Bodas de Papel

Data de publicação: 03/05/2017

Por Silvia Torreglossa


Depois do “sim”, festa, lua de mel e presentes, inicia-se um cotidiano cheio de desafios e descobertas



Enfim sós, e o dia esperado, sonhado, aconteceu! A família reunida e feliz desejando que a união daquele casal perdure para sempre, envolto em amor e harmonia. Mas quem já vivenciou o primeiro ano de casamento sabe que nem tudo são flores nessa etapa cheia de obstáculos a superar. É justamente no primeiro ano de vida em comum que o casal percebe a diferença entre namoro e casamento, garante o psicanalista Antônio Belamoglie, do Núcleo de Terapia Viva Bem, de São Paulo (SP). “As diferenças pessoais e os problemas que, no namoro, pareciam pequenos, no casamento passam a ser vistos nas suas dimensões reais e exigem ajustes nas atitudes e no comportamento de ambos”, afirma.
O psicanalista aponta que as maiores questões que podem gerar conflito se referem à adaptação das características individuais que, muitas vezes, precisam ser ajustadas para a vida em comum. “E essas características dependem de cada pessoa: para uns, é a troca dos amigos pessoais pelos amigos comuns do casal; para outros, é a dificuldade do desapego dos pais pela formação da nova família com o seu cônjuge; para outros, ainda, é a questão de adaptar seus sonhos à nova realidade; além de outras questões como estilos pessoais, manias e preferências”, explica. Antônio Belamoglie ainda lembra que cada pessoa é resultado da sua vivência e experiência desde a infância, e essas experiências familiares determinam os modos de pensar, ser e agir. “É importante analisar, durante o namoro, se o perfil do seu namorado ou da sua namorada permitirá uma vida feliz a dois”, aconselha.

Atenção e ajustes – Mariana Ruiz e Edilmar de Souto Magatão, ambos com 32 anos, casaram-se em maio, após um pouco mais de dois anos de namoro e dez meses de noivado. Ele morava com a mãe antes do matrimônio, mas já havia, em outra época, morado fora durante dez anos. Ela há dez anos morava sozinha. Ou seja, os dois traziam consigo a experiência de viver fora da casa dos pais. O cotidiano do casal é corrido. Mariana é professora doutora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba, e Edilmar é militar. Como não poderia deixar de ser, não falta atenção recíproca. “Acho difícil não prestar atenção no cônjuge, afinal estamos juntos após o dia de trabalho, dormimos juntos e conversamos muito um com o outro”, garante Edilmar, lembrando que na maior parte do tempo livre procuram sempre ficar juntos, fazer e conhecer coisas novas.
Mariana acredita que o tempo de namoro e noivado é muito importante para o casamento. “Aprendemos a nos conhecer, os defeitos e as qualidades, e descobrimos coisas comuns a ambos.” Na Igreja, ao marcar a cerimônia, Mariana se lembra das palavras do padre. “Ele nos falou sobre a importância de se dividir as tarefas domésticas, de prestar atenção no outro, do diálogo, de nunca falar mais alto um com o outro, prestar atenção no outro, nunca dormir chateado ou com dúvidas, além da importância da oração na vida do casal.” Essa preparação é importante e necessária, pois o psicanalista do Núcleo de Terapia Viva Bem tem visto muitos casais de namorados buscando terapias para resolver as questões que já estão sendo percebidas antes do casamento. “Um ajuste, neste momento de vida, evitará conflitos futuros ou separações”, argumenta.

Ternura e carinho
– Alessandra e Gabriel Rebello, de São Paulo, casaram-se há três anos, e a história do casal envolve Helena, filha de Alessandra que, na época, tinha quase quatro anos. “Eu sou baiana e vim a São Paulo para trabalhar como gerente operacional em uma empresa de grande porte. O Gabriel havia entrado na empresa 15 dias antes. Meu lema era trabalho, pois estava solteira desde o nascimento de minha filha, fruto de um rápido relacionamento”, lembra. Em pouco tempo de namoro, surgiu a proposta de casamento. “Eu não fazia ideia de como era casar com um homem mais novo e como minha filha ia entender isso! Refleti, me enchi de coragem e aceitei com uma condição: ele conhecer Helena, que então ainda morava em Salvador, e avaliarmos como seria esta relação”, comenta Alessandra.
E, de repente, uma família se formou. O primeiro ano foi decisivo para o casal e para a pequena Helena, que ganhou pai, casa, escola e amigos novos. E, por outro lado, o desafio de ficar longe dos primos e tias que sempre foram sua preferência. “O nascimento desta relação de Gabriel e Helena enche de ternura meu coração”, emociona-se Alessandra. “Descobri, com Gabriel, que existe vida fora do trabalho, que mesmo depois de ter filhos ainda podemos ser felizes. Ele, com seus 24 anos, me trouxe alegria e fez renascer a mulher que existia em mim. Este amor se renova a cada dia em atitudes e cuidados”, testemunha a mãe e esposa, para quem o diálogo é primordial. “Não queremos e não vamos nos separar por bobagens. Queremos um amor para a vida inteira e, assim, enfrentaremos juntos as eventuais dificuldades”, diz Alessandra.
Porque, deixando de lado as ilusões, é certo que as dificuldades surgirão ao longo da vida. E a diferença entre os casamentos bem-sucedidos e os nem tanto é que os primeiros as superam. Mariana, por exemplo, acredita que para um casamento dar certo é preciso carinho e respeito mútuos, além do diálogo constante. “A cada dia conheço mais o meu esposo. Aprendi que, com carinho, todos os problemas podem ser resolvidos e, quando enfrentados por duas pessoas que se amam, se tornam mais suaves e leves. O grande desafio é deixar de ser um para se tornar um com o outro.”




Fonte: FC edição 945 -Setembro 2014
Postado por: Família Cristã




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