seu medo, ajudando-a a enfrentá-lo na medida do suportável, pegando na mão, ficando junto, abraçando. Incentivar a criança indo junto e mostrando a ela como fazer. Se ela estiver com medo do escuro, procurar ficar um pouco com ela no quarto e deixar um abajur aceso; se é medo de entrar na piscina, entrar com ela e segurar no colo. E não pense que só uma vez resolve. Precisa ter paciência, pode demorar um mês inteiro até ela fazer sozinha, mas não desista e seja persistente. Os adultos precisam ajudá-la a entender o mundo que a cerca e repetir sempre que necessário”, orienta Patrícia. Para as crianças muito pequenas, mesmo com pouco idade, recomenda explicar como será o dia: “Fale que você vai deixá-la na escola, depois é o papai que vai buscar, que ela vai para casa, comer, brincar, tomar banho e depois dormir. Isso passa muita segurança para a criança”.

Prevenção – A psicóloga reconhece que é comum receber em seu consultório crianças com medos acima do normal e destaca três fatores para esse aumento da insegurança. “Tem um avanço científico no sentido de que hoje conseguimos detectar mais coisas.” Ressalta, porém, dois outros fatores que podem muito bem ser prevenidos: “Uma tendência na sociedade hoje é patologizar a vida cotidiana, e para você saber a medida entre um medo normal e um patológico é muito tênue. A depressão é um caso clássico disso. Às vezes a pessoa está triste com alguma coisa e, ao invés de ela enfrentar a situação, prefere tomar um remédio porque é mais fácil”. A outra causa é a vida agitada e imediatista que os adultos, e mais ainda as crianças, levam: “Está na fila do cinema e não para quieta, não para de falar, com a ansiedade para começar o filme. Isso tem a ver com o fato de a sociedade funcionar de um jeito tão acelerado e respondemos tão imediatamente aos desejos da criança que ela não aprende a esperar”. Se as crianças de dez anos atrás tinham que esperar para assistir ao seu desenho favorito na televisão, hoje tudo se desenvolve de um jeito mais rápido. “Com serviços sob demanda, como YouTube e Netflix, as crianças têm diversas formas de assistir ao que querem, ao seu episódio específico e na hora que quiser.” E cita os momentos de espera num consultório ou em viagens familiares como um exemplo do que não fazer: “Em vez de ensinarem a se distrair conversando, contando vaquinhas na estrada, os adultos sugerem logo um celular ou tablet com o filme que vai durar exatamente o tempo da viagem. Então a criança não aprende a esperar e os adultos não ensinam. Isso pode ser taxado de ansiedade patológica, mas não é. Isso é próprio de uma criança que não aprendeu a esperar”.




Fonte: FC ediçao 968 -AGOSTO 2016
Postado por: Família Cristã




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