Cadeira ou leito

Data de publicação: 19/06/2017

Por Padre Zezinho, scj

Somos um país que canta e fala bonito, mas na hora de hospedar um doente a burocracia manda para casa um enfermo moribundo

Eu gostaria que fosse apenas um poema e não uma tragédia. Mas tragédia se tornou. Há cadeiras e vagas para milhões de torcedores de futebol nos novos e modernos estádios, para o Brasil fazer feio ou bonito perante o mundo. Houve dinheiro para isso, porém custou caro, e sobre tal fato pesa a suspeita de superfaturamento.
Mas não há nem remédios, nem aparelhos, nem cadeiras, nem macas, nem leitos, nem vagas para milhões de enfermos, muitos deles terminais. Cidades pobres e grandes centros assistem ao triste espetáculo de doentes empilhados nos corredores à espera de médicos ou cuidados que não vêm.
Não falo de jornais que li. Eu vi, fui lá, protestei e presenciei a reação de mães em desespero.  É verdade que vi excelentes serviços, bons médicos e enfermeiros e enfermeiras, hospitais bem cuidados e excelentes atendentes, mesmo quando não havia dinheiro sobrando. Mas hospital é como restaurante: tem de haver higiene, cuidado e o mínimo necessário de iguarias para o freguês.
Se os governos não providenciam e se os atendentes não se esmeram, é justo que a imprensa denuncie e, com ela, as faculdades e as Igrejas. Se os políticos no comando entenderam que o País tem capacidade para assumir copas mundiais e olimpíadas, então também tem capacidade para assumir os seus doentes, até porque os impostos são escorchantes.

Hospedar o doente ─ Se não há vagas nem grutas, manjedouras e cochos com feno por perto, mães e meninos nem isso encontram. Lá fora há carros lindos, ônibus com ar-condicionado, motos incrementadas enchendo a avenida de ruídos do progresso. Nos corredores, faltam macas, cadeiras e um colchão.
Somos um País que canta e fala bonito, mas, na hora de hospedar um doente, a burocracia manda para casa um enfermo moribundo porque faltou um documento e um carimbo de alguém no comando. Os planos de saúde?  Pois é: os planos de saúde! Eles também fazem de tudo para não ter que gastar o dinheiro que arrecadaram dos futuros pacientes. Pagam adiantado, e muitas vezes o chefão não carimba a ficha de internação.
E o povo insiste em votar nesses representantes. Triste e trágico! E você votou nessa gente!     





Fonte: FC edição 962 - Fevereiro 2016
Postado por: Família Cristã




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