Força na leguminosa

Data de publicação: 03/11/2017

Por César Vicente


Em países ricos ou pobres, o amendoim ajuda a combater a fome e está a serviço da segurança alimentar

Relegada a um segundo plano no Brasil após a expansão das fronteiras agrícolas da soja, nos anos 1970, a cultura do amendoim ensaia uma recuperação que, embora ainda não a recoloque no mesmo patamar de 40 anos atrás, quando o País produzia 1 milhão de toneladas ao ano da oleaginosa, pode levá-la a uma posição competitiva. Isso porque produtores paulistas de cana-de-açúcar descobriram que cultivar esse grão da mesma família do feijão e da ervilha em sistema de rotação ou na entressafra da cana é um bom negócio: recupera o solo por favorecer nele a fixação do nitrogênio – nutriente responsável pelo crescimento das plantas –, não deixa a terra ociosa e aumenta sua rentabilidade. Resultado: São Paulo, maior produtor de cana-de-açúcar do País, já detém 80% da produção nacional de amendoim e deverá colher uma safra recorde de 376 mil toneladas do produto ao fim da temporada 2014/15. O restante da produção nacional espalha-se por Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia e pequenas lavouras familiares de outros estados.
Na medida em que novos produtores de cana adiram ao amendoim, a produção nacional deve ir além do 11º lugar no ranking mundial. Esse potencial já despertou o interesse de tradings, empresas exportadoras como a francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), uma das maiores processadoras de grãos do mundo e que recentemente anunciou sua entrada no Brasil para comercializar o óleo e o farelo do produto. A expectativa da empresa é ver o País seguir os passos da Argentina, maior produtora da América Latina, e um dia encostar na Nigéria, Índia, Estados Unidos e até a China, maior produtora da oleaginosa do mundo e que produz até 15 milhões de toneladas ao ano do grão. China e Estados Unidos, aliás, destacam-se também como grandes consumidores. A primeira absorve 95% da sua produção, e o segundo tem na manteiga de amendoim, consumida diariamente em sanduíches, uma mania nacional por se tratar de uma rica e acessível fonte de proteína.

Antioxidante – Seja em países ricos ou pobres, o amendoim ajuda a combater a fome e está a serviço da segurança alimentar. Exemplo disso é um suplemento composto pelo produto e idealizado pelo cientista francês Andre Briend, que, no início desta década, ajudou a reduzir a mortalidade infantil em países da África Subsaariana, onde 25% das crianças morrem de desnutrição antes de completar cinco anos de idade. No Brasil, mais exatamente no estado da Paraíba, em 2004, o amendoim também foi implantado com sucesso na alimentação de alunos da rede pública escolar. Não é para menos. A maior propriedade alimentícia do grão está em sua composição de alto teor nutricional e proteico. O amendoim leva 25% de proteínas, é rico em vitamina B3, que atua sobre o sistema digestivo e tônus muscular, e em vitamina E, um poderoso antioxidante que protege as células dos danos provocados pelos radicais livres, ajudando a retardar os efeitos do envelhecimento e a prevenir doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
A nutricionista Vanderli Marchiori, da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), acrescenta que o grão ajuda a combater a obesidade reduzindo o apetite e a gordura abdominal. Seu consumo pode ser iniciado já a partir dos três anos de idade e se estender até aos maiores de 60, pois, por ser um excelente antioxidante, reduz a degeneração das células, inclusive cerebrais. E, ainda que não possua agentes afrodisíacos, o amendoim ajuda mesmo a melhorar o desempenho sexual devido a sua alta dosagem de arginina, um aminoácido que ativa a circulação sanguínea inclusive nos órgãos sexuais. Também as gestantes devem incluir essa oleaginosa na dieta, porque o ácido fólico nela contido é essencial para formar corretamente o sistema nervoso do feto e reduzir infecções comuns na gravidez e evitar a anemia. Mas por ser altamente calórico – 100 gramas equivalem a 600 calorias –, o amendoim deve ser consumido com moderação: não mais de 40 gramas diárias, o equivalente ao que cabe na palma da mão de um adulto.

Biodiesel – Além de alimento, esse grão é uma fonte de energia renovável como opção de biodiesel. Enquanto o grão da soja, por exemplo, apresenta teor de oleosidade de no máximo 20%, o do amendoim varia de 40% a 56%. De acordo com o pesquisador Ignácio José de Godoy, especialista do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o que falta para a aplicação do amendoim se viabilizar como biodiesel é um maior investimento genético em suas sementes. O alto custo de produção também não estimula a produzi-lo como combustível. Atualmente, o amendoim é ainda mais valorizado pela indústria de alimentos do que pela de combustíveis. Outro inibidor é a pequena área cultivada em relação à soja. Quanto à qualidade, porém, não se discute. “Quando o mercado deixar de focar o volume de produção e se voltar para a qualidade, o óleo de amendoim poderá ser uma das principais fontes de biodiesel do País”, garante o engenheiro-agrônomo e mestre em produção vegetal João Paulo Mantovani.




Fonte: FC edição 958- outubro 2015
Postado por: Família Cristã




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