Um zunzunzum no ar

Data de publicação: 20/10/2017

Por Sérgio Esteves


O mel é basicamente uma solução saturada de açúcares, água, enzimas e outros elementos que resultam em um produto complexo e nutritivo

Diz a sabedoria popular, chamando a atenção para o equilíbrio da natureza, que se Deus desse asas à cobra tiraria seu veneno. O ditado é injusto com um dos exemplos mais bem-acabados do reino animal: a abelha. Porque dessa prima das formigas e vespas não se perde o voo, através do qual acontece cerca de 80% da polinização indispensável para várias culturas agrícolas – maçãs, peras, milho etc. –, nem o veneno, chamado apitoxina, devido às propriedades terapêuticas nele contidas. Ainda assim é sobretudo no campo da alimentação, que o mel, revela a maior virtude das abelhas Apis mellifera, frutos dos cruzamentos ocorridos no Brasil entre as espécies europeias (como a Apis mellifera caucasica) e africanas (Apis mellifera scutellata). O País já ocupa a 11ª posição no ranking dos produtores mundiais de mel, dando conta de uma extração de mais de 50 mil toneladas por ano.
Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil é o quinto maior exportador de mel do mundo. Aliás, o País nunca vendeu tanto desse produto para o exterior como em 2014. De acordo com a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), foram 25 mil toneladas, volume 56% maior que o de 2013. Um salto a se considerar pois até os anos 1980 o mercado interno era abastecido por méis importados do Uruguai e Argentina. Hoje, o Brasil abriga mais de 350 mil apicultores, quase todos agricultores familiares, e cerca de 300 indústrias. Também responde por 450 mil postos de trabalho no campo e 16 mil na indústria. Entre outras razões porque o mel nacional é apreciado mundo afora. Sua qualidade é ser isento de contaminantes, além de suas fabricantes terem uma genética invejável por trabalharem em biomas formados por muitas áreas ainda nativas, o que as faz independentes de fármacos e aditivos químicos. Algo cada vez mais raro em outros continentes.

Biologia complexa – As abelhas nativas do Brasil – jataís, tiúbas, mandaçaias, uruçus e jandaíras – perdem para as Apis melliferas na preferência dos apicultores por razões comerciais. As Apis têm uma capacidade produtiva quase cem vezes maior e isso, para quem vive da terra, onera no orçamento. Aos poucos, porém, as nativas conquistam seguidores devido à tendência de se ver no mel também um produto que, como os queijos e vinhos de grife, expressa o sabor e a cultura de uma região. Como, por exemplo, somente o vinho espumante branco produzido em Champagne (França) pode ser rotulado de champanhe, a propensão futura é que os méis de origem se valorizem por seus sabores que variam conforme o solo, clima, floração e, claro, a “assinatura” das abelhas. Por enquanto, porém, o que predomina no varejo é o mel genérico produzido pelas populares Apis, facilmente reconhecidas devido a suas cores amarela ou alaranjada com listras pretas no abdome. 
O mel produzido por essas operárias é basicamente uma solução saturada de açúcares, água, enzimas, proteínas, ácidos, sais minerais e outros elementos que resultam em um produto biológico complexo do ponto de vista químico. E ainda que esse não seja utilizado estritamente como medicamento, estudos científicos já comprovaram suas utilidades terapêuticas. Sua aplicação e a de outros produtos das abelhas – própolis, pólen, geleia real, cera e larvas de zangão – com fins terapêuticos até recebeu um nome: apiterapia. Essa modalidade de medicina alternativa vem se desenvolvendo nos últimos anos devido à crescente procura no Ocidente por métodos de cura naturais, mesmo em países onde a alopatia se consagrou. Um exemplo é a Alemanha, que, com base em inúmeros trabalhos científicos, adotou a apiterapia como prática oficial em sua rede pública de saúde. França e a Itália também já fomentam a produção do mel para tratamentos de úlceras e de problemas respiratórios.

Calórico – Dentro da medicina alternativa, as mais comprovadas aplicações terapêuticas do mel dizem respeito às suas propriedades antimicrobianas, antissépticas e antibacterianas, fazendo com que a apiterapia o empregue como elemento coadjuvante em diversos tratamentos preventivos. Deixando um alerta a respeito da falta de publicação de trabalhos científicos que comprovem a eficácia do mel no tratamento de várias enfermidades, os adeptos da apiterapia adotam o produto no tratamento de doenças renais, afecções do aparelho respiratório (misturado com limão, o resultado pode ser um poderoso xarope) e problemas gastrointestinais (age sobre a flora intestinal). Há também quem veja no mel um tônico para o fígado, olhos, sistema nervoso e pele. Já quanto ao seu valor calórico, não há maiores discussões. Cada quilo do produto corresponde a cada um desses alimentos e seus respectivos pesos: 2,6 quilos de peixe fresco; 1,4 quilo de carne de porco; 5,4 quilos de maçã; 1,7 quilo de carne bovina; 50 ovos, 25 bananas ou 40 laranjas.




Fonte: FC edição 954- junho 2015
Postado por: Família Cristã




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