Ajudar a Igreja

Data de publicação: 16/06/2017

Por Edicléia Tonete, fsp

O quinto mandamento da Igreja recorda o povo de Deus a ir ao encontro das necessidades materiais da comunidade cristã,
conforme a possibilidade de cada um


Os mandamentos da Igreja são orientações práticas para a vida de fé dos cristãos católicos. Tendo-os em mente, será mais fácil e simples vivermos os ensinamentos de Jesus. Os quatro primeiros mandamentos já foram explicados nesta seção nos meses anteriores; são sábios conselhos da Igreja a cada um de seus filhos e filhas, para que não se esqueçam de abrir o coração à graça de Deus; já o quinto, “Ajudar a Igreja em suas necessidades”, se refere, sobretudo, ao dízimo, um dos sinais de amor e pertença da família ou da pessoa, individualmente, à comunidade de fé.
O dízimo é uma atitude religiosa que existe há muito mais tempo que o cristianismo. Templos no antigo Egito, da Grécia e de Roma, por exemplo, já cobravam tributos, desde 1500 a.C., ou seja, há 3 mil e 500 anos. As pessoas faziam doações de qualquer coisa que pudesse ser usada como dinheiro na Antiguidade, como animais, armas, cereais, frutas e até água. Vemos na Bíblia que o povo judeu também guardava uma parte do dinheirinho suado da colheita do ano para levar ao templo de Jerusalém, como sinal de amor e gratidão a Deus pelos bens da terra. E os primeiros cristãos, inspirados na fé judaica, deram um passo à frente, conforme descreve o livro dos Atos dos Apóstolos: resolveram ter tudo em comum e assim, ninguém, dentre eles, passava necessidade (cf. At 4,34-35).
Mas os tempos mudaram, a vida hoje é diferente e as famílias têm outros compromissos, portanto, não é possível pedir que os cristãos “tenham tudo em comum”. Mesmo assim, a Igreja, em sua organização pastoral, espera a participação dos membros da comunidade, em forma de partilha dos bens materiais, para servir e cuidar dos que mais precisam. Os cristãos realmente comprometidos com a fé pagam o dízimo, porém, essa é uma iniciativa livre, assumida por amor, porque a Igreja não ameaça nem exclui aqueles que, por algum motivo, não cumprem à risca o quinto mandamento.
Pagar o dízimo não é dar do que nos sobra, há uma cena no Evangelho que mostra isso com clareza: “Jesus, se sentado diante do cofre do templo, e observava como a multidão lançava moedas no cofre. Muitos ricos lançavam muito. Vindo uma viúva pobre, ela lançou duas moedinhas, isto é, um quadrante. Tendo chamado seus discípulos disse-lhes: ‘Amém, eu vos digo que esta viúva pobre lançou mais do que todos que lançam no cofre. De fato, todos lançaram do que têm em excesso, mas ela, de sua penúria, lançou tudo quanto tinha, todo o seu sustento” (Mc 12,41-44, A Bíblia Novo Testamento, Paulinas Editora ).
A oração, o jejum e a esmola são três pilares da vida cristã. São as colunas de sustentação, onde a pessoa se alimenta da fé, mas, se por força maior for preciso escolher entre oração, jejum e caridade, a primeira é sempre a caridade. Uma das formas de exercer a caridade é pagar o dízimo, segundo a realidade de cada família. Dízimo significa a décima parte do rendimento mensal, porém, na Igreja Católica, esse valor é relativo, cada um contribui conforme pode, e, se alguém não tem condições financeiras, pode doar seu trabalho, tempo e habilidades, ajudando nas pastorais, sobretudo naquelas que se dedicam aos irmãos necessitados. A caridade começa no âmbito paroquial e comunitário e se estende para a sociedade, para os irmãos e irmãs que, muitas vezes, não frequentam a Igreja, mas precisam de alguém que os trate com misericórdia.
O povo de Deus é muito generoso, sobretudo os mais simples e humildes. No interior do Paraná existe uma família que ajuda muito a comunidade paroquial, os pais e filhos, como milhares de outras famílias, no Brasil inteiro, compartilham seus dons e talentos nos serviços da comunidade. Mas esta família não abre mão do quinto mandamento. Certa vez, o filho mais velho ficou desempregado, e a mãe sugeriu que fizesse a promessa de pagar o dízimo quando conseguisse trabalho. E, assim que conseguiu, ele foi cumprir o prometido, com alegria e gratidão. Dos seis filhos daquele casal, quando um consegue o primeiro emprego, a mãe já sugere que reserve uma parcela do salário para Deus e o compartilhe em forma de dízimo. Essa família vê a oferta livre e solidária como uma bênção de Deus e não como uma obrigação pesada.
Em outra ocasião, a quarta filha do casal começou a trabalhar, recebendo menos de meio salário mínimo. Assim mesmo, como primeiro pagamento na mão, reservou imediatamente uma parcela para o dízimo. Existem muitos casos, como o dessa família do interior do Paraná, de pessoas que, na sua pobreza, oferecem seus dons a Deus e à Igreja e ainda se esforçam para participar também com uma contribuição financeira. São abençoados por Deus, não porque deram dinheiro, mas porque ofertaram com o mesmo amor que Jesus constatou na viúva do Evangelho.
Peçamos a Deus que, no Ano Santo da Misericórdia, cada pessoa possa se colocar, com generosidade e amor, a serviço daqueles que mais necessitam. E podemos ter a certeza de que a caridade feita ao irmão jamais será esquecida e voltará para quem a praticou, em forma de gratidão, paz e consolo.
Procure a sua comunidade paroquial e veja em que você pode ajudar, onde pode exercer a caridade. Ajudar as emissoras de televisão católicas é importante, mas o que Deus nos pede é que, em primeiro lugar, ajudemos a quem está perto de nós, na nossa paróquia, na nossa comunidade. Sejamos solidários e fraternos, sejamos misericordiosos como o Pai. Não percamos tempo, amemos hoje, façamos o bem hoje, alguém pode estar precisando de nossa ajuda neste momento.




Fonte: FC edição 963 - Março 2016
Postado por: Família Cristã




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