A vida é preciosa

Data de publicação: 17/11/2017

Por Léo Pessini 


Despedir-se da vida em dignidade e elegância! O mês de novembro é marcado pela lembrança dos nossos entes queridos que já partiram de nosso convívio. Um misto de saudades e nostalgia nos invade, lembramo-nos carinhosamente de quem partiu de nosso convívio. Vamos ao cemitério e lá, junto ao local onde foram depositados os restos mortais de quem amamos, depositamos um ramalhete de flores, e, com uma lágrima teimosa que brota em nossos olhos, fazemos silenciosamente uma prece aos céus de agradecimento pela vida desta pessoa.
Precisamos sempre aprender de novo como cuidar das pessoas que estão no final de suas vidas, com profissionalismo científico e ternura humana, através dos chamados cuidados paliativos. Já temos alguns programas no Brasil, mas ainda precisamos avançar muito. Há muitos casos de solidão, sofrimento, descaso e indiferença. Precisamos urgentemente de uma política pública clara no Sistema Único de Saúde. Destacamos a seguir alguns trechos de um discurso do papa Francisco sobre cuidados paliativos aos membros da Pontifícia Academia para a Vida, de 5 março:

Honrar a vida – “Os cuidados paliativos são expressão da atitude profundamente humana de cuidar uns dos outros, sobretudo dos que sofrem. Eles testemunham que a pessoa humana permanece sempre preciosa, mesmo quando está marcada pela velhice e pela doença. Com efeito, a pessoa, em qualquer circunstância, é um bem para si mesma e para os outros e é amada por Deus. Por isso, quando a sua vida se torna frágil e se aproxima a conclusão da existência terrena, sentimos a responsabilidade de a assistir e acompanhar da melhor maneira (...). A Palavra de Deus é (...) de extrema atualidade para a sociedade contemporânea, na qual a lógica da utilidade prevalece sobre a solidariedade e a gratuidade, até no âmbito familiar (...). Honrar hoje poderia ser traduzido também como o dever de ter extremo respeito e cuidar de quem, devido à sua condição física ou social, se poderia deixar morrer ou provocar a morte. Toda a medicina tem um papel especial no âmbito da sociedade como testemunha da honra que se deve à pessoa idosa e a cada ser humano. Evidência e eficiência não podem ser os únicos critérios que governam a ação médica, nem o devem ser as regras dos sistemas de saúde e o proveito. O Estado não pode pensar em lucrar com a medicina. Ao contrário, não há dever mais importante para a sociedade do que preservar a pessoa humana.
Os cuidados paliativos até agora foram um precioso acompanhamento para os doentes oncológicos, mas hoje as doenças são muitas e diversas, com frequência relacionadas com a velhice, caracterizadas por um definhamento crônico progressivo, e podem servir-se deste tipo de assistência. (...) Os cuidados paliativos têm por objetivo aliviar os sofrimentos na fase final da doença e ao mesmo tempo garantir ao doente um acompanhamento humano adequado (...). Trata-se de um apoio importante, sobretudo para os idosos, os quais, devido à idade, recebem cada vez menos atenção da medicina curativa e muitas vezes são abandonados (...).
Por conseguinte, aprecio o vosso compromisso científico e cultural a fim de garantir que os cuidados paliativos possam chegar a quantos deles precisam. Encorajo os profissionais e os estudantes a especializarem-se neste tipo de assistência que não possui menos valor pelo fato de não salvar a vida”. 
O que podemos dizer, a não ser obrigado e amém, querido Pai Francisco!





Fonte: FC edição 959- novembro 2015
Postado por: Família Cristã




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