Um pacto para casar

Data de publicação: 27/03/2017

Por André Luís Kawahala e Rita Massarico Kawahala


Na velocidade do provisório, conveniência desta sociedade materialista e globalizada e pós-tudo,
 um pacto definitivo é como uma bomba para o sistema, algo que pode destruir os alicerces do consumismo


Se alguém nos pergunta o que é preciso para casar, geralmente nós dizemos que é preciso namorar sempre: antes do casamento e durante o casamento. Em geral as pessoas logo imaginam as gentilezas, as flores, os presentes, os beijos e abraços, e também, nestes tempos tão permissivos, em outras coisas, como intimidade e sexo. Mas não é bem esse exercício de namoro do qual falamos.
Por isso, de uns tempos para cá, começamos a falar também que, para manter com outra pessoa uma relação de proximidade comprometida, intensa e duradoura, é preciso fazer um acordo firme: um pacto. E, para que isso aconteça, é preciso conhecer as possibilidades e as impossibilidades de cada um. E, para chegar a esse conhecimento, é preciso autoconhecimento, disposição para abrir-se ─ e, consequentemente, coragem para tanto ─ e diálogo sincero e aberto. Quer ver como isso acontece?
Mariazinha é uma jovem bastante ativa. Faz o último ano de faculdade, trabalha, mas está procurando outro emprego. “Gênio forte”, como diz a mãe, e com bastante foco no que quer para seu futuro: terminar a faculdade, casar e, em seguida, começar uma pós-graduação. Deseja ter um bom cargo e um salário satisfatório, para não depender do marido, e ajudar a construir um lar de verdade. Ela se conhece bem.
Joãozinho é um rapaz pacato, tranquilo, sossegado. Acabou a faculdade há cerca de um ano. Não é dado a estudar. Não gosta. Trabalha numa empresa de recursos humanos como assessor. Recebe um salário compatível, que paga as contas e sobra um pouco para guardar. Não tem grandes ambições. Gosta de viajar, de curtir uma praia e de sair para se distrair. Curte também uma tarde em casa, de papo para o ar ou assistindo a algum filme na TV ou na Internet. Ele sabe quem é.

O pacto ─ É possível que esses dois possam namorar, casar e ter um casamento de Bodas de Ouro ou mais?  Bem, na verdade, eles já são namorados. Mariazinha sabe bem como é o Joãozinho. Ele diz sempre a ela o que gosta, como gosta e do que abriria mão para viverem juntos. Ela, apesar do gênio forte, também foi sincera e disse o que suportaria dele no relacionamento. Ambos gostam muito da companhia um do outro. Ela até deixa os estudos de lado para poder passar uma tarde de diversão ou descanso com ele. Este, por seu lado já assumiu que terá de se aplicar mais no trabalho e buscar metas para o crescimento profissional, porque se convenceu, depois das inúmeras conversas com Mariazinha, que isso será bom para ele e, consequentemente, bom para os dois.
Ambos pensam em comprar um apartamento e começar os encaminhamentos para o casamento. Eles estão quase fechando o pacto do qual falamos. Conhecem bem as características, potencialidades, qualidades e defeitos um do outro. Não deixam que os prazeres e as distrações da vida e do relacionamento na modernidade os afastem do objetivo principal de seu namoro: analisar as condições um do outro. Eles não se conhecem totalmente, mas, com o que já sabem, têm condições de assumir um pacto de vida, de imaginar se conseguirão ultrapassar as barreiras que aparecerão quando estiverem juntos. E, se por acaso coisas inesperadas surgirem ao longo do tempo, terão a persistência de realinhar, reajustar, repensar juntos e refazer o que for preciso. Então eles saberão amar, pois amor conjugal é pactuar com alguém oferecendo a própria vida como assinatura.
Esse é de fato um problema destes tempos de relações e amores líquidos. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman que o diga! Na velocidade do provisório, conveniência desta sociedade materialista e globalizada e pós-tudo, um pacto definitivo é como uma bomba para o sistema, algo que pode destruir os alicerces do consumismo. Firmar um pacto definitivo e fazer dele o amor é o que sempre fez e faz Deus. A aliança na qual inspiramos nosso amor conjugal é o pacto divino: Eu serei o seu Deus e vocês serão o meu povo (cf. Lv 26,12; Br 2,35; Ez 14,11; Zc 8,7-8; Ap 21,3), apesar de todas as infidelidades e dificuldades. A concretude desse amor verdadeiro pode se inspirar também aqui para vencer toda ameaça de quebra do pacto. “Eu serei seu esposo apesar de tudo”, diz ele. “Eu serei sua esposa com tudo”, diz ela. E vice-versa.
Por isso, afirmamos: é preciso um pacto para casar. Porque, com ele, tudo poderá ser de amor. E amor de verdade, namorando até o fim.




Fonte: FC edição 963 - Março 2016
Postado por: Família Cristã




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