Operação mãos limpas

Data de publicação: 14/12/2017

Por César Vicente 

Mais do que garantir um bom hábito de higiene, ensinar uma criança a lavar as mãos, desde cedo, é um investimento na saúde pública


Uma pesquisa recente realizada pela TNS Global Market Research, uma das maiores consultorias de informação do mundo, comprovou as suspeitas: o brasileiro é imbatível no chuveiro. Em média, tomamos banho 19,8 vezes por semana, quase três vezes por dia, superando, de longe, russos, com 8,4 banhos semanais, japoneses (7,9) e franceses (7,7). O hábito que faz parte do nosso dia a dia foi herdado dos indígenas. Conta-se que os primeiros portugueses que aqui chegaram estranhavam o costume de os índios se banharem várias vezes por dia, até – literalmente – eles próprios sentirem na pele o calor dos trópicos e aderirem ao costume, por si só saudável. Melhor, porém, seria se tivéssemos o mesmo zelo higiênico para partes determinadas do corpo. É o que garante o pediatra e infectologista Edimilson Vigotski, para quem não faria mal se tomássemos menos banhos e lavássemos mais as mãos. “Contribuiria para evitar doenças como conjuntivites, gripes e resfriados, entre outras”, afirma.
Principalmente as entre outras. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lavar as mãos habitualmente, impedindo a propagação de germes e fungos por mais tempo, reduziria em até 40% a incidência de infecções gastrintestinais (como a diarreia), oculares e de pele. O impacto seria positivo nos países em desenvolvimento e emergentes. No Brasil, por ano, 400 mil pessoas, incluindo idosos, são internadas devido a complicações da diarreia. O problema é mais grave em crianças de até 5 anos. Em 2011, mais de 130 mil crianças desta faixa etária foram internadas em razão do problema. “Elas são as mais afetadas em função da falta de noção de higiene e do comportamento que permite acesso aos agentes infecciosos: ao porem, por exemplo, a mão no chão e, depois, na boca, nariz ou olhos”, explica Edimilson Vigotski. Segundo ele, esse grupo, quando adoece, é o que apresenta mais probabilidade de ter complicações que podem levar à morte.

A coisa certa – Lavar as mãos corretamente com sabonete – confira no boxe “Como lavar as mãos” –, ao chegar em casa, é uma medida de higiene e de cuidado com todos os que coabitam no espaço doméstico. Uma criança que, por exemplo, traz germes da creche ou da escola pode infectar a todos na família com o vírus influenza, da gripe, uma vez que esse pode sobreviver por mais de 48 horas em superfícies como interruptor de luz, controles remotos, bocal de telefone ou maçanetas – locais tocados por todos os moradores de uma residência. Lavar as mãos com sabonete reduziria consideravelmente essa transmissão. Para isso acontecer, no entanto, é necessário que as crianças sejam bem orientadas. O que nem sempre acontece. Uma pesquisa encomendada em 2010 pela Unilever (fabricante de produtos alimentícios, de higiene e de limpeza) e realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) junto a mães brasileiras de diferentes classes sociais apontou que apesar de uma grande maioria delas (84%) afirmar lavar suas mãos com sabonete após ir ao banheiro, apenas 25% confirmaram se importar que seus filhos façam o mesmo. E mais: 40% delas revelaram que seus filhos apenas lavam as mãos até três vezes por dia.
A questão, portanto, é cultivar bons hábitos de higiene. Afinal, tão importante quanto vacinar uma criança contra todas as doenças possíveis é ensinar a ela, desde cedo, a importância dos bons hábitos de higiene, entre eles o de lavar as mãos em diferentes situações e não apenas após usar o banheiro ou antes das refeições – confira no boxe “Quando lavar as mãos”. Para isso basta apenas mais atenção, tempo e boa vontade por parte dos pais e das escolas. A mesma pesquisa realizada pelo Ibope revelou que 72% das mães ouvidas concordam ser fácil ensinar às crianças o hábito de sempre lavar as mãos com água e sabonete. O problema é que 57% delas acham cansativo ter que relembrar aos filhos esta necessidade e apenas um terço acredita que seus filhos, na escola, lavam as mãos com sabonete. Para essas, fica o aviso: por mais desgastante que seja, ser pai e mãe é uma ocupação em tempo integral. Dá trabalho, mas nada pode ser mais gratificante do que a sensação de ensinar aos filhos a fazer a coisa certa.


boxe
Quando lavar as mãos
Antes de:
• preparar a comida ou comer,
• tratar um ferimento ou ajudar alguém que está doente,
• cuidar de bebês,
• manusear as lentes de contato e
• pegar bebês no colo.
E depois de:
• ir ao banheiro,
• assoar o nariz, espirrar ou tossir,
• ajudar alguém que está doente,
• ajudar crianças ou idosos a usar o banheiro,
• manipular o lixo,
• trocar fraldas,
• praticar esportes,
• tocar em animais ou limpar seus excrementos,
• utilizar o transporte público e
• sair de um local público, com muitas pessoas: hospitais, escolas, teatros, cinema etc.

boxe 2
Como lavar as mãos
1 - Molhe as mãos e os pulsos com água.
2 - Aplique sabonete até cobrir toda a superfície da mão.
3 - Esfregue com a palma direita a mão esquerda, e vice-versa.
4 - Entrelace os dedos e esfregue bem o espaço entre eles, incluindo os polegares.
5 - Lave bem o dorso das mãos, os pulsos e os espaços debaixo das unhas, eliminando qualquer sujeira mais resistente.
6 - Deixe as mãos ensaboadas durante 15 segundos.
7 - Enxague bastante com água corrente.
8 - Seque as mãos com a toalha (em casa), ou com uma toalha de papel descartável.
9 - Se estiver na rua, o ideal é que você use uma toalha de papel para fechar a torneira e evite tocar na pia.
10 - É importante que este ritual de higiene venha também acompanhado do uso consciente da água. Enquanto ensaboa as mãos, feche a torneira.

Fonte: Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)






Fonte: FC edição 931- julho 2013
Postado por: Família Cristã




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