Lembra quando...

Data de publicação: 08/05/2017

Por André Luís Kawahala e Rita Massarico Kawahala

Muitos casais felizes no casamento jamais esquecem sua própria história


Ele a olhava contra a luz da janela suja do ônibus que sacolejava no trajeto para sua casa. Uma visão! Ainda não eram namorados, e aquele momento o encheu de esperança: “Será que ela quer namorar comigo?”. Hoje, casados, ele ainda lembra quando aquilo aconteceu. Ela às vezes para e se recorda do primeiro beijo que o marido lhe deu, ao som da música que marcou aquele momento inesquecível. Casados, ela sempre comenta com ele sobre o dia, a hora e o que sentiu. E lembra quando o sonho de casar parecia tão distante. Se vai a algum casamento, ele sempre lembra o dia em que, na porta da igreja, com o terno de noivo, sob o sol das 16 horas de um dia de primavera, tremia como estivesse dentro de um freezer. Incontrolável! A tremedeira parou somente depois que a viu entrar na igreja e disseram cada um o seu sim. Hoje, ele lembra quando parecia uma vara verde. Ri e sente saudade.
Ela olha para o armário e vê a pequena boneca enfermeira. De plástico, rostinho angelical, perninhas gordas, e com uma caixinha com a cruz vermelha nas mãos, que assovia quando apertada. Foi o primeiro presente do namorado, hoje marido, que andou quilômetros para lhe dar o mimo, pois havia perdido o último ônibus para a casa dela. Sente o coração acender com aquela recordação. Ela lembra quando os dias difíceis os faziam mais unidos. Casos assim aconteceram na vida de todas as pessoas que um dia ousaram experimentar a paixão, desejaram viver um relacionamento a dois, flertaram, paqueraram, “ficaram” (coisa moderna!), investiram no namoro, noivaram e se casaram. Pessoas diferentes, mas com situações de vida tão similares, tanto que algumas vezes dizemos que ambos só trocaram nomes e endereços.

Segredo – Mas cada história é única. Cada sentimento é exclusivo e pertence somente àqueles que viveram o momento. Ele e ela deveriam lembrar sua parte na história do amor construído a dois. Os detalhes talvez não importem, mas importa muito o que sentiram. Cada momento influiu no desenvolvimento do relacionamento e no rumo tomado por aquelas duas vidas. Se eles chegaram ao casamento é porque essas experiências somadas culminaram no compromisso mútuo para serem esposos. Sim, você deve estar pensando: “Mas nem todas as recordações são boas”. Tem razão. Mas um casal só deveria chegar ao “até que a morte os separe” se os fatos construtivos forem em maior quantidade que os destrutivos. Um casal deveria decidir pela união somente quando o resultado de suas experiências gerarem esperança, confiança, respeito, cumplicidade e motivarem a caminhada juntos.
Aqui está o segredo de muitos casais felizes no casamento: jamais esquecem sua própria história. Na alegria ou na tristeza do cotidiano, repentinamente, um diz ao outro: “Lembra quando...”. E emenda o causo. A vida presente do casal que luta é feita de muitos “sabe aquela vez”, “estava aqui lembrando”, “que saudade daquele dia”, “sempre que lembro”, “parece que foi ontem”, entre tantas frases. Essa memória dá consistência ao viver presente. A menção do bem e do bom do passado, feita sem pressão ou cobrança por uma repetição ou por uma atitude semelhante, ajuda cada um a ver que tudo ainda pode ser melhor do que já foi. Quem quer viver um grande amor de romance precisa da graça de Deus, sem dúvida. Mas vai precisar também se esforçar para lembrar e registrar na memória a história da vida a dois. E repeti-la para si e para o outro até que a morte os separe. E você? Ainda lembra quando...




Fonte: FC edição 961 - Janeiro 2016
Postado por: Família Cristã




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