Repolho, um remédio

Data de publicação: 20/07/2017

Por Osnilda Lima, fsp

Muito além do uso na culinária por favorecer diversidades de pratos, o repolho é uma rica fonte de saúde,
em especial no combate a células cancerígenas 


A semente é miudinha, marrom. No contato com a terra, ao germinar, surge uma frágil planta com folhas esparramadas, arredondadas. Ao ser transplantada, a pequena planta, com folhas imbricadas, lisas ou crespas, vai crescendo, tornando-se espessa e formando uma bola esverdeada, esbranquiçada  ou roxa. Depende da qualidade ou do tipo. Rico em vitaminas, ferro e cálcio, o repolho é conhecido em diversos países e usado na alimentação, de forma crua ou cozida, e oferecendo ingredientes para diversos pratos.
O repolho pertence à família brassicaceae, da qual estão inclusas milhares de espécies, entre elas vários vegetais crucíferos, como a couve, o brócolis e a couve-flor. São plantas de suma importância para a alimentação humana e produção de óleos e gorduras vegetais, do gênero Brassica e, nativas da Europa, compreendendo o repolho, a couve, o nabo e a mostarda.
Cultivado há milhares de anos, o repolho é uma hortaliça conhecida por conter diversos nutrientes, principalmente vitamina C. Foi introduzido nas Américas pelos imigrantes europeus. O cultivo se estabeleceu no Brasil na Região Sul. Desde então, tornou-se apreciado cru ou em saladas, como também cozido e refogado, por ser um alimento saboroso e cheio de nutrientes, confira página 86 desta edição, que pode ser utilizado em sopas, conservas, acompanhamentos e massas.
O repolho é encontrado em cinco tipos: o liso, o crespo, o roxo, o chinês e a couve-de-bruxelas. Todas as variedades costumam ser consumidas cruas em saladas, refogadas ou cozidas e, ainda em sopas. Previne diversos tipos de câncer, em virtude de duas substâncias presentes: o ácido p-cumárico e a rutina. Elas atuam como antioxidantes, anulando o efeito dos radicais livres. O repolho roxo, além de ser bom para o sistema imunológico, é rico em antocianinas, que diminuem o risco de infarto.
Além de excelente fonte de vitamina C, também contém vitaminas A, B1, B2, B6, K, ácido fólico, fibras e minerais, como o cálcio, fósforo e enxofre. Glutamina e polifenóis, em quantidades significativas, também estão presentes no repolho, o que contribui para que seja um alimento com propriedades anti-inflamatórias. Assim como outros vegetais crucíferos, no repolho há também substâncias antioxidantes capazes de reduzir os riscos de se adquirir diversos tipos de câncer.
É uma hortaliça que pode ser cultivada durante todo o ano, no entanto se desenvolve melhor em clima fresco e úmido. É produzido em todos os estados brasileiros, com destaque para as regiões Sudeste e Sul. No mundo, os maiores produtores de repolho são a China, Índia e Rússia.

O remédio – Ao ser consumido em quantidade razoável, o repolho diminui a probabilidade de desenvolver câncer de cólon, devido aos bioflavonoides, aos indóis, à genisteína e demais substâncias químicas presentes que inibem o crescimento de tumores e protegem as células dos danos causados pelos radicais livres liberados quando o organismo queima oxigênio. Como parte dessas substâncias acelera o metabolismo do estrogênio, as mulheres que consomem grande quantidade de repolho têm menos probabilidade de desenvolver câncer de mama, útero e ovário.
É aconselhado consumir o repolho nos casos de úlceras, náuseas, nevralgias, erisipela, gota, reumatismo e rouquidão. Favorece o sistema digestivo e o fígado. Além disso, o suco de repolho cru favorece a cicatrização de úlceras pépticas, por causa da metionina, um aminoácido encontrado em pequena quantidade nessa hortaliça.
Segundo o médico e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Jorge Boucinhas, há muito que ser dito sobre as propriedades do repolho no que se refere à proteção contra tumores malignos. O médico ressalta indícios epidemiológicos levantados na Alemanha e na Polônia, onde a variedade de repolho é muito apreciada em diversos pratos. De acordo com Boucinhas, as taxas de câncer de mama na antiga Alemanha Oriental eram significativamente mais baixas que na Alemanha Ocidental, mas depois da unificação o padrão da doença se tornou mais equilibrado.  “Embora houvesse obviamente muitas diferenças de estilo de vida entre os dois países, vale ressaltar que o consumo de repolho era muito mais alto na parte leste, tendo caído drasticamente depois de alcançada a reunificação germânica”, destaca.
Boucinhas lembra algo igualmente muito valioso que veio à luz em uma pesquisa realizada na Universidade de Illinois, Estados Unidos, qual estudou por que polonesas emigradas para aquele país apresentam taxa mais elevada de câncer de mama que as residentes na Polônia.  O repolho é um elemento básico na alimentação polonesa, no entanto pouco apreciado entre polono-americanos. “Seria um fator relevante? Para descobrir, os pesquisadores mantiveram, em tubos de ensaio, culturas de células mamárias cancerosas de extração humana, estimularam-nas com estrógenos agressivos e, em parte delas, adicionaram extrato de repolho. As células tratadas com repolho cresceram mais lentamente”, narra o médico.  Boucinhas lembra, também, que o repolho é rico em vitamina K, que vem recebendo atenção por seu papel no fortalecimento ósseo. 
“Há um truque para cozinhá-lo: nada de fervuras em água! Fazendo isto são liberados compostos sulfúricos, e a regra geral é que, quanto mais se cozinha, o cheiro acaba se tornando mais forte. Então, apenas corte em tiras e refogue em azeite de oliva. Em seguida, cozimento em vapor por alguns minutos. Acrescente-se um pouco de sal, pimenta, (para os que gostam), ou ervas aromáticas, mais uma pitada de açúcar, e despeje-o sobre talharim fino recém-cozido”, receita o médico, que ainda lembra ser ótimo para dietas hipocalóricas, por seu baixo conteúdo energético.
 Vale lembrar que o repolho é uma ótima fonte de fibras, e suas propriedades ajudam a melhorar os níveis de colesterol.  “Quando é consumido, funciona sequestrando ácidos biliares do trato intestinal, o que resulta em redução da referida gordura circulante no sangue. Igualmente contém antocianinas, que têm propriedades anti-inflamatórias, o que ajuda a reduzir as inflamações crônicas, como artrite, e previne insultos cardíacos”, sinaliza o médico.  Ele ainda lembra que há pesquisas, mas a serem melhor esclarecidas, que sugerem que o repolho roxo (só este, até agora, estudado) poderia reduzir as probabilidades do desenvolvimento da doença de Alzheimer. O médico finaliza que, como nada é perfeito, o consumo abusivo pode causar flatulências e, em algumas pessoas, dores abdominais.
  




Fonte: FC edição 952 - Abril 2015
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Um companheiro indesejável
São os nossos ouvidos que nos mantêm ligados com o mundo, em fina sintonia com a fala
Fibromialgia
Para alguns estudiosos, a fibromialgia é, ainda, um dos maiores mistérios da medicina
No limite
Para enfrentar o estresse a psicóloga recomenda primeiro reconhecer o próprio limite
Depressão: o mal do século
Ela atrapalha os relacionamentos, a vida social e o trabalho, de mais de 322 milhões de pessoas
Sem desculpas para se mexer
A prática de atividade física na terceira idade traz benefícios físicos, mas também psicológicos
Início Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados