Nana, neném

Data de publicação: 05/10/2017

Por Sérgio Esteves


Longe de ser um mau costume, ninar o bebê é um ato que transmite intimidade, confiança e sustentação emocional às crianças

Os bebês chegam da maternidade trazendo geralmente um sentimento de realização que só os pais e, em especial, as mães conhecem. Junto com eles vem o compromisso em fazer o novo membro se adaptar à família. Por parte dos pais, a recíproca quase sempre é verdadeira: se empenharão para se ajustar ao bebê. A partir daí o primeiro passo para se chegar a um bom convívio será acertar os horários de vigília e sono das duas partes. Os marinheiros de primeira viagem, no entanto, precisam de paciência, pois bebês têm necessidades específicas. Nas primeiras semanas, eles dormem até 18 horas diárias e é necessário acordá-los a cada três ou quatro horas para a mamada, troca da fralda e uma interação com a família e o ambiente. Seja de dia ou de noite. Alguns pais sortudos poderão ter bebês que, já aos 2 meses, dormem a noite inteira, porém o mais provável é que, na maioria dos casos, isso só ocorra no sexto mês em diante.
Ajudar o bebê a dormir, portanto, é uma forma de ajudá-lo a se desenvolver em suas primeiras semanas de vida. E se isso puder ser feito com carinho, melhor, como garante a psicóloga e psicanalista Christine Bruder, fundadora do Primetime Child Development, um centro de desenvolvimento para bebês até 3 anos. Segundo ela, é natural a criança buscar pela mãe nos momentos de relaxamento para se sentir segura. “Os bebês estiveram dentro do ventre materno ouvindo uma sinfonia de ruídos, entre elas a voz da mãe. Logo, é natural que busquem por seus movimentos, colo e companhia para adormecer”, garante a especialista, para quem ninar um bebê não é, como alguns imaginam, um mau costume, mas um ato que transmite intimidade, confiança e sustentação emocional. “Colo não faz mal nem vicia, essa é uma ideia ultrapassada. Dar o colo quando a criança pede significa que o adulto está disponível física e emocionalmente. Em alguns hospitais do mundo, pôr o bebê no colo e niná-lo já é considerado até um tipo de tratamento”, reforça. 

Noite e dia – Embora não exista um jeito único de fazer um bebê dormir, o mais correto pode ser adotar um método que o ajuste à maneira de ser da família e seja confortável para os pais. Uma estratégia a ser utilizada para evitar que o bebê troque o dia pela noite é começar a ensiná-lo, já a partir da segunda semana de vida, que há diferença entre dia e noite. Uma maneira de fazê-lo entender isso é manter a casa, inclusive o quarto do bebê, iluminada durante o dia e não evitar barulhos da rotina doméstica, como o do telefone, das conversas ou do aspirador de pó, mesmo com o bebê dormindo. Se ele tem o hábito de dormir durante as mamadas, acorde-o, converse com ele e o distraia com brincadeiras. Já à noite, se precisar acordá-lo para uma eventual mamada, acenda o mínimo de luzes e não faça barulho.
Um segredo para o bebê não ficar dependente do seu colo sempre que for dormir é colocá-lo no berço antes que ele adormeça para que, assim, ele o faça sozinho. “É interessante ninar o bebê e colocá-lo calmo e relaxado no berço, mas ainda acordado, assim ele tem condições de dormir sozinho. Deixar um bebê sereno no berço para aprender a adormecer sozinho é saudável e funciona bem com muitas crianças. Já outras precisam aprender a se regular no colo do adulto até poderem fazer isso por elas mesmas”, afirma Christine.

Berço e cama – Segundo a psicóloga, um bom momento para o bebê fazer a transição do berço para a cama é quando ele já ficar em pé sobre o colchão e tentar escalar as grades. “Mesmo que a criança não saia, a mudança deve ser feita por segurança”, recomenda. Outra indicação é que a cama seja baixa e possua grade lateral. “Para tornarem o ninho mais aconchegante, os pais podem colocar na caminha um travesseiro, almofada ou manta que ficava com o pequeno no berço”, afirma. Essa fase de adaptação, informa a psicóloga, será marcada pela criança levantando e saindo da cama várias vezes, pois isso faz parte do sentimento de liberdade e da independência que a mudança gera. “Após as primeiras semanas, a cama não será mais novidade e a criança terá superado a ansiedade da mudança”, finaliza a psicóloga.

Box
De barriga para cima
Um estudo de 2015 realizado no Hospital Infantil Rady, na Califórnia, confirmou que a posição do bebê durante o sono é o maior fator de risco para a síndrome da morte súbita infantil. Nos Estados Unidos, cerca de 2.500 crianças morrem anualmente devido à síndrome; na Europa, outras 5 mil. Com isso, o problema é a principal causa de mortalidade entre bebês de até um ano em países desenvolvidos – no Brasil não constam estatísticas. Segundo o estudo, os pais devem seguir orientações de especialistas para garantirem um sono seguro aos bebês, a saber: colocá-los para dormir de barriga para cima em um berço com colchão firme e sem cobertores, brinquedos e almofadas ao alcance. Os bebês também não devem dormir junto com os adultos para evitar esmagamentos. Estudos indicaram que 85% das mortes acontecem com crianças que dormem de barriga para baixo e, também, com aquelas que compartilham o leito com outras pessoas.
Segundo especialistas, o tabagismo materno durante a gestação e o primeiro ano de vida do bebê também aumenta o risco de morte súbita em quatro vezes. O hábito que algumas mães têm de cobrir a criança até a cabeça é outro perigo. Em até 22% dos casos de morte os bebês foram encontrados com a cabeça coberta ou enrolada em cobertores, o que leva a um aumento de casos no inverno. Outra recomendação: a criança nunca deve mamar ou comer deitada ou dormindo para evitar sufocamento. Especialistas alertam que é um mau hábito de certas mães acharem que o bebê não pode dormir com fome, enquanto a verdade é uma só: se ele dormiu é porque não estava com fome. Por último, mas não menos importante: a criança nunca deve ser posta para dormir com o estômago muito cheio. No mínimo, ela precisa arrotar antes, como já ensinavam nossas avós.






Fonte: FC edição 967- julho 2016
Postado por: Família Cristã




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