O amor pode amar

Data de publicação: 05/06/2017

Por Cleusa e Alvício Thewes
A família muda, mas o amor permanece, não há família, mas famílias, por isso se faz urgente reconhecer a beleza,
a autenticidade e a bondade que é formar uma família, mesmo nas diferenças


Irene, 64 anos
− A fé e o amor nutrem esta mãe de família para enfrentar as dificuldades que a vida lhe impõe. O esposo teve os movimentos físicos e a locomotividade reduzidos em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O filho de 24 anos sofre de transtorno bipolar. A filha, 20, divorciada, retornou à casa dos pais, desempregada e com dois filhos. Temendo discriminação, Irene e a filha afastaram-se da Igreja. Irene vive preocupada, a ansiedade à flor da pele. “Não posso abandonar minha família, no seu pior momento”, desabafou, outro dia. Embora tenha abandonado a Igreja, Irene ainda espera,  diariamente, em vão, a visita de irmãos da comunidade.

Lino e Rose, 62 anos
− Casados há 35 anos, participaram de grupos de casais na sua comunidade e trabalharam na preparação de noivos para o Sacramento do Matrimônio. Há três anos ficaram sabendo que a filha, de 27 anos, é homossexual.  Afastaram-se para esconder e proteger a nova realidade familiar, criada com a descoberta da opção sexual da filha. Em profundo sofrimento, acolhem a filha. No entanto, esconderam-se da sociedade, da qual temem críticas e preconceitos, caso a homossexualidade da filha se torne pública.


Família, berço da acolhida − Em cada ser humano, há semelhanças com seu Pai. O dom e a capacidade de amar é uma dessas semelhanças. Porém, o dom de programar a personalidade e as escolhas dos filhos Deus não delegou aos pais biológicos. Deu-lhes, no entanto, a capacidade de amar e acolher, acolher os filhos como são. E é isso que cada filho espera. Ser acolhido, em família, como é.
O acolhimento confiado aos pais é desafiador.  Acolher o filho certinho, estudioso e trabalhador é cômodo. Acolher o filho rebelde, inquieto, que deslizou para algum vício, desafia, e muitas vezes debilita o amor familiar.
A família, com ou sem dilemas, é à base da decolagem do filho, e sua vida é a viagem.
Filhos com problemas, como os hiperativos, os com déficit de atenção, os depressivos, os dependentes químicos, desorganizam a emoção e a estabilidade familiar.
Queixa-se, tristemente, dona Mariazinha, 72 anos, sobre os dois filhos que descasaram e são dependentes do álcool, cujas vidas estão sendo consumidas pela cirrose. Já foram tratados e internados, mas o problema persiste. Resta-lhe, sempre, e apenas, tentar outra vez.
A acolhida não escolhe a quem acolher; ela acolhe quem dela prescinde. Um dia os pais terão filhos perfeitos? Não!  Acolher seus dons e defeitos é a escolha, hoje e sempre. Pais, o amor ultrapassa julgamentos, críticas, preconceitos. E é a base que viabiliza, através da acolhida, a prevenção da saúde emocional dos filhos.
Filhos descasados, recasados, homossexuais, com síndromes e dependências precisam encontrar, na família, o amor curador. Do contrário, vão às ruas, onde encontrarão acolhidas, porém acolhidas perversas e destruidoras. Jesus mostrou o caminho: “Se alguém for inocente, atire a primeira pedra”.
 
Igreja, berço da inclusão – A Igreja recebeu o legado de ser mãe amorosa, orientadora, acolhedora, ajudando na inclusão dos filhos no regaço materno.
A Igreja não rejeita seus filhos.  Nas comunidades, porém, há irmãos rígidos, preconceituosos, desamorosos, que acabam excluindo, do seu convívio, padrões de comportamento diferentes dos seus. Lembremos que Jesus não tolerava os fariseus, mas ele incluía, em sua vida, os pecadores, os cobradores de impostos e até as prostitutas.         
A Igreja Mãe tem sabedoria e amor. Ela está atenta às persuasivas ideologias consumistas e à fragilidade dos valores morais e espirituais, os quais debilitam a ética do convívio social.
A Igreja Mãe, neste Sínodo da Família, é convocada a acolher, orientar e incluir as histórias humanas. A Igreja Mãe vive o apelo à misericórdia, à compaixão e à inclusão das pessoas nas inúmeras realidades. O Documento de Aparecida já enfatizava o pensamento inclusivo no capítulo  “Família, pessoas e vida.” É só recordar.
Que todos se percebam incluídos no seio da Igreja Mãe, pois ela é, aqui na terra, o espaço humano do coração do Pai.
Eis o olhar e a denúncia sábia, sensível e sinalizadora do papa Francisco, no recente Sínodo da Família: “A família é desprezada, é maltratada, e o que se pede a nós é reconhecer a beleza, a autenticidade e bondade que é formar uma família, ser família hoje; o indispensável que é isto para a vida do mundo, para o futuro da humanidade”.
Maria Mãe, leve a Igreja e o povo a Belém. Amém!




Fonte: FC edição 948 - Dezembro 2014
Postado por: Família Cristã




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