Educação sexual na juventude

Data de publicação: 15/03/2018


Educação afetiva e sexual na juventude

Vaticano elabora um curso on-line sobre afetividade e sexualidade para os catequistas e líderes de grupos de jovens

A sexualidade e a afetividade ainda são um grande tabu, sobretudo quando se procura tratar desses assuntos nos grupos de jovens. Para ajudar no processo, o Vaticano, através do Pontifício Conselho para a Família, elaborou o curso on-line O Ponto de Encontro, traduzido em cinco línguas, dentre elas o português. Destinado a líderes de grupos de jovens, catequistas e professores e baseado num modelo educacional implantado com sucesso pela Igreja espanhola e adaptado pelo Pontifício Conselho para ser útil às diversas culturas, o curso é dividido em seis unidades, com atividades e dinâmicas para serem feitas com os jovens. O projeto tem como objetivo “oferecer um itinerário de educação ao amor, que ajude os jovens a descobrir a beleza da entrega mútua e a busca da felicidade através da entrega do corpo e do espírito”.

Deturpação – Dom Vicenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, afirma, em sua apresentação do projeto, que “uma das tarefas mais delicadas que os pais têm de enfrentar na educação dos seus filhos é a formação emocional, para que possam responder à vocação mais decisiva para todo ser humano: a vocação ao amor”. E, apesar da proposta do site ser direcionada a educadores e catequistas, ele lembra que “esta vocação ao amor é tarefa fundamental dos pais”.
Obviamente, para ajudarem nessa tarefa, os pais contam com o apoio e a ajuda de diferentes setores da sociedade, como a escola, a Igreja, comunidades eclesiais, párocos e demais fiéis. Precocemente ou não, hoje os jovens conseguem buscar nas redes sociais e na internet muitas informações, que podem causar mais confusão do que ajudar. “Os adolescentes e jovens estão expostos a várias informações sobre afetividade em geral e ao exercício da sexualidade, em particular. Muitas vezes, esses mesmos jovens precisam de critérios para distinguir a verdade do bem da sexualidade humana”, afirma dom Vicenzo.
Padre Antonio Ramos do Prado, conhecido como padre Toninho, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), concorda que esse tema precisa ser tratado com os pré-adolescentes e adolescentes: “Isso se faz necessário numa sociedade que contradiz as orientações sexuais que o humanismo cristão propõe. Nossa sociedade é erotizada, confundindo sexualidade e afetividade com sexo. Veja os programas de TV, em sua maioria prega isso. Essa má interpretação da sexualidade e afetividade cria um desajuste na educação das crianças, adolescentes e jovens”.
Mas, quando começar a abordar esse tema com os filhos? Padre Toninho acredita que a partir do momento em que os pais permitem aos filhos acessarem as redes sociais e a TV sozinhos. “As redes sociais não falam somente através de palavras, mas também de imagens. O adulto que educa precisa saber pedagogicamente de que forma vai abordar a criança para passar as informações corretas.” Quanto ao trabalho nos grupos paroquiais, padre Toninho acredita que os grupos podem ser um grande auxílio aos pais. Mas adverte: “É preciso que o acompanhante bem preparado e indicado pela comunidade tenha de fato formação nessa área e que suas orientações sejam a partir dos princípios da moral e da ética que a Igreja orienta. Esse processo, quando bem elaborado, contribui muito para o desenvolvimento seguro das crianças, adolescentes e jovens”.

Encontro – Todo o curso O Ponto de Encontro, do Vaticano, baseia-se na montagem de uma barraca de campismo inspirando-se no Evangelho de São Mateus, quando Jesus afirma: “Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha”. É preciso conhecer todos os elementos da barraca, que, unidos, conseguem formar uma estrutura firme e estável contra o vento e as intempéries, para que possa ser uma casa portátil segura.
Trata-se de uma alegoria para o próprio jovem, na qual ele é representado pela barraca, que se dá conta de suas dimensões como pessoa: corpo, sexualidade, afetos, liberdade, vontade e moral. O uso de uma barraca de camping para ilustrar o curso possui ainda, de forma implícita, toda uma ideia que remonta desde a Antiguidade, quando as pessoas se utilizavam dessa rústica técnica de habitação para viajar e estabelecer contatos e comércio com outros povos. Remete também ao povo hebreu, quando estavam divididos em tribos e dormiam em tendas, como comprovam os diversos relatos na Bíblia.
Cada uma das seis unidades, formada por três a cinco encontros, dependendo da unidade, traz um arquivo para o educador e outro para o jovem, que pode ser baixado e impresso formando uma apostila. Há ainda um arquivo extra com sugestões de trechos de filmes, como Homem Aranha, Star Wars, O Senhor dos Anéis, entre outros, que ilustram o tema daquela unidade.
Como padre Toninho lembra, a influência da mídia em geral pode deturpar a ideia de sexualidade e afetividade mesmo nos adultos. A proposta do Vaticano deve ir além e até mesmo ser útil para os pais e educadores reaprenderem o amor cristão, grande tema que permeou as conclusões do Sínodo da Família, realizado há pouco.
Nesse sentido, monsenhor Mario Iceta, bispo de Bilbao, presidente da Subcomissão para a Família e Defesa da Vida, da Conferência Episcopal Espanhola, país onde nasceu o projeto, afirma que amar também se aprende: “Sendo a vocação ao amor um dom imenso e uma tarefa, necessitamos compreender esta lógica do dom e torná-la nossa. Não somente necessitamos compreendê-la, mas também aprender a amar”. E continua: “É tarefa que devemos começar a partir das primeiras fases da vida. A criança percebe que é querida,  e isso reforça a sua personalidade, suas habilidades e sua confiança no futuro. Ela logo percebe que esse amor também a desafia, exige uma resposta e, gradualmente, aprende a amar. A experiência da família é particularmente importante nos primeiros dias da nossa vida”.
Monsenhor Mario acrescenta que, após essa experiência do amor vivido em família, o adolescente entra numa nova era, onde descobre de um novo jeito sua afetividade e sexualidade. “Este é um tempo particularmente delicado. Sem a referência à vocação ao amor, a sexualidade permanece ininteligível. Como compreender e personalizar as afeições, as inclinações, as paixões, os desejos, e todas as dimensões da percepção do nosso corpo sexuado necessitam de um delicado trabalho de aprendizagem.”


PARA SABER MAIS:

Site: O Ponto de Encontro – Projeto de educação afetivo sexual
Pontifício Conselho para a Família
http://www.educazioneaffettiva.org/

Livro: Aos Jovens com Afeto – Afetividade e sexualidade
Edições CNBB
Subsídio elaborado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, abordando 50 temas sobre afetividade e sexualidade, disponível em livrarias católicas de todo o País ou pelo site da CNBB.
http://www.edicoescnbb.com.br/




Fonte: FC edição 974, fevereiro de 2017
Postado por: Família Cristã




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