Empreender S/A

Data de publicação: 25/09/2017

Por Renan de Souza
 

Os brasileiros estão cada mais propensos a abrirem seus próprios negócios, por sua vez, muitos jovens não perdem tempo, apostam alto e com ótimos resultados

Em novembro do ano passado, um garoto ganhou as páginas dos jornais por vender pulseirinhas de borracha. Matheus Bustamante Battiato, de apenas 10 anos, vendeu centenas delas que ele mesmo confeccionava, para ir ao show de Paul McCartney em São Paulo (SP). Incentivado pela mãe e com a ajuda de uma tia, postou um vídeo na internet fazendo a propaganda do material, vendido a 4 reais. Em pouco tempo, conseguiu o dinheiro que precisava, ultrapassando a meta. E mais: ele havia feito duas pulseiras extras, uma totalmente amarela, referência ao álbum Yellow Submarine, dos Beatles, e outra verde e amarela, cores do Brasil, para entregar de presente ao sir Paul McCartney. O desejo chegou aos ouvidos da produção de Paul, que, minutos antes do show, recebeu pessoalmente o garoto e sua “supertia”, como disse o próprio ex-Beatle, conversando com os dois por alguns minutos. No dia 26, lá estava Paul usando a pulseirinha verde e amarela durante todo o espetáculo. Por que não? Se the submarine is yellow the sea is green.
Mesmo tendo feito o acessório para algo pontual, a história de Matheus exemplifica bem a nova geração de empreendedores que surge no Brasil: jovens com metas claras, muitas ideias e que divulgam seus produtos utilizando, principalmente, a internet. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje) em parceria com a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, aponta que 61% dos jovens brasileiros, com idade entre 18 e 39 anos, já possuem seu próprio negócio e, destes, 58% estão na faixa de 21 e 30 anos. A maior parte é do sexo masculino e 44% tem o ensino superior completo.

Chocolate no face – Amanda Vieira Leal, 21 anos, trabalhava na área de farmácia e fazia ovos de Páscoa para complementar a renda. Incentivada pelos elogios dos clientes e com o apoio do marido, largou o emprego e abriu a Chocolar, fazendo doces para festas. Ainda está no começo, mas segue com a produção a todo vapor e juntando dinheiro para comprar equipamentos melhores. A divulgação é por boca a boca e com o uso do facebook: “Graças às redes sociais, eu comecei a ter mais encomendas, e tudo o que eu faço eu tiro foto e coloco no facebook”, afirma Amanda. De acordo com Fernando Milagre, diretor de Projetos do Conaje, a internet tornou-se uma plataforma importante para a propaganda dos novos empreendedores, como um “boca a boca virtual”, ajudando na divulgação do produto entre clientes.
O calcanhar de aquiles dos jovens empreendedores, segundo Fernando, está na falta de preparo e de dinheiro. Apesar dos elogios dos clientes, Amanda sabe que precisa correr para aprender mais técnicas, por isso, afirma que está fazendo cursos na área, mas “os cursos geralmente são caros, então vou fazendo aos poucos”, lamenta. O Relatório da Pesquisa Global de Empreendedorismo, de 2013, mostra que o brasileiro tem empreendido por oportunidade ao invés de necessidade, por isso, assim como Amanda, muitos largam o emprego para abrir seu próprio negócio.

Nichos – Antenados nas novidades e tendências, os jovens costumam identificar necessidades e nichos de mercado com maior facilidade. Foi assim que nasceu, em Cuiabá (MT), a Meu Bolo Caseiro, um site de assinatura de bolos. Acompanhando a recente febre por bolos tradicionais, simples e sem recheio, o site de Angelita Paiva, que comanda a produção dos bolos, e Laura Burttet, diretora comercial, apostou no diferencial de assinaturas para ganhar mercado. E deu certo. Em menos de um ano de funcionamento, a empresa já tem pessoas interessadas em abrir franquias em outros estados. O serviço funciona de forma simples: são quatro opções de mensalidade, de 15 a 60 reais, entregando de um a quatro bolos por mês para mais de 40 bairros na cidade. E as mensalidades mais caras têm entrega gratuita.
Fernando Milagre, do Conaje, recomenda aos jovens empreendedores procurarem o máximo de informações a respeito do negócio e da área que pretende entrar. Contatar entidades como o próprio Conaje ou o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) contribui para as dificuldades não se tornarem um pesadelo. “Essas pequenas dicas iniciais podem decidir o futuro do negócio.” Em coluna no site da revista Entrepreneur, o empreendedor americano John Rampton listou dicas de empreendedorismo para quem é jovem mas já quer criar o próprio negócio. Confira no boxe ao lado.

boxe
Nove dicas
1) Faça o que você gosta
Segundo o empreendedor americano John Rampton, quem faz o que ama tem uma grande vantagem: em tempos difíceis é a paixão que mantém o empreendedor de pé.
2) Não "abrace o mundo"
A juventude é um período fértil para as ideias, mas Rampton recomenda direcionar as energias para apenas uma.
3) A internet é uma mina de ouro
A rede tem inúmeras fontes de informação. Pela web, você pode entender como montar uma empresa, se comunicar com outros empreendedores e encontrar dicas de gestão.
4) Encontre um mentor
Uma pessoa certa por perto para guiar os passos, e que ajude com experiência, e rede de contatos, pode ser decisiva para o futuro.
5) Cuide de sua saúde
Rampton afirma que sabe muito bem como são os jovens empreendedores: eles se acham indestrutíveis. Mas não são. Se você não se cuidar, pode ser que você não aproveite o crescimento da sua empresa. Exercícios físicos, refeições saudáveis e bom sono são grandes aliados contra o estresse.
 6) Use a lógica
Além de delimitar seu público-alvo, saiba que vários pontos são importantes para o sucesso. Por exemplo, um restaurante que funciona até tarde não pode ficar em um distrito comercial em que todo mundo vai embora depois das 18 horas.
7) Saiba explicar seu negócio em uma frase
Se você sofre para mostrar sua área de atuação, pode ser que sua ideia ainda não esteja boa. Ideias confusas fazem clientes e investidores procurarem a concorrência.
8) Você ainda precisa obedecer
Uma das razões que mais estimulam o empreendedorismo é o desejo de não ter patrão. Mas ainda há regras. Você tem que registrar sua empresa e pagar impostos. Pior: um dia de oito horas de trabalho pode ser substituído por horas sem dormir. E agora é preciso cuidar dos funcionários, motivando-os e pagando os salários no tempo certo.
9) Não tenha medo de desistir
Rampton diz que 90% de seus projetos falharam logo no início. Segundo ele, isso é normal. O problema é o empreendedor desistir na primeira tentativa ou ficar tentando salvar algo que não deu certo. Para ele, é importante praticar o desapego – não deu certo, diga adeus. Fracassar é aprender. A cada novo projeto que você comece, menores serão as chances de cometer os mesmos erros.





Fonte: FC edição 950- fevereiro 2015
Postado por: Família Cristã




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