A crise e o pão de cada dia

Data de publicação: 20/12/2016


Queremos nossas necessidades atendidas, uma sociedade mais justa, direito à felicidade e à estabilidade; direito de livre organização e expressão

Por: Cleusa e Alvício Thewes

Eduardo, 55 anos – Criado no pequeno comércio de alimentos da família, começou a trabalhar ainda adolescente e sucedeu aos pais. Por 35 anos tirou o sustento da família do seu mercadinho. Durante esse tempo, o Brasil passou por diversas crises. Eduardo viu seu comércio encolher, porém resistiu a todas as crises. Mas a abertura econômica do Brasil, que trouxe no seu bojo as redes de supermercados e hipermercados dos grandes grupos econômicos internacionais, foi o golpe fatal que Eduardo e tantas outras pequenas empresas familiares não esperavam. Eduardo viu seu mercadinho encolher ano após ano, até não lhe restar alternativa senão fechar. Estava falido e com problemas para resolver: Como sustentar sua família. Nunca trabalhara de empregado. Não sabia como e onde arranjar um emprego. Talvez nem se adaptasse mais, aos 55 anos. Queria algo que não o prendesse. Até que um amigo lhe sugeriu o mercado imobiliário.  Ele examinou com cuidado a profissão de corretor de imóveis e resolveu investir na sua nova escolha profissional. Fez o curso de Corretor de Imóveis e começou a trabalhar numa imobiliária local, sem vínculo empregatício. Nos primeiros quatro meses, não vendeu nada. A primeira comissão só veio depois do sexto mês. Só então a insegurança que se apoderara dele, quando começou a faltar pão no café das crianças, abandonou-o. Renovado nas esperanças e já mais adaptado à nova profissão, Eduardo voltou a sorrir. O pior já passara, e ele se dava por reciclado. A esposa e os filhos, que o culpavam pela falência do comércio, agora se orgulham dele.  Com o pão de cada dia salvo, a paz voltou ao lar.


Marina, 45 anos –
Graduada em administração de empresas, Marina trabalhou durante vários anos numa conceituada empresa de comunicação. Ali adquiriu experiência em Publicidade e Marketing. Aos 40 anos, foi demitida. Saiu em busca de trabalho. A indenização seria suficiente para os gastos de poucos meses. Enviou currículos a várias empresas, participou de inúmeros processos seletivos. Tudo em vão. Resolveu, então, usar suas habilidades em Marketing em seu próprio negócio. Abriu uma microempresa de publicidade e saiu a oferecer seus serviços.  O esposo e os filhos lhe deram apoio. Seu alvo eram as pequenas empresas comerciais e prestadoras de serviços, como a dela própria.  Surpreendeu-se com a receptividade. Convenceu as pequenas empresas a investirem na divulgação de seus serviços e produtos. 

Famílias sem dinheiro – A crise atual é arrasadora. O desemprego cresce assustadoramente. Pais e mães desesperados. O dinheiro sumiu. Os preços dos alimentos, ali no supermercado da esquina, não param de subir. Na economia de mercado como a nossa, não há dó nem piedade. É um salve-se quem puder.
Quem de nós não conhece famílias desempregadas, desesperadas e estressadas? Todas buscam uma saída para suas dificuldades econômicas e financeiras. O desemprego gerou uma epidemia financeira nos lares atingidos. Pais e mães desempregados não conseguem mais atender às necessidades básicas de suas famílias. Diz Jurema: “Faz um ano que participo de entrevistas de emprego e nada surge. Meu dinheiro acabou. O que vou comer? Como vou pagar a prestação da minha casinha?”.
Na casa de Selma, sua netinha de 3 meses está bebendo leite do tipo longa vida, contraindicado para sua idade. A gordura tomou conta de seu corpinho. A família não tem dinheiro para comprar o leito específico de bebê. Foi difícil segurar o choro diante desse corpinho gordo e desproporcional para a idade. A vovó explicou a situação da família. Cada lata do leite indicado pelo pediatra custa em torno de 50 reais.  Por fim, diz: “Como viu, minha netinha está obesa por ter que beber o leite errado”.

