Ajuda pra quê?

Data de publicação: 05/04/2017

Por André Luis Kawahala e Rita Massarico Kawahala

Nada do que acontecia era normal, pois faltou cultivar a história a dois, faltaram o elogio do que era bom, o diálogo,
o entendimento e a compreensão, a atenção aos sentimentos, aos desejos e às vontades do outro



Ela foi vendo o marido se afastar pouco a pouco. Um dia ele trabalhava até mais tarde, noutro ele fazia happy hour com o pessoal do escritório e depois tinha o dia do futebol. Ela não queria parecer possessiva e, mesmo sem gostar muito, permitia. Quando ele voltava havia bico, cara fechada e vinco entre as sobrancelhas. Mas, sem dizer nada, ela deixava para lá. No fim de semana, ele passava o dia na oficina arrumando o carro. Ela não mandava mensagens pelo celular para não atrapalhar o trabalho ou qualquer atividade que ele estivesse fazendo. Também não queria parecer a mulher grudenta que fica se fazendo “onipresente”. Quase não pedia favores, como passar no mercado para trazer algo para casa ou na farmácia. Não queria parecer preguiçosa nem dependente. Tinha jornada tripla, porque trabalhava, fazia uma pós-graduação e cuidava da casa, porque ele sempre fazia tudo da forma errada. Não lavava a roupa direito, deixava sujeira na louça lavada. Percebia que ele a procurava quase sempre sem nenhum tipo de carinho. Beijos demorados, abraços apertados e coisas do tipo eram escassos. Até que quase sumiram. Não o reconhecia e parecia que ele não a queria. Chegou ao ponto de eles só terem intimidades se ela o procurasse. Era sempre bom, mas vazio e distante depois que acabava. Mas ela seguia a vida. Tudo parecia normal.


Sumindo aos poucos
− Ele foi sendo consumido pela rotina. Para ele, ela só pensava na casa, nos parentes, nos problemas do trabalho dela e nos estudos. Ele achava que ela falava muito, e ele não gostava de falar. Ele pensava em fazer algo com ela no fim de semana, mas não dizia. Quando eles namoravam, uma vez por dia ela ligava, mandava um SMS com “ te amo ” e agora, nada. Sentia falta, mas não queria reclamar para evitar discutir a relação (DR). Em casa, só ouvia ela pedindo que ele fizesse coisas. E fazia. Ele nunca a elogiava. Fixou-se nos defeitos dela e esqueceu as qualidades. Os amigos começaram a convidar para o futebol e para o happy hour, e como ela não se importava, ele quebrava a rotina sem ela. Desabafava com os colegas sobre os problemas do trabalho, sobre seus medos e desatinos. Não mais fazia isso com ela. 
Quando o chefe pedia a ele que ficasse trabalhando mais um pouco, ficava sem reclamar, porque o dinheiro sempre é bem-vindo. Ela estaria na pós, e ele sozinho em casa fazendo coisas para ela reclamar depois. O sexo era bom, mas ele não a procurava muito, porque ela estava sempre muito ocupada. Muitas vezes o ignorava e pedia a ele que parasse de provocar porque naquela hora ela não podia. E ele não questionou, não insistiu, não quis conquistar. Então passou a deixar que ela o procurasse, assim não teria de lidar com a rejeição. “Normal!”, pensava ele.
Na verdade, eles deixaram isso tudo ser “normal”. Com três anos de casados, ele começou a receber no celular mensagens e gracejos de uma colega do trabalho. Eles conversavam no expediente e fora dele pelo celular. Um amigo da pós-graduação dela sempre lhe pedia ajuda, pois ele dizia que ela era muito inteligente e boa pessoa. Ele fez happy hour com a colega de trabalho. Ela fez um trabalho com o amigo da pós. Mentiram um ao outro. Arrependidos, pediram ajuda.
Nada do que acontecia era normal. Faltou cultivar a história a dois. Faltou elogio do que era bom. Faltou diálogo, entendimento e compreensão sobre tudo. Faltou atenção aos sentimentos, aos desejos e às vontades do outro. Faltou entrega, doação e partilha. Faltou a conquista diária, a vontade de ficar juntos e a paixão. Faltaram as mensagens fora de hora, os beijos inesperados e os abraços inoportunos. Faltou dar as mãos. Faltou muita coisa! E muito pouco para se separarem. Mas o casal se recuperou!
Vocês devem ter percebido o problema na história. Mas aquele casal não. Eles poderiam ter pedido ajuda. Mas deixaram passar. Por isso, se você estiver em dúvida sobre em que momento pedir ajuda, não espere. E “bora lá” pedir ajuda!






Fonte: FC edição 958 - Outubro 2015
Postado por: Família Cristã




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