Preserve-se!

Data de publicação: 13/10/2017

Por Irene Paz

   
O Brasil tem, em média, quatro crianças de até 1 ano sofrendo de sífilis congênita, quando o recomendável pela Organização Mundial da Saúde é de 0,5

Uma das mais antigas doenças infectocontagiosas da humanidade, cujo primeiro relato conhecido remete ao ano 400 a.C., na Grécia Antiga, voltou a incomodar o mundo. Transmitida por relação sexual, transfusão de sangue contaminado e também de forma congênita, quando a mãe passa a doença ao bebê, a sífilis atinge atualmente mais de 12 milhões de pessoas no planeta, e sua erradicação desafia a saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Hoje, quase 1 milhão de mulheres grávidas em todo o mundo são infectadas anualmente com a sífilis, o que pode resultar em abortos, fetos natimortos, mortes neonatais, bebês com baixo peso ao nascerem e com infecções neonatais graves. A única boa notícia em relação à doença fica por conta de Cuba, que, em junho, se tornou o primeiro país do mundo a receber a validação da OMS de eliminação da transmissão vertical – de mãe para filho – da sífilis e do HIV, vírus que transmite a Aids.
O Brasil, por sua vez, não tem boas notícias. Segundo o Ministério da Saúde (MS), o número de grávidas com a doença pulou de 1.863, em 2005, para 21.382, em 2013, registrando alta de 1.047%. No mesmo período, as notificações de sífilis congênita saltaram de 5.832 para 13.705, com crescimento de 135%. Segundo infectologistas, o aumento deve-se ao maior acesso das gestantes aos exames de pré-natal e, por outro lado, a uma maior prática do sexo desprotegido. Seja como for, os bebês é que sofrem. De 2000 até 2013, o número de mortes de bebês – que evolui ano a ano – chegou a 1.241. “Temos a média de quatro crianças de até 1 ano que sofrem com sífilis congênita quando o recomendável pela Organização Mundial da Saúde é de 0,5”, reconhece Adele Benzaken, diretora adjunta do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) do MS. Também aumentaram os casos da doença que ocorrem por via sexual, em 13 dos 14 estados do País que dispõem de notificações.

Evolução – “A maior epidemia dos últimos dez anos no Brasil é a de sífilis”, confirma o coordenador de Comunicação da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alexandre Cunha. O recrudescimento, porém, não é de agora. Através da história, a doença acompanha a evolução humana e dá sinais de maior ou menor presença conforme se alteram certos hábitos culturais. Com a explosão da revolução sexual nos anos 1960, por exemplo, a sífilis reapareceu fortemente em razão da promiscuidade sexual. No início dos anos 2000, devido ao resultado das campanhas maciças pregando o uso de preservativos, no combate à pandemia da Aids, os casos de sífilis sofreram um refluxo e, agora, com os bons resultados das terapias químicas contra essa síndrome, as pessoas novamente se descuidaram, através de um maior número de relações sexuais desprotegidas, provocando um novo aumento de casos da doença.
Portanto não há meias palavras quando se fala em prevenir a sífilis e as demais DSTs: o uso de preservativos durante as relações sexuais é a maneira mais segura para as pessoas sexualmente ativas evitarem essas doenças. Em particular, a sífilis é provocada pela bactéria Treponema pallidum, presente em lesões infecciosas no homem ou na mulher. Nos adultos, o seu primeiro sintoma é uma pequena ferida rósea de fundo esbranquiçado, indolor, na ponta do pênis, nos grandes lábios da vagina ou na mucosa da boca, como uma afta. Em geral, ela surge, em média, 21 dias após o contágio. A lesão às vezes é difícil de ser detectada nas mulheres, pois pode surgir na parede vaginal ou no colo do útero. E como não dói e desaparece logo, muitas pessoas não vão ao médico. É quando a doença cai na corrente sanguínea vindo a provocar, após seis a oito semanas, a sífilis secundária: manchas avermelhadas na pele, em especial na palma das mãos, queda de cabelo e dores nas articulações. Depois vem a sífilis terciária, quando são acometidos cérebro, sistema cardiovascular, pele, músculos, ossos e fígado. Esse ciclo todo é lento, demora até 30 anos, e durante esse tempo a pessoa transmite a doença através das relações sexuais desprotegidas. Se não, claro, morrer antes.

Alerta – O lado menos trágico é que a doença é de tratamento relativamente fácil, com diagnóstico rápido e de baixo custo, desde que o paciente procure ajuda médica na manifestação dos primeiros sintomas. A terapia é feita com penicilina benzatina, antibiótico conhecido como Benzetacil, ministrado também contra a sífilis congênita. Mas – fique claro – isso não deve deixar as pessoas mais propensas às relações sexuais desprotegidas. Ao contrário, sobram razões para um alerta: segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, os serviços privados e do Sistema Único de Saúde (SUS) de alguns estados como Bahia, Alagoas, Paraná e Roraima estão com estoque zero de penicilina benzatina. Em uma solução emergencial, o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do MS, José Miguel Júnior, anunciou que está em fase final o processo de aquisição de 2 milhões de frascos do remédio pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Também foram solicitados 700 mil frascos com dispensa de licitação. Todo cuidado é pouco!





Fonte: FC edição 960- dezembro 2015
Postado por: Família Cristã




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