Arte e travessuras

Data de publicação: 08/03/2017

Por Cleusa Thewes


A era digital chegou com presença, ocupa seu espaço, distrai e aproxima a família, mas é preciso intercalar a fala virtual,
diversificar os brinquedos, e, sobretudo, não esquecer de estimular o olhar, o sentir o abraço


Eduardo e Renata
Pais de Bela, 10 anos e Ray, 8. Eduardo trabalha com manutenção de máquinas. Cumpre jornada exaustiva. Renata é professora. A profissão a absorve muito. Quando está em casa, planeja aulas, corrige provas e trabalhos. O casal aproveita brechas de tempo para conviver com os filhos. Após a acelerada rotina do ano, a família merece férias. Combinam acampar, percorrer trilhas, jogar bola. Irão também ao interior, saborear os bolinhos de chuva da vovó e pescar com o vovô.

Melissa

Mãe de Jonas, 13 anos, e Gui, 8. Depois do divórcio, ela trabalha muito para prover a família. Diariamente, bem cedo, toma o café da manhã com os filhos, deixa-os na escola e volta a vê-los à noite. Mas o ano terminou e Melissa entra em férias. Ela diz: “Meus amores e meus parceiros, a estrada nos espera... Ficaremos 30 dias na praia. Vamos comer os peixes que nós mesmos pescarmos, voar com a pipa, pôr os pés para pedalar, banhar o corpo na chuva e no mar”.

Família, sempre família
Recentemente, circularam no Facebook duas imagens familiares. Na primeira, uma família com idosos, adultos, jovens e crianças, sentados ao redor da mesa. Na segunda, o retrato da família atual. Um casal, dois jovens e uma criança, sentados horizontalmente, cada qual com um brinquedo digital na mão: celular ou tablet. A família contextualizada, dotada de flexibilidade e sabedoria, adapta-se às novas tecnologias sem se descuidar do afeto e do cuidado.
Os avós de hoje, pais na década dos anos 60, certamente lembram o que ocorreu nos lares quando a televisão chegou ao Brasil: a família na sala, calada, olhando novelas, filmes, noticiários... A inovação provocou mudanças e desafios. Diante do novo brinquedo, a reação foi de deslumbramento, mas também de resistência, preocupação, medo.
A adaptação levou tempo e trouxe de carona o distanciamento familiar. Pais e filhos isolaram-se, cada qual no seu quadrado. Mas não devemos responsabilizar esta “caixa” pela desintegração familiar, e sim o poder que se concedeu a ela.
O televisor e, posteriormente, os brinquedos digitais socializaram-se no redondo familiar, tal é o poder que se lhes concedeu. Não podemos, logicamente, ignorar a interação com o mundo. Isso é bom. Muito bom mesmo. O problema está nos excessos e nas dependências, nem sempre administráveis pelos pais. Eles previnem e orientam, mas os filhos extrapolam os limites.

Bagagem de férias
A expectativa das férias alegra a família. Na bagagem, encontramos a bola, a rede, o skate, o celular, o tablet, o Playstation, o fone de ouvido, o caniço, a pipa... Seja no carro, no ônibus, ou no avião, vemos, além de crianças, adultos e idosos on-line. Brincam, jogam, comunicam-se. Os que ficaram em casa acompanham as férias dos familiares via redes sociais. Também os amigos e outros parentes. Todos, lá ou cá, num longe/perto, habitando o espaço virtual, aprendem que estar conectado também é estar próximo.
Hoje cedo Melissa, a mãe da historinha, comunicou via Face que estavam organizando a barraca e as pranchas. Vão passar o dia com amigos, à beira-mar. Disse ela: “Estamos levando quase tudo, só falta a galinha com farofa”. Férias dos nativos digitais, segundo estudiosos, as crianças nascidas a partir do ano 2000 pertencem à era digital, são a geração Z, os nativos digitais já nascem conectados à nova tecnologia e, assim, influenciam hábitos e culturas. A pequena Liliana,1 ano e meio, não sabe falar, mas já conduz o olhar e o dedinho para o visor do celular buscando imagens e cores.

Brincadeiras e travessuras
 O aparelho digital ocupa seu espaço, distrai e aproxima a família, mas é preciso intercalar a fala virtual, diversificar os brinquedos, e, sobretudo, não se esquecer de estimular o olhar, o sentir o abraço.
Você conseguiria se alimentar na e da dimensão virtual? Não! O corpo precisa de alimento de verdade. Assim também é a alma. Ela necessita do calor humano. As férias devem ser um período gostoso. Conduzir a família ao país do coração, a restabelecer o equilíbrio do corpo, da mente, da alma. E isso se faz brincando. Rolar na areia, pescar, nadar, pedalar, comer frutas no pomar, deixar o corpo leve como a pipa que voa ao vento. Bah! Férias é sentir o abraço da onda do mar, o colo da rede a embalar, conectar o pensamento às asas da saudade e cantar: “Mas quero ser criança quando eu crescer”, da música Vamos construir, Sandy e Junior. Mãe Maria, brinca conosco. Amém!




Fonte: FC edição 938 - Fevereiro 2014
Postado por: Família Cristã




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