Nasce o irmão e com ele ciúme

Data de publicação: 14/12/2016


Quando surge um novo bebê, os pais precisam saber multiplicar atenção, carinho e cuidados para que o mais velho não se sinta excluído e preterido


 Por: Karla Maria

A chegada de um irmãozinho pode causar nas crianças o medo de perder a atenção e até mesmo o amor dos pais. Por causa desses anseios, é muito comum que os filhos adotem atitudes regressivas, como voltar a usar fraldas, chupeta, chorar por qualquer motivo, pedir colo com mais frequência, o peito da mãe, e tornem-se agressivos com o novo integrante da família.

Como crianças pequenas não sabem demonstrar seus sentimentos de forma clara, elas usam esses comportamentos como sinal de que precisam de amparo e ajuda para elaborarem as transformações.

Tem sido assim com Maria Eduarda Bertani Bolanho, de 4 anos.. Ela tem um irmãozinho de 7 meses, o João Pedro. Desde que ele chegou, o carinho e a atenção que antes era exclusivamente dedicados à Maria passaram a ser divididos. “Apesar de ela falar que ama o irmãozinho, há momentos de agressão, de puxar o cabelo dele”, conta analista de sistemas Vanessa Estrada, mãe de Maria e João.

Vanessa conta mais. Recorda que, durante a gestação de João, a pequena Maria voltou a pedir mais colo e que, quando ele nasceu, passou a querer também mamar, até se rebelou e disse que sairia de casa. “Eu chorava muito, porque ele demandava mais cuidados e ela ficava cada vez mais agressiva”, diz a mãe, que em determinado momento se sentiu preterida pela filha.

Conscientização – “Maria Eduarda passou a ficar mais no colo do pai e pedia que ele não pegasse o João, ela era de certo modo manipuladora”, revela. Para a pedagoga e psicopedagoga Thaís Rufatto dos Santos, esse sentimento de ciúme entre irmãos é algo natural, uma vez que o irmão mais velho sente que está “perdendo” o pai, a mãe e demais familiares, além dos brinquedos. “Esse ciúme na verdade é uma insegurança, a criança se pergunta: será que a minha mãe me ama da mesma forma?”, explica a psicóloga infantil Daniella de Faria em um de seus vídeos na internet. Para Thaís, é importante que durante a gestação os pais informem ao filho mais velho sobre o nascimento do bebê. Essa conscientização deve ser feita através de diálogos tranquilos e naturais, explicando que nascerá um novo integrante da família e que ele precisará de atenção e carinho, inclusive do irmão ou irmã mais velha.“Os pais podem mostrar as imagens do ultrassom quando a mãe for ao médico. Essa criança pode entrar apenas para ouvir os batimentos cardíacos do bebê, antes de iniciar a consulta. É interessante também o irmão mais velho conversar com o bebê que está na barriga e se apresentar a este irmão, dizendo o nome dele, quem ele é, que o ama, que serão irmãos e muito amigos”, orienta Thaís.Outra forma de estreitar os laços entre as crianças, antes mesmo do parto, é na compra do enxoval do bebê. Especialistas apontam que é interessante convidarem os filhos mais velhos a participarem da escolha e organização das roupinhas do bebê que virá, bem como brinquedos e até na decoração do quarto que ambos poderão vir a dividir.

 Na casa de Maria Eduarda foi assim. Seus pais, Vanessa e Rodrigo Luiz, gerente comercial, pediram ajuda da filha para escolher a decoração do quarto que ambos dividiriam. “Sempre valorizei a presença dela em casa e, como eles dormem no mesmo quarto, ela (Maria Eduarda) escolheu a decoração. Falamos: filha, pense que seu irmão é um menininho e ele precisa gostar das cores, assim como você”, conta Vanessa.

Diálogo – Thaís destaca que, acima de tudo, o diálogo e a demonstração de carinho precisam ser as chaves para uma convivência harmoniosa com os filhos. “Os pais devem usar o diálogo para o filho mais velho não se sentir excluído. E valorizar este filho como um membro muito importante da família”, conclui a psicopedagoga.

Vanessa tem usado essa tática. Orientada por uma psicóloga, ela passou a destinar tempo exclusivo para Maria. Como trabalha meio período e chega por volta das 13h30 a casa, ela diariamente almoça com Maria e guarda esse tempo para conversarem. À tarde brincam. “Estou me desdobrando para dar atenção aos dois, mas sinto que depois das sessões (com a psicóloga) e com nossas tardes, ela está bem menos agressiva com o irmãozinho e comigo”, desabafa a mãe, que já se viu dividida entre dar o peito para João ou para Maria.

A psicóloga Daniella lembra que é importante também colocar a criança mais velha para dormir e não deixar que esses momentos de encontro e intimidade dos pais com o mais velho coincidam com os momentos de mamar. “A gente precisa garantir esses encontros e momentos cruciais ao irmão mais velho”, orienta.

Segundo Thaís o mais importante é deixar claro ao filho mais velho que nunca faltarão amor e cuidado a ele, que, com a chegada do bebê, o amor não é dividido e sim multiplicado. “O diálogo dos pais com o filho mais velho e o amor de ambos para com eles são a base principal para que o filho se sinta confortável, acolhido e amado pelos pais.” 

Dicas aos pais:

Devem dar ao filho mais velho a mesma atenção e o mesmo tempo dedicado às atividades, bem como lição de casa juntos ou até passeios com a mesma intensidade.
Podem presentear o mais velho por ter ganhado um irmão. A atitude da recompensa fará com que este filho se sinta importante na família.
Indicar a ele o quanto já progrediu e, através de fotos, mostrar que ele também já foi bebê do tamanho daquele irmão mais novo.

Pedir ao irmão mais velho que separe alguns brinquedos que não usa mais para doar ao irmão mais novo quando este crescer, avaliando, claro, se são apropriados caso o mais novo seja de sexo diferente.

Providenciar brinquedos que permitam à criança extrapolar a agressividade, assim como argila, massinha, folhas de papel e lápis de cor. Ou então um animal para este irmão cuidar e se distrair.

Devem orientar, quando ocorrer situação de xixi na cama, e dizer que esse comportamento não combina com ele. Diante disso, o pai ou a mãe pode levar a criança à frente do espelho e dizer que ele é o irmão mais velho, é muito bonito, inteligente, e que fazer xixi na cama não combina com uma criança com tais qualidades.






Fonte: FC ediçao 971-NOVEMBRO 2016
Postado por: Família Cristã




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