Jovem de família

Data de publicação: 04/12/2017

Por Pe. Reginaldo Carreira
                    

          
Antigamente, quando se queria dizer que uma jovem era gente de bem e decente, logo se dizia: “Ela é uma moça de família!”. E quando se dizia isso, estavam implícitas as características: uma jovem educada, de boa índole e caráter, que sabia respeitar e merecia ser respeitada, que cuidava bem da casa e sabia lidar com crianças (seus futuros filhos, se fosse o caso), que se vestia de forma mais recatada, e outras ideias de boa moça da época.
            Sim, os tempos mudaram! Em alguns aspectos para melhor! Que bom que não se tem mais, ao menos em boa parte da população, a ideia de que boa moça é só a que é boa dona de casa. Trata-se de um conceito machista demais, não só para os dias de hoje. Mas me intriga o fato de que o termo “moça de família” seja atualmente usado como uma forma de chacota ou crítica irônica!
Há de se tomar os devidos cuidados para não ser anacrônico, e para atualizar a concepção do termo. Mas também é preciso admitir que, fundamentalmente, mesmo dentro da multicultura vigente, família tem lugar de honra, e a moça ou o moço de família também deveriam ter. Calma lá! Mais uma vez reafirmo que não estou dizendo aqui que deveríamos voltar ao passado, mas que devemos rever o valor – não do termo em si –, mas do que ele representa.

O valor de ser família – Quanto mais alguém se reconcilia com sua história, se integra com sua raiz, entende – e ama – de onde vem, melhor pessoa se torna, e mais capaz será de chegar a seus objetivos. Só quem sabe bem de onde vem é capaz de ir aonde quer. Quanto mais “de família” alguém for, mais feliz se torna. É só olharmos ao redor, é só olharmos com o coração mais sensível e com o olhar mais espiritual, que veremos quais as grandes causas de tristeza e de alegria. Elas estão fundamentadas nos nossos relacionamentos, na nossa família, no bem-estar de quem amamos, na capacidade de perdoar e amar quem está perto do nosso coração! Nem sempre se enxerga isso no momento da dor ou da decepção, mas cedo ou tarde nos damos conta de que só queremos nos sentir em casa!
Precisamos hoje, mais do que nunca, de jovens que mantenham seus valores familiares mais fundamentais, pois é lá onde se aprende o amor na forma mais profunda e eficaz, é lá onde se compreende a graça da partilha, da convivência social, da educação e da habilidade em coexistir, e é lá que se experimentam os primeiros conflitos e as primeiras vitórias. Não existe família perfeita, e assim, claro, existem situações em que há de se refletir, rever, perdoar e reorientar-se à luz da Palavra de Deus e do anúncio cristão.
Existem também aqueles que não tiveram referência familiar básica, mas, ainda assim, é possível achar caminhos e abrir portas para que todos possam ser “jovens de família”, “homens e mulheres de família”! E quando digo que é possível, é porque acredito que nós, cristãos, temos a força das obras de fé. Ou não temos?! O que podemos fazer para que isso continue a acontecer? Talvez começando por nós mesmos a dar um valor cada vez maior à nossa família de sangue e aos amigos que se tornaram família na fé e na vida!
É! Não somos perfeitos, nem “bonzinhos”, mesmo porque o bonzinho às vezes é um mauzinho disfarçado, mas somos gente de família! E o que queremos de fato é nos sentir em casa, livres para amar e sermos amados. Na verdade, na espiritualidade é assim também: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti” (Santo Agostinho).

 







Fonte: FC edição 980 agosto 2017
Postado por: Família Cristã




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