Sacramento da penitência

Data de publicação: 30/10/2017

Por Frei Luiz Turra

O Sacramento da Penitência e um pouco de sua história. Ao observar as formas históricas, pode-se vislumbrar quais sãos os elementos essenciais

Dar atenção à história é sempre uma atitude de sabedoria. Isso nos ajuda a perceber o que foi circunstancial e o que é fundamental. A reconciliação ou penitência é o rito que passou por incontáveis mudanças por razões culturais e teológicas. Observando as formas históricas, podemos vislumbrar quais sãos os elementos essenciais.

Na história das religiões − Os ritos de expiação sempre existiram na história das religiões. Isso comprova a realidade humana sempre sujeita a contradições, mas, ao mesmo tempo, a possibilidade do perdão. Tanto o indivíduo como a comunidade podem entrar em estado de inimizade com a divindade. Nem a realidade, as desgraças, a dor, a perseguição, as crises econômicas e a morte se tornam sinais que levam a reconhecer a situação de pecado. Tais fenômenos estariam revelando a violação de leis morais ou de algum tabu. As formas penitenciais, definidas pelas diversas culturas, confirmam um caminho penitencial para redimir as relações com a divindade e apaziguar o grupo.

No Antigo Testamento − A experiência penitencial, os convites à celebração penitencial e os ritos penitenciais no Antigo Testamento estão próximos da realidade da Aliança. Da parte de Deus, a fidelidade à Aliança é sempre assegurada. Da parte do seu povo, o pecado estava sempre ameaçando rompê-la. Daí a necessidade de uma contínua pregação de penitência por parte dos profetas. Assim o comprovamos em Joel 1,13-15; 2,12-19; Amós 4,4-12; Isaías 63,7 – 64,1-8; e Esdras 9,5-15.
O povo de Israel servia-se de práticas penitenciais que expressavam conversão e reconciliação, como jejuns, orações, sacrifícios no templo e liturgias comunitárias. Um momento forte penitencial é a festa da expiação, ou Yom-Kippur. Não podemos esquecer a prática da “excomunhão” do judaísmo extra bíblico, na qual se impunham castigos ou condições severas para uma possível reintegração na comunidade. Jesus deparou-se com essa prática.

No Novo Testamento − Com Jesus, chegou um novo anúncio do perdão e da reconciliação. A conversão aos valores do Reino era o motivo de seu chamado radical. Jesus aproxima-se dos pecadores, perdoa, mas não oculta o pecado nem dispensa a conversão. Jesus não se preocupa com formas penitenciais, mas, sim, com a mudança e a transformação do coração. O que valem são as atitudes, as relações e os conteúdos novos. Isso comprovamos em Mateus, 18; 9,1-8; e João 20,21-23. Jesus deixa bem claro que Ele veio para “chamar os pecadores” (cf. Mt 9,13; Mc 2,17). Chama-os para que se convertam e vivam (cf. Lc 5,32).

Primeiras comunidades − Tudo começa pela consciência que os cristãos tinham de terem sido salvos e reconciliados e terem a missão de salvar e reconciliar. Os batizados eram chamados “santos”, mas na comunidade dos santos há também pecadores. Diante dessa realidade, surgem algumas práticas penitenciais:
A prática de exortar e animar a viver a vida nova (cf.1Cor 8,11-12; Hb 2,12; 1Ts 5,11-14).
A correção fraterna, conforme o Evangelho de Mateus (cf.Mt 18,15-16; Tg 5,16; 1Tm 5,20).
A “reconciliação fraterna”, como pressuposto para o perdão de Deus e validade da oferenda (cf. Mt18, 21-22.32-35; 5,23-24; 6,14-15).
A prática “curativa-penitencial” implica um esforço que possibilite a reconciliação (cf. Mt 18,15-18; 1Cor 5,1-11). A forma de penitência “oficial” que mais chama a atenção na comunidade primitiva é a excomunhão, porque o pecado é também uma ofensa à comunidade, não somente a Deus. Isso não dispensa a caridade e o esforço para recuperar o pecador.

Através dos séculos − Sendo divina e humana, a Igreja sempre se preocupou com a realidade do pecado, a situação dos pecadores e os modos de processar a redenção. O pecado pessoal não atinge somente o indivíduo, mas também a comunidade. Por esse motivo, através dos séculos sempre houve a preocupação de responsabilizar também a comunidade no exercício da penitência.
Do século 3º ao 7º, a “Penitência canônica caracterizava-se por ser pública-comunitária e por sua rigidez. Era concedida uma só vez e exigida como um caminho de conversão”.
Do século 7º ao 13º, a “Penitência tarifada”, que consiste na “taxação” precisa das penitências, conforme a gravidade maior ou menor de cada pecado. Nesse contexto, além do bispo, o presbítero pode ser ministro; a penitência pode ser repetida conforme a necessidade; começa-se a privatizar a confissão e passa a ser o elemento mais importante.
Do século 13º ao 20, a “Penitência de confissão”, o principal deste sacramento passa a ser a confissão auricular, com absolvição imediata. Esse modo confirma que já é suficiente a “humilhação e a vergonha” e que a absolvição imediata expressa o poder de Cristo dado aos seus sacerdotes.
Do Concílio Vaticano II aos nossos dias, a “Penitência de reconciliação”, se confirma no nome Sacramento da Reconciliação ou Penitência, garantindo o fundamento bíblico. Acentua-se a dimensão de processo dinâmico de conversão; é um fato eclesial, não um “ato privado”. A fórmula da absolvição é nova; recomenda-se a iluminação da Palavra de Deus; acentua-se a ação de graças; sugerem-se formas alternativas de celebrar e o cuidado com o lugar favorável.

Perguntas
1.    Que elementos básicos revelam os diversos modos de celebrar a penitência?
2.    Quais os motivos pelos quais esse sacramento preocupou e preocupa a Igreja?
3.    O que se nota ter melhorado no Sacramento da Reconciliação após o Concílio Vaticano II?





Fonte: FC edição 944- agosto 2014
Postado por: Família Cristã




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