O grãozinho que faltava

Data de publicação: 08/09/2017

Por Karla Maria



A soja é rica em proteínas, gordura e fibra alimentar. Pode, ainda, salvar sua saúde e a balança comercial do Brasil.

A soja, esse grãozinho amarelo poderoso, é originária da Manchúria, região localizada na China. Chegou ao Brasil no século 20, com imigrantes japoneses e chineses, mas o boom de sua produção em terras tupiniquins aconteceu na década de 1970, em tempos de mecanização e avanço tecnológico na área agrícola.
O grão foi ganhando espaço, terras, e tornou-se a cultura agrícola brasileira que mais cresceu nas últimas três décadas. Por aqui, os grãos correspondem a 49% da área plantada do País e são cultivados especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul, favorecidos pelo desenvolvimento tecnológico da pesquisa agropecuária brasileira, que adaptou a cultura da soja às condições do meio tropical. Atualmente, o Brasil configura-se como maior exportador e segundo maior produtor de soja no mundo.
Os impactos positivos da produção agrícola, em especial da soja, na balança comercial são indiscutíveis. O grão está entre as principais commodities do País ao lado de petróleo, café, suco de laranja, minério de ferro e alumínio. Mas a produção do grão também causa impactos socioambientais.
O estudo O arco de desflorestamento na Amazônia: da pecuária à soja, realizado pela Universidade de São Paulo em 2012, revela que no Mato Grosso, maior estado produtor de soja, a área de floresta desmatada correspondeu, entre 2003 e 2004, a um crescimento percentual de 6% em relação ao período anterior, ou seja, cerca de 26.130 quilômetros quadrados de desmatamento.
Em relação aos impactos sociais, o estudo observa o deslocamento de populações das áreas rurais das regiões de expansão da fronteira agrícola para as grandes cidades, devido à introdução da monocultura da soja por meio de mecanização, uso de fertilizantes e sementes melhoradas geneticamente, além da expansão de grandes propriedades de terra. “As grandes empresas ocupam espaços no campo antes utilizados por culturas familiares diversificadas, reduzindo o emprego no meio rural e a capacidade de produção de alimentos tradicionais, comprometendo a segurança alimentar da população”, destaca a publicação.
A soja também avançou até a Amazônia. Segundo o artigo Brazil's Soy Moratorium, publicado recentemente na revista Science por cientistas brasileiros e norte-americanos, entre 2001 e 2006, um milhão de hectares de floresta amazônica foram convertidos em campos de soja, contribuindo para taxas recordes de desmatamento.
Os autores afirmam que atualmente a soja é responsável por 1% de todo o desmatamento que ocorre na Amazônia, sendo a maior parte motivada pela abertura de pastos para a pecuária.

Os benefícios à saúde – Vários e diferentes estudos científicos comprovam a ação da soja na prevenção de doenças, como problemas de coração, alguns tipos de câncer, osteoporose, mal de Alzheimer e sintomas da menopausa nas mulheres. “Este alimento é rico em proteínas, gordura e fibra alimentar, quando consumido na forma de grão ou de massa de soja (a que foi gerada no preparo da bebida); os compostos bioativos chamados de isoflavonas (genisteína e daidzeína) podem resultar em alguma ação hormonal, o que deve ser monitorado”, explica a nutricionista Semíramis Martins Álvares Domene, membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.
Semíramis lembra que há diferentes formas de consumir o grão: cozido como o feijão, ensopado ou em salada, ou ainda torrado ou frito como petisco. Contudo, a maior parte do consumo de soja se dá na forma de subprodutos, dos quais o óleo é o mais conhecido.
Outra forma de consumo é a proteína texturizada de soja (PTS), também conhecida como proteína vegetal texturizada (PVT), que é vendida na forma de pequenos pedacinhos chamados pellets, com ou sem aromas, para imitar carne bovina, frango e até bacon.
“Há ainda o extrato de soja ou suco de soja (conhecido de forma incorreta como leite de soja) e o concentrado proteico chamado de tofu, que alguns confundem com queijo e chamam também erroneamente de queijo de soja”, conta a nutricionista.
 
Cuidados – Para preparar o grão em casa é preciso alguns cuidados. A soja precisa ser cozida por pelo menos 20 minutos em fervura, para eliminar compostos que atrapalham o aproveitamento dos nutrientes (são inibidores de enzimas digestivas e aglutinadores de hemácias, as células vermelhas do sangue).
“O preparo do grão em casa para produzir o extrato de soja dá origem à massa do grão, que pode ser usada para fazer bolos, bolinhos, tortas; já a farinha de soja é usada em mistura com farinha de trigo para o preparo de pães. Como se vê, trata-se de um alimento muito versátil”, explica Semíramis.
Ela lembra que a soja não deve ser consumida diariamente, mas pode ser incluída semanalmente em uma dieta diversificada. “Meu conselho é sempre procurar o consumo de grãos ou produtos da agroecologia, livre de agrotóxicos, e consumir com moderação. Quanto aos subprodutos como o PVT ou o extrato, devem ser consumidos raramente, especialmente quando aromatizados artificialmente”, conclui a nutricionista.










Fonte: FC edição 957- setembro 2015
Postado por: Família Cristã




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