Crises e alternativas –
Toda crise gera sofrimento e, ao mesmo tempo, força uma mudança de vida. Nas crises, surgem saídas e alternativas.  O abalo econômico de um país é sentido mais profundamente nos lares, na economia doméstica.  Quando começam a faltar os gêneros de primeira necessidade, como pão, leite, arroz, feijão, carne, os pais desempregados se desesperam e partem em busca de alternativas. Aqueles que não encontram colocações no mercado formal dão um jeito de ganhar a vida. As pesquisas revelam que muitos ingressam no mercado informal, outros se tornam autônomos, outros se tornam pequenos empreendedores. Nessa hora, o que conta é ganhar algum dinheiro, o suficiente para viabilizar a vida e o sustento familiar. Eduardo e Marina são exemplos. O primeiro se tornou corretor de imóveis. Sonhava vender imóveis de alto padrão. Mas a realidade do setor imobiliário o levou aos empreendimentos populares. A segunda criou seu próprio negócio, uma empresa de assessoria em Marketing. Vendeu uma ideia. “A publicidade é a alma do negócio.” E deu certo.
Um caso atendido no consultório chamou atenção pela sua singularidade. Há 15 anos, Vera, técnica em enfermagem, pediu exoneração do cargo para abrir uma loja de doces. Este ano a crise se aprofundou e fechou as portas da sua loja de doce. Vera não teve dúvidas, retornou à antiga profissão.
A conjuntura econômica desfavorável provoca situações anormais. Mas é também um momento de surgimento, ou revelação de dons. A meta é não desistir nunca.
De outro lado, o povo brasileiro está aprendendo a valorizar o seu dinheiro. Faz pesquisas de preços, troca de marcas, substitui o supérfluo pelo necessário, procura ofertas, economiza na luz, na água, no telefone, no uso do carro... Com isso não queremos dizer que a penúria e a crise econômica são etapas fáceis de superar e boas para aprender, mas, tão somente, que trazem aprendizados, ainda que forçados.  No caso da crise nacional, ocorre também uma conscientização, anticorrupção e uma avaliação das condutas e valores éticos dos políticos. Queremos nossas necessidades atendidas, uma sociedade mais justa, direito à felicidade e à estabilidade; direito de livre organização e expressão.

Fé da família – Quando um ser humano é reduzido a um estado de miséria tal que não tem mais nada a perder, ele é golpeado na dignidade, e tudo lhe parece perdido. Como manter a fé, quando o obstáculo a ser vencido é a própria dignidade perdida? O pai de família, cujo filho se jogava ao chão implorando um pedaço de pão e um pouco de leite, sabe muito bem o que é isso. É um momento crucial na vida da criatura. Como explicar à criança que nós somos a imagem e semelhança de Deus? Como ressuscitar a fé naquele que a perdeu e agora se declara ateu? A resposta é uma só: Jesus. Ele cura as aflições, ressuscita não apenas a dignidade, mas a própria vida. Nunca devemos pregar a nossa palavra, mas sempre a de Deus.
Querida família leitora, como está a sua fé? E como está o reconhecimento de suas potencialidades? Precisa de ajuda para superar uma crise financeira, conjugal, ou existencial? Não hesite. Largue tudo nos braços de Cristo. Mas faça-se um favor. Não espere só por Ele. Corra atrás. Enfrente seus problemas. Lute. A luta demonstra fé. Com certeza conseguirá o que quer. E não se esqueça: fé e dons são ferramentas que impulsionam e viabilizam superações, encorajam conquistas e conduzem à tranquilidade.

                            




Fonte: FC ediçao 971-NOVEMBRO 2016
Postado por: Família Cristã




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