Ceder ou não ceder?

Data de publicação: 01/03/2017

Por Maria Helena Brito Izzo

Você quer ter razão ou quer viver em paz?
Muitas vezes é preciso escolher entre uma e outra coisa 




Uma questão clássica e que, volta e meia, sempre se discute quando se vive a dois é até que ponto podemos ceder para satisfazer o companheiro ou companheira. Como para toda pergunta que nunca sai de moda há quase sempre uma resposta na ponta da língua, eu geralmente devolvo a dúvida com outra pergunta: “Você quer ter razão ou quer viver em paz?”. Se você pensar racionalmente, não é obrigado a ceder em nada. Ninguém, nesta vida, é obrigado a ceder coisa alguma. Só que aí aguente o barulho. Mas, se você quer viver em paz e evitar discussões, que mal há em, de vez em quando, ceder aqui ou ali, mesmo que você tenha um caminhão de razões, todas justas, para não o fazer? De forma objetiva, para quem ainda não descobriu, a vida a dois tem dessas coisas. Algumas vezes, podemos concordar em fazer algo que vá contra nossa vontade – desde que não fira nossa dignidade –, apenas para mantermos a paz e a boa convivência. É o que muitas pessoas chamam de tolerância, paciência, resignação e que, no fundo, explica por que alguns relacionamentos duram anos a fio e só terminam com a morte de uma das partes. E outros não resistem às primeiras chuvas de verão.
Não, eu não me acho pessimista, mas já suficientemente vivida – só não me pergunte quanto, por gentileza – para saber que, às vezes, pode ser melhor ter nas mãos um razoável acordo do que uma ótima demanda. Porque entendo, de forma realista, que a gente não ama uma determinada pessoa apenas por causa de suas virtudes, mas também apesar de seus defeitos. Amor verdadeiro e humano é assim: um equilíbrio entre o por causa de e o apesar de. Se o saldo for favorável para o primeiro, que felicidade... Se pesar a favor do segundo, que lástima... Um bom relacionamento a dois requer sinceridade, compreensão, amizade, cumplicidade e, principalmente, desprendimento. Não a ponto de exigir que abramos mão de nossos direitos e de nossa dignidade para favorecer a outra parte, mas de termos consciência de que,quando dividimos a vida com outra pessoa, algumas vezes é preciso abdicar da nossa vontade própria em nome de uma harmonia conjunta.

Reciprocidade – O erro em ceder de forma desmedida pode estar no medo que a pessoa tem de ficar sozinha ou sozinho. Não vale a pena ter esse receio. Afinal, todos nós, um dia, mais cedo ou mais tarde, acabaremos sós. Em um relacionamento maduro, cada um deve respeitar a individualidade do outro e não dizer amém a tudo. Se isso acontecer, o relacionamento vira uma espécie de escravidão, um comércio de sentimentos onde um se vendeu ao outro. Devemos ceder, quando for o caso, não por medo, birra, capricho, chantagem ou implicância, mas por amor! Não existe uma receita pronta para todos os relacionamentos, mas uma forma de preservar o amor e viver em paz é estabelecer um limite de até que ponto a pessoa pode ceder e a outra parte pode esperar que aquela ceda. Afinal, tudo nesta vida precisa ter uma medida justa, que pode muito bem ser compreendida como generosa, não mesquinha ou egoísta. Quando estamos dispostos a viver a vida inteira com outra pessoa, o mínimo que podemos esperar é que ela não queira de nós algo além do que podemos dar. E, por outro lado, não exijamos dela nada a mais do que nós mesmos podemos oferecer. E, assim, sigamos em paz...




Fonte: FC edição 942 - Junho 2014
Postado por: Família Cristã




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