O "preço" de um bebê

Data de publicação: 30/12/2016

 
        

Um casal pode gastar cerca de 5 mil reais no primeiro ano do bebê.
Mas surgem alternativas para driblar a crise e refletir sobre o que é essencial para acolher o bebê que vai chegar


Por:
Karla Maria

Quando o resultado do teste de gravidez dá positivo, não é só o corpo da mulher que muda. Com a chegada do primeiro filho na vida de um casal muita coisa precisa ser ajustada para que o bebê chegue e viva em um lar harmônico e, entre todas as situações que precisam ser ajustadas, uma delas é a financeira.
Que a maternidade virou um grande e rentável negócio não é segredo para ninguém, afinal há uma demanda de cerca de 3 milhões de bebês por ano no Brasil. São cinco bebês a cada minuto e, para eles, mães e pais. Há uma imensa lista de produtos e serviços, como uma superbabá eletrônica, carrinhos de passeio ultramodernos, sem contar a quantidade de facilitadores para a hora da amamentação.

Itens mais comuns como chupetas e mamadeiras também chamam a atenção pela variedade de modelos e tamanhos, além dos babadores, cremes antiestrias, loções para os bebês, macacõezinhos, lençóis e tantos outros.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para cada bebê que nasce, uma família de classe média desembolsa cerca de 5 mil reais na aquisição do enxoval que irá acompanhá-lo no primeiro ano de vida. “Quando descobri que estava grávida, passei a pesquisar e ver o que precisava comprar. Na internet, existem muitas listas, mas o ideal é se basear pelo que o hospital e maternidade requisita”, conta Tânia Cristina Rodrigues Ermida, 33 anos, mãe da pequena Tâmara Cristina Rodrigues Ermida, de apenas 3 meses.
Tânia conta que ficou empolgada ao comprar o enxoval do bebê, especialmente quando soube que era menina. “Tive vontade de comprar as coisas logo, mesmo sabendo que ainda tinha mais cinco meses pela frente, mas resolvi reformar a casa primeiro, projeto que estávamos querendo fazer já havia alguns anos”, conta a mamãe de primeira viagem.
Casada com Rogério Costa Arraes Ermida, 41 anos, há dez anos, ela conta que o marido costuma controlar mais as compras. “Eu tento ser uma mamãe consciente, mas às vezes me permito ser uma mamãe consumista, não dá para resistir. O Rogério é um papai consciente, me põe no freio, mas é participativo, dá muito amor, e faz ela dormir para que eu possa descansar”, revela.
O parto de Tâmara foi cesariana. “Foi uma cirurgia tranquila, tive a sorte de ter um excelente médico, uma equipe muito carinhosa e um tratamento maravilhoso, é um momento de muito amor envolvido. Tive algumas dificuldades com relação à amamentação, mas nada como a perseverança de que iria conseguir fazer com que ela fosse alimentada pelo meu leite”, revela. E não só conseguir amamentar sua filha como também doar seu leite para o banco de leite da cidade onde o casal mora: Guarulhos, na Grande São Paulo.
O casal também contou com a ajuda dos amigos para compor o enxoval de Tâmara, já que fizeram o tradicional chá de bebê. Na ocasião, amigos e familiares presentearam com fraldas, roupinhas e utensílios que ajudariam os pais a cuidar da filha. “Resolvi comprar o restante do enxoval dela após o evento, pois poderia ter alguns presentinhos, e assim o cantinho dela foi criando vida.” E teve.

Depois que Tâmara nasceu, mais presentes chegaram. “Ela ganhou muitas roupinhas e sempre nos tamanhos maiores, o que nos fez de certa forma economizar”, avalia. Para Tânia, esse mercado é muito atraente, e os preços são bem elevados, mas adianta que há alternativas.
“Os preços, principalmente de roupas, são altos, mas existem muitas opções. Hoje em dia temos algumas feiras de venda de roupinhas e acessórios, que se encontram variedades na média 30% mais baratas do que comprando na loja”, aconselha.
Esta é a tendência: buscar alternativas, já que em tempos de crise não é todo casal que pode desembolsar cerca de 5 mil reais no primeiro ano de vida do bebê, e, pensando nisso, mães se organizaram na internet e montaram grupos de trocas de roupas e brinquedos usados, mas em bom estado. Além de economizarem, os casais também contribuem com o planeta diminuindo o consumo.
Outra questão a ser levantada e conversada entre o casal é se de fato são necessários todos os objetos que as listas prontas que salpicam pela internet sugerem. A fotógrafa Renata Penna, atriz, ativista e redatora do blog Eu, Mamífera, mãe de três crianças, faz uma avaliação interessante da própria experiência e que talvez sirva de reflexão para nossos leitores, pais e mães de primeira viagem:
“Aprendi que para ser mãe é preciso pouco (embora seja muito): amamentação saudável, um colo aconchegante, tempo disponível, disposição para encarar os desafios e amor, muito amor no coração. Todo o resto é dispensável. Alguns poucos artefatos, é bem verdade, facilitam muito, mas caso faltem, mãe e bebê sobreviverão, e muito bem, obrigada”.




Fonte: FC ediçao 972-DEZEMBRO 2016
Postado por: Família Cristã




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