Mães de volta ao trabalho

Data de publicação: 26/04/2017

O planejamento para a volta ao trabalho precisa ser cuidadoso para que seja tranquilo para pais, mães e bebês



Juliana Coelho e a sorridente Maria Eduarda


Não é novidade pra ninguém que a chegada de um filho muda por completo a vida dos novos papais e mamães. Após alguns meses de adaptação, ou dias, no caso dos pais, um novo planejamento precisa ser feito: a volta da mãe ao trabalho, depois de 24 horas por dia com o bebê. A procura de creches de confiança, a contratação de babá ou, na maior parte das vezes, o apelo aos vovós são questões a decidir. Segundo a psicóloga clínica Fernanda Roche, do Projeto Criança em Foco, o importante é a mãe se sentir segura com a escolha feita, porque a criança percebe a segurança e reage a ela.

Aleitamento – Segundo a recomendação dos pediatras e também da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o aleitamento materno precisa ser exclusivo até os seis meses de idade, no mínimo, tempo que excede o período da licença-maternidade no Brasil. O leite materno é essencial para o desenvolvimento da criança, por conter a quantidade exata de propriedades nutricionais que, por si só, garantem por completo a alimentação do bebê. Por lei a mãe dispõe de pausas no trabalho para a amamentação (confira no boxe), porém, na prática, sabemos que isso pode ser inviável por conta da distância das grandes cidades.
Para contornar o problema, muitas usam as bombinhas, onde o próprio leite pode ser retirado e armazenado. É preciso apenas tomar cuidado na armazenagem, que pode ser em um recipiente ou uma mamadeira (de preferência de vidro), bem esterilizada e guardada em geladeira. A vantagem é que a mãe não corre o risco de diminuir a produção de leite por conta da diminuição da mamada, além de garantir a alimentação da criança de forma saudável, sem as fórmulas lácteas que podem dar desconforto ao bebê.
Foi o caso de Juliana Coelho e sua pequena Maria Eduarda, que, passados seis meses, segue com a amamentação materna. Ela revela que treinou para tirar o próprio leite, para os pais darem a Maria Eduarda, no período que estiver trabalhando. Precavida, também comprou fórmula láctea, recomendada pela pediatra. “Minha amamentação foi de livre demanda, então a hora que ela queria eu dava. Se por acaso não for suficiente o que eu conseguir tirar e não for a hora da papinha, temos a alternativa da fórmula.”
Já para Flávia Neves de Souza Pereira o filho, Pedro Henrique, de 6 meses, ajudou um pouco, pois mamou no peito apenas até os dois meses e meio, passando para a mamadeira depois. Isso facilitou a volta da mãe para o trabalho, já que não precisava mais dela exclusivamente para a alimentação.

Flávia com o marido, Lidônio Pereira Neto, e o pequeno Pedro Henrique.

Benefícios – Há empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã, criado em 2008 pelo Governo Federal. Esse projeto estende a licença-maternidade para 6 meses, em troca de benefícios fiscais: ganha a empresa e as funcionárias. Juliana trabalha em uma empresa assim e, além dos seis meses, ampliados para sete com as férias, ela conta que a empresa garante outros benefícios disponibilizando psicólogos e grupos de bate-papo com todas as gestantes para trocarem experiência. “Depois que a gente sai de licença, eles ainda ligam pra saber se a gente precisa de alguma coisa.” E ressalta um dos principais objetivos que empresas como a de Juliana almejam ao dar benefícios desse tipo: “A gente se sente segura, pois parece que eles entendem o lado da mãe. A gente trabalha até mais motivada”.
Separada do marido logo depois do nascimento da filha e voltando a morar com os pais, a escolha dos avós para deixar a filha foi natural. Mesmo assim procura fazer com que o afastamento seja tranquilo: “Ela é muito grudada comigo, então estou fazendo uns treinamentos, saindo e deixando ela sozinha com meus pais pra ela ir se acostumando”. Mas confessa: “Eu acho que vou sofrer mais que ela”. Flávia, que já voltou a trabalhar, ressalta que o último mês foi o mais difícil: “Eu chorava todos os dias. Abraçava o Pedro, chorava e falava que amava ele, pois eu tinha medo dele gostar mais da minha mãe que de mim”, conta, hoje, aos risos. “Agora ele vai até o portão comigo todos os dias. Eu me despeço, e ele fica me olhando, nunca chegou a chorar. O difícil mesmo é a segunda-feira. A gente passa o fim de semana juntos e, quando chega segunda, é difícil.”
A psicóloga Fernanda Roche dá algumas dicas para as mamães que voltarão ao trabalho: mesmo que o bebê seja pequeno, explique a situação para ele todos os dias antes de sair, alertando que é um erro subestimar a capacidade de observação e compreensão da criança. Da mesma forma, é importante acordar o bebê para se despedir dele, sinalizando a saída. Mas atenção: explique, abrace, beije e saia. Não volte caso ele chore, porque é pior. O importante é que naquele instante a pessoa que for cuidar dele o console, sejam os avós, a babá ou o cuidador da creche.





Fonte: FC edição 960 - Dezembro 2015
Postado por: Família Cristã




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