Pulmão da cidade

Data de publicação: 02/04/2018


Por, Nathan Xavier
O Parque Ibirapuera, um dos mais concorridos de São Paulo, tem intensa programação cultural e atividades de lazer que agradam a toda a família

A cidade de São Paulo (SP) é a 7ª mais populosa do planeta e principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul. Centenas de empresas multinacionais tem sede na cidade, que, por dois séculos desde sua fundação, em 1554, permaneceu como uma vila pobre e isolada do centro da colônia e se mantinha por meio de lavouras de subsistência. Em 1827 a Monarquia cria os cursos jurídicos no Convento São Francisco dando origem à futura Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Com a quantidade de estudantes e professores que começam a circular, a cidade ganha do imperador o título de Imperial Cidade e Burgo dos Estudantes de São Paulo de Piratininga.
Mas foi apenas em meados de 1860 que São Paulo ganha seu primeiro grande impulso com a expansão das fazendas de café em seu entorno, principalmente com a chegada da ferrovia que liga o interior da província com o Porto de Santos. No fim de 1890 a cidade dobra sua população e em 1900 a Avenida Paulista é aberta com suas mansões. A partir daí as obras faraônicas dos governos paulistanos se sucedem, tornando São Paulo a metrópole que é hoje. Seu crescimento, por diversas vezes desordenado, traz reflexos ruins até hoje para a cidade. No entanto, graças a algumas administrações que viam a necessidade de uma expansão organizada da metrópole, São Paulo pode usufruir de locais de lazer. Um deles é o Parque Ibirapuera!

Criação – Eleito pelos usuários de um dos maiores sites de viagem do mundo, TripAdvisor, o Ibirapuera foi considerado o melhor parque da América do Sul e o oitavo melhor do mundo. O prefeito Pires do Rio, que administrava a cidade de 1926 a 1930, teria ficado orgulhoso, afinal, ao idealizar o parque, inspirou-se nos grandes de então: Bois de Boulogne, em Paris, (França); Hyde Park, em Londres, (Inglaterra) e o Central Park, em Nova York (EUA). A falta de jardins públicos em São Paulo foi a razão central para a criação. “Numa cidade pobre de jardins centrais, como era São Paulo, não poderíamos perder a oportunidade que se nos apresentou de preparar o terreno para um parque em pleno coração da cidade residencial”, afirmou o relatório da administração do prefeito Pires do Rio, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 27 de julho de 1930. O local onde hoje fica o parque era uma região da cidade conhecida como Várzea de Santo Amaro e o terreno atual foi a junção de duas áreas. Uma delas, próximo do local onde hoje se encontra o Instituto de Biologia, foi adquirida em permuta com o Governo Estadual. Em troca a prefeitura cedeu o terreno que hoje é o Parque da Água Branca. A outra parte veio com a retomada judicial da então chamada Chácara do Ibirapuera, ocupada por grileiros. Um laudo da época provou que a tinta utilizada nos documentos de posse dos terrenos não batia com a data que apresentavam, muitos do século 18. Toda a região era um grande terreno alagadiço, não é por menos que Ibirapuera, na língua tupi, quer dizer “pau podre” ou “madeira velha”. Era uma antiga aldeia criada por São José de Anchieta em 1560 que, mais tarde, tornou-se área de chácaras.
Mas esse quase pântano frustrou os planos do prefeito Pires do Rio, que nunca pôde ver pronto o parque que idealizou. Foi um simples funcionário da prefeitura apaixonado por plantas, Manuel Lopes de Oliveira, conhecido como Manequinho Lopes, quem iniciou, em 1927, o plantio de centenas de eucaliptos australianos, buscando drenar o solo. Toda a área permaneceu fechada até 1951. Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, havia acabado de realizar a 1ª Bienal de São Paulo naquele ano, quando recebeu o convite do governador Lucas Nogueira Garcez para presidir a Comissão do IV Centenário da cidade, que ocorreria em 1954. Foi Ciccillo quem chamou o arquiteto Oscar Niemeyer para o projeto arquitetônico e a Roberto Burle Marx, o projeto paisagístico. Vale dizer que a equipe de Niemeyer foi a segunda opção, pois a primeira não se entendeu sobre o pagamento de honorários. E, depois, como Niemeyer não se entendeu com Burle Marx, este acabou sendo substituído pelo engenheiro-agrônomo Otávio Augusto Teixeira Mendes, que assinou o projeto paisagístico.

Legado – Construir o parque para deixá-lo como legado e lembrança do IV Centenário de São Paulo não foi barato. Consumiu 80% das verbas destinadas ao evento. A intenção era “erigir um marco perene da grandeza de São Paulo que ao mesmo tempo fosse digno do seu presente e do seu futuro”, escreveu Matarazzo Sobrinho em carta ao então prefeito Jânio Quadros, em seu primeiro mandato como prefeito de São Paulo. Os festejos do IV Centenário foram iniciados em 12 dezembro de 1953 com a 2ª Bienal, que pré-inaugurou o Parque Ibirapuera com apenas dois de seus pavilhões concluídos. No livro As Bienais de São Paulo de 1951 a 1987, a jornalista Leonor Amarante conta que os montadores da exposição retiraram a obra Guernica de Pablo Picasso, avaliada em milhões de dólares, de um caminhão atolado na lama de um Parque Ibirapuera ainda em obras.
Infelizmente não ficou pronto para o grande dia, 25 de janeiro de 1954, quando São Paulo completou 400 anos. Foi apenas em 21 de agosto que ocorreu a abertura solene do Parque Ibirapuera, com todas as pompas oficiais. Fotos da época retratam coisas diferentes que vemos hoje ao caminhar no local. Além das poucas árvores, em sua maioria apenas mudas, barquinhos no lago e uma área para crianças, com roda-gigante e carrossel. Nesse mesmo local, existe hoje o Auditório, que fazia parte do projeto original de Niemeyer, mas que só foi construído em 2005. Uma praça e uma passarela ligariam e completariam o conjunto entre o Auditório e o prédio da Oca, que nunca foi realizado. A ideia original é que esse fosse o portão principal do parque, e a passarela, ligando as duas construções, seria elevada para que a pessoa, de cima, pudesse ter uma visão total de todo o parque, além da visão privilegiada do Obelisco, onde abriga os corpos dos estudantes mortos durante a Revolução Constitucionalista e de outros 713 ex-combatentes.

Lazer – Aos fins de semana o parque é um dos mais concorridos da cidade. Com 1,5 milhão de metros quadrados, ele não é o maior parque da cidade em tamanho, o Anhanguera tem 9 milhões, mas é o que recebe o maior público: 200 mil nos fins de semana. Em dias de semana, no período noturno, também reúne muitas pessoas que aproveitam para praticar esportes. Antes da construção do Auditório, uma área aberta com um grande palco servia de local para shows gratuitos, e reunia milhares com shows de grandes artistas como Milton Nascimento, Gilberto Gil e Rita Lee, artistas de rock como Skank, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e Titãs, e ainda orquestras sinfônicas e artistas internacionais como Tony Bennett e Julio Iglesias. Conta também com três museus e diversas atrações tanto nas dependências do parque quanto no entorno (veja mais no boxe à pág.), além de quadras poliesportivas, ciclovias, diversos parquinhos para crianças e até uma área para treinamento de le parkour (superação de obstáculos), além da beleza de toda a fauna e flora do local. Um respiro de verde e tranquilidade no meio da grande metrópole.








Fonte: FC edição 986 Fevereiro 2018
Postado por: Família Cristã




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