Por uma casa Misericordiosa

Data de publicação: 20/07/2017

André Kawahala e Rita Massarico Kawahala

Pensar no que é óbvio ajuda a tornar o que é comum em algo melhor, apesar de não deixar de ser comum e natural.
Ser família é, ou deveria ser, uma consequência natural do viver


Um grupo de casais ligados ao movimento das Equipes de Nossa Senhora, realizou em Santos (SP) uma semana onde colocaram em evidência a família, entre os dias 25 de agosto e 2 de setembro de 1973, portanto, século passado. Estava lançada a primeira semente. Em 1976, o Regional Sul 1, em São Paulo (SP) realizou também sua Semana da Família, no mês de junho. Em 1978, a Diocese de Tubarão (SC) realiza sua semana da família com o tema Família, lugar do amor. A partir daí começaram a “pipocar” nesta ou naquela diocese uma semana da família, sempre em datas diferentes. As sementes estavam germinando.
Na década de 1980, a Semana da Família começou a ser realizada em nível de regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 1989 foi criada a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF). E a Semana da Família seguiu crescendo, até que em 1992, após uma consulta aos regionais, oficializou-se a Semana Nacional da Família, a ser realizada sempre no mês de agosto, mês vocacional. Algum tempo depois, fixou-se que a semana seria iniciada no segundo domingo de agosto, Dia dos Pais, encerrando-se sempre no terceiro sábado do mês, festa da Assunção de Nossa Senhora. Dois momentos significativos tanto para a Igreja quanto para a sociedade.

E por que uma semana? – Tudo que é óbvio demais corre o risco de ser esquecido por ser “corriqueiro”. O ser humano e sua sociedade de redes relacionais é por demais ocupado e cada dia mais agitado para prestar atenção àquilo que se acredita estar sem problemas ou ser sem solução. Por isso é que nós, como Igreja, família de famílias, nos preocupamos em recordar à sociedade que é preciso ser fraterno, e realizamos a Campanha da Fraternidade; que precisamos ser evangelizadores e realizamos a Campanha da Evangelização; que a vida é direito pétreo de cada pessoa e realizamos a Semana da Vida. Pensar no que é óbvio ajuda a tornar o que é comum em algo melhor, apesar de não deixar de ser comum e natural. Ser família é, ou deveria ser, uma consequência natural do viver. Quem não recebe uma vocação ao serviço específico como a vida religiosa ou ao sacerdócio ou mesmo ao celibato leigo é chamado ao Matrimônio. E do Matrimônio nasce a família. Em tempos de questionamentos mil, o caminho natural da formação da família também é questionado e aqui temos, além de tantos outros, mais um motivo para uma semana nacional de reflexão sobre a célula fundamental e alicerce da sociedade.

Da vida à misericórdia – No Brasil, muitos temas já serviram de motivação para essa semana sobre a família. Da valorização do lar como fonte dos valores, passando pelo olhar para a mulher e sua dignidade e igualdade social inquestionáveis, pela caridade e pelo dom da vida, entre tantos temas, a cada ano a Igreja ofereceu questionamentos para que as equipes de Pastoral Familiar, os movimentos familiares e todos os demais grupos ligados ao trabalho com as famílias pudessem realizar palestras, debates e círculos de reflexão, sempre tendo como objetivo mudar a consciência sobre os caminhos da família, para o resgate dos valores inatos à estrutura familiar, que é fonte do bem que cada um pode realizar nos ambientes que frequenta. É na família, por exemplo, que nasce o “com licença”, “obrigado” e “desculpe”, que o papa Francisco enfatizou em uma das catequeses que realizou entre a assembleia extraordinária e a assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos. É naquele lar de amor, onde um casal se encontrou por vocação de Deus – ainda são pouquíssimos os que se dão conta disso – que nasce a “boa educação”, obrigação que jamais deveria ser repassada a nenhuma outra instituição. E, em geral, se a família não a faz, ninguém a fará. Ao realizar momentos de celebração e conscientização dentro do templo ou mesmo no salão paroquial, a Igreja deseja que uma luz possa ser acendida na mente e no coração do fiel que vem participar de cada reunião da Semana Nacional da Família, com energia necessária para iluminar a vida de sua casa, e, quem sabe da casa do vizinho da direita e da esquerda. Em tempos de verticalização e de agrupamentos de famílias em condomínios cada vez mais fechados, a família que busca na comunidade eclesial a força para a evangelização pode ser realmente essa luz que ilumina os cantos escuros onde o conforto, a segurança e o direito à “minha tranquilidade” não permitem a entrada de missionários para bater de porta em porta.
E bater de porta em porta é mais uma forma de levar a semana para mais e mais longe. Em todo o Brasil podemos encontrar agentes da Pastoral Familiar que organizam os encontros para além dos limites da comunidade. Usam o telefone, o e-mail e agora até mesmo o WhatsApp para pedir uma casa, para uma noite de reflexão. Em geral, uma casa pequena abriga de 10 a 20 pessoas, que vêm rezar e pensar em cada tema proposto pelo subsídio Hora da Família, que desde 1997 é impresso pela CNBB e pela CNPF. E se encontrarmos em cada paróquia dez agentes dispostos a ir de rua em rua, podemos chegar a até 200 pessoas com uma chance de conversão. Essa é verdadeiramente a “Igreja ‘em saída’” que “é uma Igreja de portas abertas”, como o papa pediu na Evangelii Gaudium. Portas abertas para que os que estão dentro saiam para as periferias existenciais e geográficas, mas também para que os que se sintam acolhidos entrem, sentem, encontrem o Senhor através das celebrações e também das outras atividades.




Fonte: FC edição 968 - Agosto 2016
Postado por: Família Cristã




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