Já posso namorar

Data de publicação: 13/02/2017


Cada vez mais cedo as crianças se interessam pelas questões do coração. Afinal, existe um momento certo para começar a namorar?



Por: Silvia Torreglosa
Imagem: VisualHunt

Ainda no ensino infantil é possível ouvir das crianças quem são os casais da sala, na escola, mas, muitas vezes, para elas, reservar um lugar à mesa na hora do lanche já é namorar, emprestar um lápis de cor, mandar um bilhetinho, atitudes bem diferentes do namoro adolescente ou adulto. As meninas suspiram pelos meninos, já eles acham tudo bem estranho e muito pouco provável. Com pouca idade, as meninas já têm diários onde anotam seus segredos, muitos deles confidenciados em suas “panelinhas” de amigas. A questão é saber qual o limite desses relacionamentos e como os pais devem agir com os questionamentos que possam surgir quando o coração falar mais alto.
A psicóloga e psicopedagoga Maria Bernadete Giometti Portásio disse que a criança a partir do início da vida escolar começa a se ambientar em um novo ciclo social. “Nesse contexto, as relações de amizade vão se estabelecendo, e as afinidades tornam-se presentes, a socialização, o companheirismo e o vínculo com o outro afloram novos sentimentos.”
O “namoro” infantil, segundo ela, pode se resumir a trocas de olhares, interações nas redes sociais, telefonemas, essas atitudes demonstram que já estão alfabetizadas e têm acesso à tecnologia. “Enfim, elas desfrutam desses recursos para demonstrar seus sentimentos.”
E este “outro” pode ser entendido e sentido pela criança como uma nova conquista e é aí que, ao invés dos pequenos, os adultos antecipam o questionamento: “Já tem namoradinho?” ou “Estão namorando?”. “Não é que a criança esteja apaixonada nessa fase entre 2 e 9 anos, apenas elas passam a conviver com outras pessoas, e os laços de amizade estão se fortalecendo”, orienta Maria Bernadete.

Qual é o momento certo? – O início da puberdade traz esses sentimentos à tona e aí, sim, os pré-adolescentes vão se apaixonar. “Idade certa cronologicamente falando não existe, depende também da maturidade emocional de cada ser”, o primeiro amor traz a satisfação do contato com o “outro”, é o momento de trocar experiências e compartilhar emoções.
“É importante frisar que os jovens que se despertam para a paixão têm estrutura emocional diferente dos das relações de amor que estão acostumados, aquelas vivenciadas pelos laços familiares”, explica a psicopedagoga.
Os pais, nessa fase, podem ficar inseguros para orientar seus filhos, mas é preciso evitar que o assunto crie desconforto no relacionamento familiar, por isso, o ideal é estabelecer um diálogo franco e respeitar o momento de cada acontecimento na vida deste indivíduo que vem experimentando tantos sentimentos novos e complexos.
A professora Carmen Fontes é casada há 17 anos e tem duas filhas, Bruna, com 16 anos, e Luiza, com 6. Idades bem diferentes, com questionamentos diversos. Bruna, aos 14 anos, disse à mãe, pela primeira vez, que estava meio afim de um amigo da escola. Hoje diz à mãe que não quer namorar. “Eu acho que ela deveria namorar a fim de entender o jogo amoroso, conhecer melhor o pensamento masculino, digo isso a ela, mas não está interessada, acho que quando crescer mais vai mudar de ideia”, relata.
Mesmo com uma irmã com bem mais idade, Luiza não se interessa por esses assuntos. “Ela é muito criança ainda, é preciso ter maturidade para assumir um relacionamento e todas as questões que podem advir dele”, diz Carmen, confessando que, aos 11 anos, teve um “namorico” escondido, mas agora conversa francamente com as filhas para estabelecer sempre um diálogo.

É namoro mesmo, e agora? – Cabe aos pais e responsáveis administrarem o novo relacionamento amoroso no que tange à organização e desempenho escolar do adolescente. “É importante perceber o grau de maturidade do(a) filho(a) para avaliar quanto esse primeiro amor possa contribuir nas relações com os colegas, se as relações são positivas e saudáveis e se têm condições para lidar com situações conflitantes que possam aparecer durante o namoro”, orienta Maria Bernadete. Por isso, é importante que os pais mantenham o diálogo em família para perceber qualquer sinal de um relacionamento nocivo, que envolve ciúmes e sentimento de posse. “O conto de fadas se torna um pesadelo após atitudes que machucam.”
A psicopedagoga diz que cada família tem uma forma de lidar com cada teor de questionamento, e o importante é respeitar a idade e a curiosidade. “É preciso favorecer respostas que seu filho tenha capacidade de entender, não deixe transparecer que foi uma situação constrangedora”, ou seja, explicar, dialogar e perceber que as respostas foram satisfatórias para aquele momento e assunto é o ideal, o bom-senso deve prevalecer sempre.




Fonte: 940 - FC março 2014
Postado por: Família Cristã




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