Dar conta da vida

Data de publicação: 13/02/2017


Limites físicos e dores na alma não impedem que mulheres assumam com garra e serenidade os desafios que surgem diante do viver



Por: Cleusa e Alvício Thewes
Imagem:  VisualHunt

A mão
 Sheila, mulher bondosa e meiga, perdeu acidentalmente a mão direita. Desesperou-se e deprimiu. Mas, quando se resignou, entendeu que poderia usar os pés como asas e os olhos como luz. Então levantou. Forças internas habilitaram-na a virar-se com uma mão e dois braços. Com a mão que lhe resta, dá conta da vida. Dirigindo seu próprio carro, leciona e cria as duas filhas.

O seio
Luana, mulher linda e inteligente, educadora, esposa e mãe. Perdeu a mama esquerda em decorrência de um câncer. Sem um seio, perdeu a estética. A doença trouxe dor, apagou seu sorriso e tornou tristonho seu rosto e seu olhar. A quimioterapia acabou com seus cabelos longos e loiros. Apesar do sofrimento e do medo do câncer retornar e ela morrer jovem, vive crendo na ajuda divina.

Os olhos
Ana é esposa, mãe e profissional. Mas não apenas isso. É também mulher determinada, de personalidade forte e independente. Mas a vida lhe deu um golpe. Ela perdeu parcialmente a visão. Num olho lhe restam 35% de visão e, no outro, apenas dez. Recolhida na sua noite escura, por algum tempo não enxergou os olhos do esposo, o rostinho dos filhos, os amigos na rua, os buracos nas calçadas... Dirigir, jamais! Adormecia e amanhecia refém da dependência. Quando todos dormiam, Ana refugiava-se, amargurada, no seio de Deus, implorando pela visão divina. Depois de algum tempo, a visão divina a socorreu, “Ana, para olhares para dentro de ti mesma, não precisas dos olhos da carne.” Com essa mensagem:  Hoje seus olhos da carne continuam atrofiados, mas ela enxerga o suficiente para dar conta da vida e conduzir pessoas à viagem do coração.

A vida é mais
Há muitas mulheres dando conta da vida nas diversas situações de perda. No anonimato de suas histórias doloridas, elas protagonizam a superação e o milagre na vida.
O que é dar conta da vida? É adequar-se aos desafios, sem vitimismo e autocompaixão. Dar conta da vida é entender as próprias limitações e desencaracolar-se do âmago da tristeza, abdicando do toco da queixa, focando o olhar na acessibilidade existente e seguindo confiante na semelhança com o Criador. Dar conta da vida é rolar a lágrima doída na cumplicidade do sorriso iluminado. Dar conta da vida é fecundar o limite na ilimitada capacidade do céu. Dar conta da vida é acolher-se com humildade. Ganhando com as perdas.
Na dialética da vida, há perdas e ganhos. Toda perda pressupõe um ganho preexistente, e cada ganho pressupõe uma carência. As mulheres acima aprenderam a equacionar ganhos e perdas. Sheila, na suavidade dos gestos, transformou uma mão em duas. E transformou um braço sem mão em um braço que abraça; uma mão ausente, num coração presente, o qual, sem mão, dá bastante amor.
Luana, no desapego à vaidade, transformou o seio perdido em afeto oferecido; e o sorriso e o olhar, em seios fecundos de sentido. Atualmente, compreende e vive a fala terapêutica de Jesus: “Ame seu próximo como a si mesmo”.
Já em Ana ocorreu uma metamorfose. Olhos sem vida voltaram a enxergar, como verdadeiros olhos da alma. Hoje ela enxerga o que precisa enxergar, na sua vida e na dos irmãos, auxiliando-os a superar a cegueira de suas vidas. Ana encontrou em Santo Agostinho uma busca pessoal: “Nosso propósito nesta vida é recuperar os olhos do coração, através do qual se pode ver a Deus”.
As doces mulheres aqui citadas e tantas outras que superaram os limites físicos dobraram silenciosamente os joelhos diante de Deus, permitindo que Ele as conduza. Elas fizeram uma oferta de suas feridas sagradas, perdas e ganhos e a entregaram ao Pai. E Ele as amparou. Elas não tiveram medo de andar sobre as águas. Hoje elas testemunham que a vida pode ser bela, apesar das limitações físicas. Elas seguem determinadas a aprender, a vencer, dando conta da vida e ganhando com as perdas. Mãe, eis-nos aqui. Amém!


* Cleusa e Alvício Thewes são casados há 28 anos e têm dois filhos. Ela é terapeuta familiar e especialista em Orientação Familiar. Ele, advogado e especialista em Família.




Fonte: 940 - FC março 2014
Postado por: Família Cristã




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