Unidade na fragilidade

Data de publicação: 06/02/2017



O filho dependente químico necessita de segurança familiar para sair das drogas, aos pais sugere-se frequentar algum grupo de apoio terapêutico
para se fortalecerem e lidarem com a situação de vulnerabilidade emocional resultante da drogadição


Por: Cleusa Thewes
Ilustração: Ricardo Corrêa

A vida no limite
Os pais de Manuela estão chocados e em profundo sofrimento. Descobriram há pouco tempo que a filha fuma maconha. Devido ao uso prolongado da droga, Manuela perdeu a vaidade, não cuidando mais da aparência.  Seus cabelos, unhas, roupas, tênis, extremamente descuidados, têm aparência horrível. Seu quarto está sempre bagunçado e malcheiroso.
Manuela mostra-se desatenta. Esquece papelotes de maconha pelos cômodos da casa; perde  documentos pessoais, chaves, celular,  sabe-se lá onde... Escapa furtivamente de compromissos familiares; não cumpre compromissos profissionais previamente acordados; escuta música em elevado volume, desrespeitando familiares e vizinhos.  Manuela não persevera nos empregos e deixa inacabados os cursos iniciados. Por efeito da maconha, ela tem baixa imunidade, contrai frequentes gripes com rouquidão, come doces em exagero, e ainda se identifica zen, feliz e de bem com a vida.

Presente, mas distante
Reside com os pais. Na adolescência, fumou cigarro. Aos 21 anos passou a fumar, também a maconha, eventualmente. Aos 26, largou o cigarro e passou à maconha, fumando-a diariamente. Os pais o percebem inquieto, irritado, esquecido. O pai comenta: “Parece que Paulo nunca está aqui, tem os pensamentos longe, os olhos vermelhos, o corpo fraco e sonolento”.
Paulo não conclui nada que inicia. Abandonou a faculdade. Ora trabalha, ora está desempregado.  Há três semanas, a família descobriu que Paulo migrou da maconha para a cocaína. Os pais lhe ofereceram ajuda, mas ele recusou, justificando que está feliz.

Dependência e trampolim
A maconha é a planta chamada Cannabis sativa. É formada de várias substâncias, sendo que algumas têm efeito sobre o cérebro, e outras não. Há toda uma linguagem própria entre os dependentes. O cigarro de maconha tem várias denominações: baseado, fininho, charão, entre outros.
A maconha, como todas as outras drogas, gera dependência psicológica. O dependente a usa para aliviar angústia e ansiedade. Isso lhe diminui o sofrimento diante dos conflitos e frustrações. Ele procura na droga a frágil muleta, ou bengala, para continuar carregando seus problemas, em vez de solucioná-los. A droga alivia o sintoma, mas não o elimina. A maconha não potencializa para a resolução e tomada de decisões. Ela conduz à idealização de um cenário interior de tranquilidade e amor e isso enfraquece a autoestima e gera falsas expectativas. Os usuários da maconha, espelhados em Bob Marley, denominam-se pacíficos, pessoas do bem, e até o são, pois, ingerido a droga, acham-se em estado zen. Porém, passado o efeito da droga, esse estado desaparece, e eles necessitam de mais drogas. Por isso dizemos que o estado zen deles é falso. Ele nada mais é do que a perda da força e da vontade de enfrentamento. É uma fuga à realidade.
Dependentes de drogas mais severas revelam que iniciaram fumando baseado de maconha. A intensidade, a frequência e a tolerância do consumo, com o tempo, não aliviam os sintomas e as necessidades doentias do dependente, levando-o a migrar para drogas mais severas. Como se vê, maconha apenas serve de trampolim para as drogas mais potentes e destruidoras, como o crack (a pedra), a cocaína e outras. 

Sintomas e consequências
Os sintomas da maconha variam conforme a quantidade fumada. Ora há manifestações de euforia (uso grupal), ora de sonolência e apatia (uso individual). Os fumantes da maconha apresentam dificuldades na execução de tarefas múltiplas, têm cansaço, aceleramento da pulsação, redução da pressão arterial, tontura e fraqueza. A maconha leva a esquecimentos, desorganiza a mente e faz perder a noção do tempo e do espaço. Às vezes, ocorrem até alucinações. A boca fica seca e aumenta o desejo de comer doces. O dependente da maconha tem baixa imunidade e olhos avermelhados. Pode ter asma, rouquidão e problemas respiratórios, com sintomas similares aos fumantes de cigarro. Percebe-se que o usuário contumaz apresenta oscilações de humor, tem inconstância nas tarefas e projetos de vida, mostrando-se, na maioria dos casos, negligente e irresponsável.

Pais sofridos
Sugere-se aos pais de filho dependente químico que frequentem algum grupo de apoio terapêutico. Isto os fortalecerá e os habilitará para lidarem melhor com a situação de vulnerabilidade emocional resultante da drogadição do filho.
O filho dependente da droga sempre mostra resistência ao tratamento, fazendo os pais sentirem-se impotentes, o que lhes aumenta o sofrimento.          
 Pais, mantenham-se unidos e presentes na vida do filho. Ele necessita da segurança familiar para sair da droga. Sem essa segurança, o fornecedor da droga o adotará. E isso poderá ser o fim dele.
Nos momentos de fraqueza, inspirem-se nas atitudes do Pai do filho pródigo.
Ampare-nos, ó Mãe.  Amém!




Fonte: 937 - FC Janeiro 2014
Postado por: Família Cristã




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