Milagre brasileiro

Data de publicação: 25/09/2017

Por Nathan Xavier
 
 
Coração de mãe dói quando vê o filho machucado ou doente; para Eliana Polotto, 26 de abril de 1996 foi um dia doloroso, um momento de prova de fé, mas também o começo de uma história incrível

O motorista da ambulância era rápido, cumprindo sua missão. Como um maratonista disputando os milésimos de segundos que o distanciam de seu oponente, o tempo era uma das coisas mais preciosas nesse momento. As mãos de Eliana, médica de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, monitoravam o pulso do paciente à sua frente, as mãos firmes para não perder o ponto, apesar do balanço da ambulância. Estavam a caminho da Santa Casa de Misericórdia de Jaú e o paciente estava em estado grave. Eliana sentia que o pulso, o sinal da vida, estava indo embora. E aquela vida era algo mais para ela. Era seu próprio filho, João Paulo Polotto, então com menos de 6 anos de idade, que alguns minutos atrás havia sido atropelado por um caminhão.
O cenário era preocupante: o filho estava em coma, o crânio afundado e fraturado, João sangrava pelo ouvido esquerdo, nariz e boca, o lado esquerdo do corpo paralisado, e um dos olhos projetado da órbita. Ele acabara de sair do Hospital de Barra Bonita, onde através da radiografia foi constatado que precisava ser encaminhado para um hospital melhor aparelhado. Eliana queria ter ido ao Hospital de Rio Preto e não à Santa Casa de Jaú, pois em Rio Preto era médica e teria amigos e parentes para darem todo o apoio possível. Mas ouviu seu colega de profissão de Barra Bonita, com o dedo em riste, alertando que não daria tempo e que iria sim para Jaú. E ela sabia que ele tinha razão. Porém, a caminho da Santa Casa de Jaú, dentro da ambulância, sob os olhares preocupados da enfermeira, Eliana percebeu que o pulso de João Paulo ia ficando cada vez mais fraco. Até que não sentiu mais.
Era madrugada quando Eliana saiu de casa com os filhos João Paulo, de 5 anos e meio, e Pedro Paulo, de 9 anos, para a excursão do Colégio São José, onde Pedro estudava, para a cidade de Barra Bonita. Quando chegaram à cidade, esperavam o barco para a visita às barragens, como milhares de alunos e visitantes fazem todos os anos, em uma praça onde vendem lembranças turísticas do local. Por volta das 9h30, um dos meninos gritou que o barco havia chegado e nesse momento, seu caçula, João, saiu correndo atravessando a avenida que separa a praça do píer, sem olhar para os lados. Um caminhão o atropelou, lançando-o alguns metros à frente. Foi a própria Eliana que retirou seu filho, em estado gravíssimo, junto do pneu do caminhão.

A fé − “Quando estávamos dentro da ambulância, com ele morrendo na minha frente, eu fui lembrando de diversas passagens da Bíblia em que Jesus curava os leprosos, quando dizia ‘Sua fé te salvou’, ‘homens de pouca fé’ e outras relacionadas à cura.” Apenas 15 dias antes do acidente, uma freira conhecida deu uma figura de Jesus a Eliana, para que colocasse na carteira dizendo: “A foto não faz milagre, mas a sua fé faz. Quando precisar, se você rezar olhando pra ele, você consegue mais”. Eliana, na ambulância, nem sabia se a foto estaria na carteira, mas quando abriu, lá estava a figura de Jesus. “Nesse momento, rezei muito, com toda a minha força. Pedi a Jesus e a Nossa Senhora que curassem meu filho.”
Enquanto isso, frei Abelardo Benito, que também acompanhava a excursão dos alunos, ligou para o diretor do colégio, frei Luís Miguel Gutierrez, avisando sobre o acidente e pedindo orações. Imediatamente frei Luís pediu a intercessão de frei Mariano de la Mata, que havia falecido com fama de santidade e já possuía diversos relatos de graças alcançadas em seu nome.
Por isso, talvez não tenha sido surpresa alguma para o frei agostiniano quando, ainda rezando ao padre Mariano, recebeu a ligação do frei Abelardo, avisando que o perigo maior já tinha passado. E talvez também não tenha se surpreendido quando os médicos que acompanharam o caso não conseguiram dar nenhuma explicação assim que João Paulo Polotto, sem intervenção cirúrgica, quatro dias depois, ganhou alta do hospital. “Não tenho dúvidas de que teve algo além da ciência”, afirma Eliana. “Ele surpreendeu pela rapidez da cura: foram apenas quatro dias.” Colega de Eliana, o neurocirurgião Oderzio Marcato resume bem o caso. Foi visitar João Paulo depois de dez dias do acidente e, ao chegar, encontrou-o brincando, andando de patins, conversando, como se nada tivesse acontecido. Ele olhou para Eliana e disse: “Você é médica, e eu sou médico. A medicina não explica este caso. Ele até poderia não ter morrido, até poderia ficar sem sequelas, o que seria mais difícil ainda, mas para ele estar como está agora, demoraria pelo menos quatro ou cinco meses”.
A rápida recuperação de João Paulo foi motivo de investigação do Vaticano por oito anos, ouvindo especialistas da área e submetendo-o a exames adicionais. A conclusão foi de que, realmente, não havia explicação científica para uma recuperação tão perfeita, em pouco tempo, sem cirurgias e sem fisioterapia. A conclusão de tantas orações de Eliana e do frei Luís Miguel não poderia ser melhor: no dia 5 de novembro de 2006, padre Mariano de la Mata, agostiniano, que viveu e trabalhou no Brasil por tantos anos, doando sua vida aos doentes e às crianças, foi beatificado.
Eliana Polotto observa que tudo na vida tem uma razão de existir. Para ela, tudo o que aconteceu foi para provar que a ciência e a religião precisam, sim, andar juntas: “Soube depois que padre Mariano era professor de Ciências, e que meu avô, também médico, era amigo de padre Mariano. E mais: o beato Mariano foi operado justamente na Santa Casa de Jaú, onde meu filho chegou morrendo e saiu andando”.





Fonte: FC edição 949- janeiro 2015
Postado por: Família Cristã




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