"Tamu junto! Só que não"

Data de publicação: 17/05/2017

Por Reginaldo Carreira

Nada substitui o encontro de fato, o olhar nos olhos de verdade, e sentir que se está sendo ouvido e acolhido por um irmão


O papa Francisco tem alertado sempre mais para a importância do encontro, da fraternidade, da vida comunitária, do convívio familiar e social, como caminhos essenciais para a vida cristã. Ele inclusive deu um nome a esta “proposta” para a Igreja e para a sociedade: Cultura do Encontro. Temos a impressão de que, com as novas tecnologias, o mundo se tornou pequeno e as pessoas mais próximas, mais interligadas devido à globalização, mais solidárias porque mais conscientes das necessidades humanas que ultrapassam seu convívio social. Isto é verdade em certo sentido. Mas por que permanecem tantas divisões e exclusões? Por que precisamos de uma cultura do encontro?
Na opinião do papa Francisco: “A velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também se fechar numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e econômicos. (...) O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído”, da Mensagem do papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais.
Dessa forma, não se está condenando as novas tecnologias de comunicação, mas sim o seu mau uso, o risco de “sermos usados” pelas tecnologias em vez de “as usarmos” para o bem, para a aproximação e para o conhecimento do outro. E para que este uso seja adequado e as informações sejam processadas por homens e mulheres pensantes e conscientes, fazem necessários o silêncio, a pausa, a reflexão, a escuta de si mesmo, do outro e de Deus. Se isso não for feito, seremos engolidos pela pressa e pela ansiedade próprias do nosso tempo. Estamos no mundo, mas não somos do mundo (cf. Jo 17,11-16). Podemos fazer diferente, e sermos diferentes! Podemos “acessar” nossa espiritualidade para gerar vida cristã e fraterna realmente eficaz e profética em nossa sociedade.
“Tamu junto!”. Se diz nas redes! “Só que não!”. Também se diz! Conectados, juntos e misturados, mas talvez não o suficiente. A conexão é um bom começo, a abertura às novas amizades e novas ideias é um bom sinal; e é real: com sentimentos, emoções e tudo que qualquer relacionamento com alguém fisicamente presente pode permitir. E digo mais! Em alguns casos, é possível o cultivo de grandes amizades e relacionamentos realmente especiais pelas novas tecnologias. Mas nada substitui o encontro de fato, o olhar nos olhos de verdade, e sentir que se está sendo ouvido e acolhido por um irmão. Nada substitui o encontro que nos permite acolher o outro e evangelizar pelo amor concreto e presente de um abraço forte, verdadeiro e sincero, um abraço que tem jeito de família e que remete ao Pai!







Fonte: FC edição 959 - Novembro 2015
Postado por: Família Cristã




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