Lições de uma crise econômica

Data de publicação: 20/03/2018

As lições de uma crise econômica

Milhões de brasileiros e suas famílias estão sofrendo com a crise econômica no País. Mas, com educação financeira, planejamento, sonhos e união, é possível mudar esta realidade

O ano de 2016 foi difícil para o representante comercial Gerson Araújo de Souza Júnior. Muitas dívidas e pouco dinheiro. Tudo começou quando a empresa na qual ele prestava serviços deixou de pagar as comissões. “A crise chegou. Acabei sujando o meu nome”, conta. Não só ele. Milhões de brasileiros ficaram ou ainda estão em situação muito difícil. E, em 2018, as previsões ainda deixam a desejar. “Os efeitos da crise econômica dos últimos anos aparentemente diminuíram, e o País já demonstra vontade de voltar a crescer. Contudo, 2018 será um ano de muitas incertezas, e a economia reage com lentidão às ações positivas e com rapidez às negativas, o que gera reflexos diretos nas finanças pessoais”, observa Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abin(. “Porém, não devemos desanimar. Devemos planejar e nos adequar à situação, buscando nos fortalecer e aprender com o período que atravessamos”, salienta.
Foi o que fez Gerson. Procurou um educador financeiro, que o orientou a reorganizar suas finanças. A tarefa de casa ele não fez sozinho, e nem poderia. A família, a esposa e o filho Davi, de 9 anos, também fizeram sua parte nas mudanças. “No começo, é difícil vender a ideia para a família. Antes de tudo, peguei as contas e expliquei como estava nossa situação e o que deveríamos fazer para melhorá-la”, lembra.
 Domingos conta que o envolvimento familiar é fundamental. “Quem procura reorganizar as finanças precisa saber que se trata de uma questão familiar e não individual”, observa. “É preciso que todos economizem, mas não só quando a situação é difícil. Esse é um caminho para a vida toda”, orienta o economista. “Os pais desempenham papel crucial na vida dos filhos, especialmente no que diz respeito à lida com as finanças. Seu exemplo e comportamento guiam as atitudes dos filhos, tanto agora quanto no futuro”, ressalta. “Por isso é importante educá-los financeiramente, quando começarem a dar os primeiros sinais de entendimento”, afirma, lembrando que escolas que ensinam educação financeira são uma opção interessante.
Para Domingos, a situação econômica do País não é a principal causa para as desordens nas contas familiares. “Posso afirmar que o grande problema das finanças das famílias está relacionado às questões que têm a ver com a forma de lidar com o dinheiro.”  Ele cita os sete principais “pecados” que levam  as pessoas e suas famílias a se tornarem inadimplentes: falta de educação financeira; falta de planejamento; exposição às  mensagens das campanhas de marketing, o que faz as pessoas comprarem por impulso; crédito fácil;  parcelamentos;  a falta de sonhos, sem objetivo para o dinheiro, as pessoas podem gastá-lo de forma irresponsável; e, por fim,  a necessidade de  status social, quando as pessoas acreditam que consumir mesmo sem ter condições  é importante para serem aceitas socialmente.
 
Sonhar e reorganizar em família – Domingos ensina que é preciso organizar as finanças e mudar hábitos, e enumera muitas orientações valiosas para isso. Uma delas, ressalta, é envolver os familiares. “Sente-se e converse com todos os integrantes da família, inclusive as crianças, para falar sobre os sonhos individuais e coletivos. Esse é um passo muito importante para mudar a forma como a família lida com o dinheiro, passando a entender que ele é um meio para realizar sonhos.” “Por mais que o cenário para muitos seja de pesadelo, nessa hora, é de grande importância sonhar, ou seja, definir os objetivos materiais, que farão com que se tenha foco para evitar o descontrole ou mesmo o desespero”, explica.
Quando procurou o educador financeiro, Gerson se dispôs a seguir à risca todas as suas instruções, e o plano em família deu certo. “Em 2016, estávamos endividados. Em 2017 consegui fazer acordos e pagar as parcelas, que terminam no mês de março. E ainda estou poupando e planejando para concretizar o sonho de ir com a família à Disney”, conta.
Gerson renegociou gradativamente as dívidas que tinha. buscando os melhores momentos e formas de pagamento, aprendeu a usar o cartão de crédito de forma racional e deixou de gastar o dinheiro consumido por impulso.
Em casa, com a colaboração da família, muita coisa mudou, mas para melhor. Os passeios ao shopping com o filho, onde o estímulo ao consumo é grande, foram trocados por passeios ao ar livre, a TV a cabo foi cancelada, a internet teve a sua velocidade reduzida, o carro do ano foi substituído por outro mais simples, para ajudar a saldar dívidas, as contas de água e luz ficaram  bem  menores por conta da economia em família, o valor gasto com as compras mensais no supermercado caiu quase pela metade, o que fez a família notar que muitos itens eram desnecessários ou desperdiçados. “A educação financeira nos ajudou a ter uma melhor qualidade de vida. Comprávamos muitos alimentos que não eram bons para a saúde”, conta Gerson, que hoje, trabalha com consórcios e aproveita o seu aprendizado para dar dicas de economia aos clientes.
Outra lição foi o investimento em sonhos. Assim, ao invés de gastarem dinheiro com compras por impulso, agora poupam para concretizar seus sonhos. Além da viagem à Disney, programada para este ano, Gerson também planeja comprar uma chácara no interior. “Hoje poupo muito para investir depois, sem pressa e impulsividade”, comemora.

União contra a crise – A família do paulista João Pedro Azevedo também aprendeu a lidar melhor com o dinheiro durante uma crise. Professor de Educação Física e pedagogo, João Pedro, 57 anos, trabalhava numa fundação escolar e, com os ótimos salário e benefícios, podia manter um padrão de vida muito bom para os filhos, Pedro Henrique e Gabriela, e para a esposa, Maria das Graças. Mas, em 2009, foi demitido. Durante dois anos, com recursos da rescisão e a venda dos orgânicos que cultivava em sua chácara, a situação foi contornada. Mas, depois, foi difícil manter os filhos, que faziam faculdade em outras cidades, e as despesas da casa. O padrão de consumo mudou: um dos carros foi vendido, passeios e jantares foram eliminados, assim como a TV a cabo e outras despesas supérfluas.  Hoje, a família conta com um cartão de crédito, apenas para despesas essenciais.  A esposa, Maria das Graças, passou a trabalhar como balconista em uma padaria.  Pedro Henrique, e a irmã Gabriela, conseguiram bolsa de estudo. João Pedro conseguiu algumas aulas no estado e também deu aulas particulares como personal trainer. A família também precisou vender parte da chácara onde cultivam os orgânicos. E assim, juntos, conseguiram superar a crise financeira.
Hoje, a situação está melhor: João Pedro conseguiu trabalho numa escola particular, no começo de 2016, na mesma época em que saiu a sua aposentadoria. “Olhando para trás, parece que Deus sempre procurou ajustar as coisas para nós”, conta Maria das Graças.  Com a tranquilidade que sempre o acompanhou, durante a crise, João Pedro dá uma dica às famílias. “Primeiro, não perder a fé em Deus, pois tudo vai passar, não é preciso se desesperar ou se lamentar”, afirma. E, em segundo lugar, é necessário a união. “Numa família estruturada e unida, um ajuda o outro, para superar as dificuldades. Nossos pais e irmãos também nos ajudaram. Muitas famílias se separam nas crises, mas este é o momento de se manterem unidas.”

Por, Rosangela Barboza









Fonte: FC edição 986 Fevereiro 2018
Postado por: Família Cristã




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