Quando o corpo não responde

Data de publicação: 27/03/2017

Por Padre Zezinho, SCJ


Máquinas, flores, homens e animais são construídos para funcionar bem, mas, mesmo que apresentem algum defeito,
 dá para produzir tanto quanto ou até mais, dependendo do que a gente faz com as outras partes que ficaram sadias


Meu carro relativamente novo começou a apresentar defeitos que outros carros não apresentavam. Leva para um mecânico, leva para outro, interna o carro, tira, torna a internar, checa aqui, checa ali, e ele continuava a não responder ao meu comando. Cheguei a pensar em vendê-lo e desistir de um carro do qual eu gostava. Finalmente achei uma oficina e dois mecânicos competentes que diagnosticaram e consertaram o defeito numa das peças que ninguém conseguira detectar, e o carro está como novo.
Ao tirar o carro da oficina, pensei no meu corpo e no corpo de milhares de homens e mulheres que um dia começaram a não responder aos seus comandos. Comigo duas vezes fui desafiado. Médicos e hospitais me ajudaram enormemente. Aprendi a encarar os fatos do corpo duas vezes ferido cultivando uma mente que considero sadia e serena.
Agora, quando vejo um homem e uma mulher, ou jovens e adolescentes, lutando com um corpo que não responde, dou minha contribuição. Digo que máquinas, flores, homens e animais são construídos para funcionar bem, mas, mesmo que apresentem algum defeito, dá para produzir tanto quanto ou até mais, dependendo do que a gente faz com as outras partes que ficaram sadias. No fim, de maneira admirável e solidária, aquelas partes ajudam a que se feriu.  

Superação
− O Cícero, amigo meu que perdeu a visão aos 17 anos, desenvolveu tamanha habilidade que sabia até a cor da camisa que eu usava, se eu estava mais gordo ou mais magro e se eu andava cansado. Tinha seu jeito de saber, que eu nunca descobri direito. Uma vez guiou-me à casa de um amigo com precisão impressionante. Só pediu que eu deixasse as duas janelas do carro abertas para que pelo som ele soubesse em que região da avenida estávamos. Descreveu viadutos, prédios altos e jardins pelo que ouvia. Chegou a descrever carros pelo ronco do motor. Ele substituíra seus olhos pelo tato, pelo nariz e pelos ouvidos.
Há milhões de pessoas cujo corpo não responde aos seus comandos. A grande maioria está na luta e não se sente nem mais vítima, nem menor, nem inferior. Fico com o senhor que mancava e arrastava uma perna na escadaria fixa do metrô. Ao ouvir da moça da bilheteria a pergunta inoportuna: “Esta perna não lhe atrapalha”. Respondeu: “A mim, não, mas pelo jeito atrapalhou a senhorita. Ela me dá o que ela pode e eu tiro dela o que posso!”. A moça pediu desculpas e chorou!  Ele a consolou, chamando-a de filha! Preciso dizer mais? 




Fonte: FC edição 940 - Abril 2014
Postado por: Família Cristã




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